Saiba mais sobre o relevo do Brasil

Geografia — Escrito por

O relevo do Brasil é predominantemente plano. As maiores elevações (de até 3.000 m) são encontradas nas regiões Sul e Sudeste do país, na Serra da Mantiqueira e nas cadeias montanhosas da região litorânea (Mata Atlântica).

Mas o que é Relevo

Muito se estuda sobre o relevo dos continentes e países, mas afinal, o que é relevo? Relevo é a diferença entre as elevações máxima e mínima em uma área. Um mapa de relevo mostra a topografia da área. Basicamente o relevo representa as variações na elevação de uma área de superfície da terra.

Mapa do Relevo do Brasil

O mapa de relevo do Brasil é uma representação do terreno brasileiro mostrando as variações de elevação presentes no território. Ao representar o terreno, a dimensão da elevação é normalmente aumentada proporcionalmente, o que facilita o reconhecimento visual das características do terreno nacional.

Mapa do Relevo do Brasil

Relevo do Brasil

Veja abaixo o mapa com a representação do relevo do Brasil:

Relevo do Brasil

Os fatores internos e externos relativos ao Relevo do Brasil

No Brasil, o tectonismo – pressão do magma em direção à crosta – ocorreu em eras geológicas remotas. Devido à predominância de formações geológicas antigas, admite-se que as manifestações tectónicas sejam muito raras sob o território do nosso país.

Abalos sísmicos, que eventualmente ocorrem em alguns pontos do litoral brasileiro, são atribuídos à pressão exercida pela expansão da cordilheira submarina denominada Dorsal Meso-Atlântica.

Com relação à estrutura geológica, o território brasileiro apresenta-se dividido entre os escudos cristalinos (rochas metamórficas e magmáticas), que datam do Pré-Cambriano e correspondem a 36% do território brasileiro, e as bacias sedimentares, que sustentam 64% das formas de relevo do país.

O clima tipicamente quente e úmido do país condiciona os mecanismos externos de atuação do intemperismo e da erosão sobre as rochas cristalinas e sedimentares. As regiões úmidas em geral são caracterizadas por formas de relevo suaves e arredondadas, de topos convexos, como os pães de açúcar e as meias-laranjas das zonas tropicais, típicas das serras elevadas do Sudeste brasileiro. As águas das chuvas, com enxurradas, além dos rios e cachoeiras, são as principais modeladoras desse relevo.

Já nas regiões áridas destacam-se as formas abruptas, por causa da desagregação mecânica do material rochoso e da ação torrencial das chuvas irregulares, características do clima semiárido nordestino.

Além do clima, que comanda a maior parte dos fatores externos que atuam sobre o modelado terrestre, o Brasil possui uma densa rede hidrográfica, o que faz dos seus rios importantes agentes de erosão (em formas elevadas) e sedimentação (em planícies).

As classificações do Relevo Brasileiro

Relevo

Para compreender quaisquer formas de relevo, deve-se considerar a atuação conjunta de todos os fatores analisados – a influência interna representada pelo tectonismo e a atuação do clima nos diferentes tipos de rocha.

Além disso, é necessário observar a evolução do clima, ou seja, as drásticas alterações ocorridas ao longo do tempo geológico. Portanto, a análise do relevo atual envolve o estudo dos chamados paleoclimas, ou seja, os fatores climáticos passados, que contribuem para explicar o modelado do presente.

Classificar o relevo implica agrupar suas formas em compartimentos de acordo com a semelhança de características externas. Para que a classificação seja satisfatória, todos os fatores devem ser igualmente valorizados. Até meados do século XX, isso não acontecia. As classificações do relevo brasileiro prendiam-se basicamente à estrutura geológica, de modo que muitas vezes as formas de relevo (unidades geomorfológicas) eram definidas de acordo com o tipo de rocha. Tornaram-se comuns, por exemplo, denominações como planaltos cristalinos e planaltos sedimentares.

A classificação de Aziz Ab’Saber (década de 1960)

A classificação do geógrafo Aziz Ab’Saber foi a primeira a romper de forma mais definitiva com a confusão existente entre estrutura geológica e relevo. O relevo, como vimos, modela-se a partir do contato das rochas com a atmosfera. Além disso, no Brasil a estrutura geológica é antiga, mas as atuais formas de relevo em geral foram esculpidas recentemente, no decurso da Era Cenozoica.

Observa-se que os compartimentos do relevo são divididos basicamente entre planaltos e planícies, caracterizados como superfícies expostas respectivamente a processos erosivos e de deposição. O mais significativo dessa classificação é o fato de as unidades receberem denominações regionais, e não geológicas, sem que se desconsidere a importância da litologia – o estudo das rochas – para a caracterização de cada uma delas.

Planaltos de origem sedimentar, como parte do planalto Central e o planalto do Maranhão-Piauí, apresentam muitas chapadas, pois o desgaste em área sedimentar vai expondo os vários estratos da rocha, mantendo-se sempre sua feição tabular. Já as elevadas altitudes do planalto das Guianas e das serras e planaltos do Leste Sudeste são explicadas não apenas pela intensa atividade tectônica passada, sobretudo para as serras do Sudeste, mas também pela presença de rochas cristalinas mais resistentes à erosão.

