O que é uma prova dissertativa

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Comumente, as provas dos processos seletivos para as melhores faculdades são integralmente ou apresentam uma fase com questões a serem respondidas em dissertações. Essa é uma dificuldade extra dos candidatos: além das disciplinas e do conhecimento específico de cada uma delas, o aluno se depara com a tarefa extra de estudar e caprichar no português utilizado.

A prova dissertativa, terror de muitos vestibulandos, no entanto, não precisa ser um “bicho de sete cabeças”, basta adquirir o hábito de primar pelo português polido e correto, e não haverá problemas. Lembre-se: o português em provas dissertativas é fator de pontos ganhos, e dessa forma, estudar as formas corretas de se redigir um texto pode ser fator decisivo para seu ingresso ou rejeição nas faculdades desejadas!!

Acompanhe alguns possíveis erros cometidos comumente pelos candidatos à uma vaga nas universidades em provas dissertativas, como as provas de segunda fase da FUVEST e de ambas as fases da UNICAMP. Algumas dessas respostas foram dadas por alguns alunos do cursinho em nossos simulados, bem como nas questões de revisão de férias.

1 – Parcialidade e propaganda involuntária.

Muitas vezes, o aluno, involuntariamente, acaba por responder as questões colocadas com frases que provocam tendências, como defender algo ou alguém, ou propagandear a favor ou contra algo. Observe os exemplos abaixo:

a) “O aquecimento global, que provoca mudanças climáticas, está batendo as portas da humanidade.”
b) “Por mais que você tente fugir, a urbanização sempre irá te alcançar aonde quer que você vá.”
c) “Getúlio Vargas se referia à homens de pouca fé, que não reconheciam a força dessa pátria que tanto amou”
d) “Um problema da energia nuclear é que você nunca saberá o poder de destruição escondido atrás das paredes de uma usina”

O aluno deve se lembrar: o vestibular não é feito para a formação de quaisquer tipos de opinião, e sim para o simples teste de conhecimentos gerais do candidato!! Dessa forma, respostas desse tipo, geralmente, fazem com que o aluno perca pontos valiosos na forte concorrência do vestibular.

2 – Respostas confusas e falta de primor pelo português claro

Outro erro recorrente cometido pelos vestibulandos, é a elaboração de frases que, por não primar por um português polido e claro, tornam-se confusas, e, por mais que o candidato saiba a resposta certa do teste proposto, não consegue transmitir seu raciocínio de forma coerente ao avaliador. Observe os exemplos abaixo:

a) “O rio pode até sair limpo de Jundiaí, mas quando volta, já vai estar sujo novamente…”
b) “As divisas já foram definidas tantas vezes que sumiram”
c) “As represas são assim por causa dos morros do lugar”
d) “Os domínios morfoclimáticos são estudos sobre os territórios brasileiros”

O candidato deve se lembrar: o corretor do vestibular não é seu professor. Dessa forma, você deve provar a ele que sabe a resposta correta da questão proposta. Como? Dando respostas mais claras e com menos margens de falsas interpretações. Além disso, a boa escrita é sempre ponto positivo ao candidato que elabora corretamente seu raciocínio lógico e o desencadeamento dos tópicos que se deseja abordar nas respostas.

3 – Respostas incompletas

Outro erro comumente cometido é dar respostas corretas, porém incompletas, faltando informações essenciais para a compreensão do raciocínio lógico desenvolvido pelo candidato. Observe alguns exemplos abaixo:

a) “O relevo faz com que as hidrelétricas sejam assim”
b) “O aquecimento global é um problema”
c) “A poluição provoca o aquecimento do planeta”
d) “As máquinas agrícolas causam desemprego no campo”

Você pode observar que todos os exemplos dados mostram respostas corretas, mas de nada adianta se o candidato não explica a afirmação colocada, beirando o “censo comum” em suas indagações. Lembre-se: os melhores candidatos são os que argumentam solidamente em suas respostas, justificando suas afirmações. Poder de argumentação é uma característica altamente almejada no perfil de um futuro estudante universitário, e o corretor da prova sempre leva isso em conta ao corrigir as respostas dos candidatos.

4 – Oralidade

A linguagem humana apresenta dois tipos de formas de comunicação: o falar e o escrever. A língua portuguesa apresenta duas formas bem distintas de expressão: o “português falado” é bem diferente do “português escrito”. Embora ambas as formas são corretas, há que se definir: escrever da forma como se fala é errado e é fator de perda de pontos na correção do vestibular!! Observe:

a) “As indústrias, tipo, poluem o meio ambiente”
b) “Uma coisa é falar, a outra é fazer”
c) “… apresentando esse padrão, e assim vai”
d) “Já estará sujo tudo de novo”

Lembre-se: no caso da comunicação entre você e o corretor, é escrita!! Dessa forma, evite expressões que frequentemente são usadas na linguagem falada. Observe que tais expressões não são erradas, apenas colocadas em uma forma de linguagem não adequada: nesse caso, não as use.

