Bactéria KPC é a nova supervilã dos hospitais

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Uma notícia que alertou o mundo em 2010 foi a da propagação da superbactéria KPC, resistente à maioria dos antibióticos disponíveis atualmente.

A KPC (Klebsiella Pneumoniae produtora de Carbapenemase) foi identificada pela primeira vez em 2001, nos Estados Unidos. Hoje, a bactéria é encontrada em mais de 35 estados do país, atingindo principalmente indivíduos debilitados, crianças, idosos, imnudeprimidos ou internados em UTIs, invadidos por sondas e cateteres, deixando um rastro fatal: 47% dos casos de infecção por KPC evoluem a óbito.

Em pouco tempo, a KPC já estava circulando por Israel, China e França, chegando ao Brasil em 2005, onde já matou uma pessoa no Paraná e 18 no Distrito Federal além de contaminar outras 22 em mais quatro estados.

Esse contágio se dá pelo contato com secreções do paciente – quase que exclusivamente em ambiente hospitalar. O diagnóstico é feito a partir de exames laboratoriais, que poucos hospitais estão equipados para realizar. A doença pode evoluir com pneumonia, infecções sanguíneas, no trato geniturinário ou ainda infecção generalizada e morte.

A bactéria está equipada com um gene em seus plasmídios que produz carbapenamases, enzimas capazes de inativar uma classe de antibióticos chamados carbapenêmicos, usados como último recurso para pacientes com infecções resistentes a esquemas de antibióticos comuns.

As bactérias também podem tornar outras baterias resistentes, através da conjugação bacteriana, o que torna o problema ainda mais alarmante. Por esse motivo, há cada vez mais relatos de gêneros de bactérias produtoras de carbapenamases, como as antes inofensivas pseudomonas, Enterobacter sp e Escherichia coli.

Para controlar a propagação da bactéria, é necessário implementar práticas de controle de infecção hospitalar, como o uso de luvas e máscaras e, principalmente, garantir a boa higiene das mãos dos profissionais de saúde e visitantes a doentes no hospital.

A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) baixou uma norma que obriga a todos os hospitais disponibilizarem álcool gel nos quartos e UTIs. Além disso, mudou as embalagens dos remédios e obrigou as farmácias a reterem uma cópia da receita médica quando venderem antibióticos. Por último, recomendou que os pacientes comprovadamente infectados fossem separados dos demais, para evitar o contágio.

Danilo Bacic – Plantonista MedEnsina 2010

Questões orientadoras de estudo

1. Por que a principal hipótese para explicar o surgimento da bactéria KPC está relacionada ao uso indiscriminado de antibióticos? Explique.
2. Explique de que maneira a conjugação bacteriana pode agravar o problema das bactérias resistentes a antibióticos carbapenêmicos

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