Outra dica: jamais abrevie palavras. Isso é erro grave e acarreta em grande perda de pontos. A comunicação via web, como o msn e o orkut, propiciam ao candidato esse vício de linguagem, mas é importante discernir qual o momento exato para se expressar dessa forma.

5 – Respostas em formas abreviadas

Outro erro cometido com frequência entre os vestibulandos é o uso de formas abreviadas de se responder uma questão, como as famosas “respostas dois pontos”. É normal, os candidatos dos melhores vestibulares do país passam por processos seletivos competitivos, e o tempo, normalmente, é curto…

No entanto, frases sem sujeito (subentendido de acordo com o enunciado da questão), uso de dois pontos e resposta em tópicos denota ao avaliador de sua prova que você é preguiçoso, inseguro, não prima pela escrita clara, e portanto, não tem o perfil desejado pela universidade. Isso acarreta em descontos valiosos em sua pontuação, mesmo que sua resposta esteja integralmente correta. Lembre-se: o vestibular é um processo extremamente competitivo, e nenhum candidato pode se dar ao luxo de perder pontos dessa forma. Normalmente, esse é um forte fator de eliminação do candidato mais bem preparado.

6 – Coerência pergunta / resposta

Muitas vezes, os avalistas dos vestibulares se deparam com um erro estranho do candidato: a resposta de outro tópico relacionado à problemática levantada pelo enunciado da questão. Ao se deparar com uma questão relacionada aos aspectos sociais de um determinado fenômeno, por exemplo, comumente os avalistas encontram respostas que dizem respeito aos aspectos econômicos e/ou políticos da mesma problemática.

Esse é um grave problema, encontrado com certa frequência nas respostas de uma determinada questão. Isso denota, dentre outros problemas do candidato, insegurança, falta de estudo do candidato em relação àquela disciplina, e principalmente, grave falta de atenção, características do candidato altamente indesejáveis em um futuro universitário.

Mesmo que a resposta dada pelo candidato seja correta com relação ao aspecto colocado por ele, o avalista, obrigatoriamente, anula a questão.

♦ Algumas dicas para não perder pontos:

  • Primordial: leia bastante. É importantíssimo que o candidato, em sua fase de preparação para o vestibular, adquira o hábito de ler, revistas, jornais, ou mesmo páginas da internet que não os tradicionais msn e orkut, pois, ao ler, o candidato, mesmo que inconscientemente, absorve para si técnicas mais refinadas de escrita formal. Não precisa ser revistas científicas ou apostilas de cursinho, mesmo em revistas voltadas ao lazer do leitor, o português é sempre formal, e, portanto, correto para a ocasião.
  • Evite ao máximo erros gramaticais, como concordâncias verbais, plurais, acentuação (geralmente ignorada em programas de comunicação e sites de relacionamento). Pode parecer que erros assim são medíocres, mas denotam falha estrutural do aluno num aspecto muito importante: o uso de sua própria língua nativa.
  • Ao se deparar com o enunciado da questão, grife, com caneta normal ou com marca-textos, os tópicos mais importantes da questão, como datas, nomes, processos, contextos históricos, e, especialmente, tópicos abordados nos itens da questão: se a pergunta diz respeito ao econômico, grife tal palavra, para evitar respostas que fujam da proposta.
  • Faça sempre o uso correto de conectivos refinados, como “portanto”, “dessa forma”, “assim”. Isso denota ao avalista que você tem fluência e facilidade de expressão, mesmo em ocasiões formais, e, dessa forma, tem uma característica bastante procurada em um candidato à universidade: a seriedade e a argumentação.
  • Nunca comece sua resposta de forma a subentender algum tema já proposto no enunciado da questão. Imagine que sua resposta deverá ser uma “mini-dissertação”, ou seja, precisa apresentar de forma clara a problemática desenvolvida.
  • Use sempre o espaço destinado para rascunhos no caderno de respostas, enumerando os itens que sua resposta precisa abordar. Não tenha medo: no rascunho, que nunca é lido pelos avalistas, use e abuse de setas, tópicos, frases que te lembrem do que precisa ser abordado. O rascunho é livre para você organizar suas idéias, portanto, use-o!! Mas só o rascunho, não se esqueça.
  • Leia sempre sua resposta, a fim de procurar eventuais erros estruturais, como frases desconexas, sem sentido, tendenciosas, com mais de um sentido. Isso pode acarretar em perda de alguns segundos no tempo corrido que você tem para entregar a sua folha de respostas, no entanto, lhe dá maior garantia de que sua resposta está coerente e, portanto, sem risco de perder pontos pela forma e não pelo conteúdo.
  • Encerre sua resposta de forma a não permitir dúvidas ao avalista: leia novamente sua resposta e veja se todas as idéias colocadas nela estão coerentemente desenvolvidas, amarradas e concluídas.

Esperamos que essas dicas sejam-lhe úteis… Boa prova e sucesso!!!

Professora Renata Roveri Cândido (Redação)

Professor Rafael Galeoti de Lima (Geografia do Brasil)

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