Portanto, essa classificação foi elaborada com base na estrutura geológica e na influência dos climas atuais sobre a atuação dos processos geomorfológicos.

A classificação de Jurandyr Ross (década de 1990)

A classificação elaborada pela equipe do geógrafo Jurandyr Ross aplica os estudos dos paleoclimas na delimitação das unidades morfológicas.

Os domínios morfoclimáticos

A paisagem natural é caracterizada pela integração dos diferentes elementos que a compõem: clima, relevo, estrutura geológica, hidrografia, solo e vegetação. O primeiro estudo a apoiar-se na relação existente entre a cobertura vegetal, o clima e a forma de relevo para caracterizar a paisagem brasileira foi realizado pelo geógrafo Ab’Saber na década de 1970.

Em sua descrição ele valorizou, muito mais do que em sua primeira classificação do relevo brasileiro, a interferência dos fatores climáticos no modelado. Daí sua nova elaboração ter sido designada como domínios morfoclimáticos (“morfo”, relativo à forma do relevo, e “climático”, relativo ao tipo de clima).

Apesar das inovações nos critérios de compartimentação do relevo brasileiro, a análise dos domínios continua sendo a melhor forma de compreender a relação dinâmica entre os diversos elementos naturais.

Domínio amazônico

Tradicionalmente, acreditava-se que a região amazônica fosse uma extensa planície, em que predominavam as terras baixas. Hoje se sabe, porém, que a planície corresponde a apenas 5% do que se supunha, pois as terras baixas também formam planaltos e extensas depressões.

Os numerosos rios do domínio amazônico atuam como importantes agentes de sedimentação e principalmente de erosão. O elemento marcante desse domínio, contudo, é a floresta Amazônica, que apresenta grande variedade de espécies, entre as quais predominam os vegetais de folhas largas, denominados latifoliados. A relação entre a floresta e a rede hidrográfica, sob a influência dos ventos alísios na zona de convergência intertropical, explica a umidade excessiva do domínio amazônico, típica do clima equatorial.

Os solos são pouco espessos e ácidos, e sua riqueza está na própria cobertura vegetal, que dá origem ao material orgânico decomposto. Por isso, o desmatamento constitui a principal ameaça ao equilíbrio natural da região.

Domínio do cerrado

Abrange a maior parte da porção central do país e é próprio de climas tropicais alternadamente úmidos e secos. A vegetação herbácea e arbustiva e as árvores pequenas de troncos e galhos retorcidos adaptam-se bem ao período de estiagem; nos locais mais úmidos, desenvolve-se o chamado cerradão, com árvores de grande porte; nas margens dos rios é comum a vegetação denominada mata-galeria.

O solo do cerrado é pobre e requer técnicas de correção da acidez (calagem) para o desenvolvimento da agricultura. Foi graças a essas técnicas que o cultivo de soja pôde avançar nos últimos anos por todo o Centro-Oeste. Segundo alguns estudiosos, é o solo, e não o tipo climático, o responsável pelas características da vegetação do cerrado.

Originalmente acreditava-se que nessa área predominassem os planaltos, com a presença de chapadas e chapadões. Na década de 1990, porém, descobriu-se que esse domínio apresenta uma grande diversidade geomorfológica. Além de planaltos residuais, há depressões, como a Sul-Amazônica e a do Araguaia-Tocantins, e os rios Araguaia e Tocantins formam uma extensa área de planície.

A rede hidrográfica é de baixa densidade, e os rios de maior destaque são afluentes das bacias hidrográficas: amazônica e platina.

Domínio da caatinga

A presença de depressões na região já havia sido detectada desde os primeiros estudos desse domínio, mas desconhecia-se sua real extensão: a depressão sertaneja e a do São Francisco cobrem praticamente todo o semiárido nordestino.

O relevo apresenta várias formações com modelado abrupto, uma vez que o calor é o agente intempérico mais atuante, resultado do clima quente e seco.
A caatinga é a formação vegetal predominante, adaptada ao clima seco e solos pouco profundos. Para reter a umidade durante os longos períodos de estiagem, essa vegetação arbustiva perde as folhas e adquire cor branco-acinzentada, o que explica sua denominação, de origem indígena (“caa” – mata; “tinga” – branca). É comum as plantas possuírem raízes profundas e longas à procura da água de infiltração.

A rede hidrográfica é formada principalmente por rios temporários, pois as chuvas são irregulares e os solos quase sempre não permitem a formação de grandes lençóis freáticos.

Domínio dos mares de morros

Disposto sobre as encostas de planaltos. Em consequência da intensa devastação, a vegetação não constitui o principal aspecto desse domínio. A presença da floresta tropical úmida, mata de encosta ou mata atlântica, restringe-se hoje a pequenas áreas. Intercalados às formações florestais aparecem os campos de altitude.

A expressão mares de morros deve-se à forma de desgaste das rochas cristalinas. A ação das chuvas e a umidade típica do clima tropical litorâneo fazem da água o principal agente modelador, de modo que o relevo adquire formas arredondadas.

As principais características geomorfológicas da região são a planície litorânea e as serras elevadas, como a serra do Mar, a da Mantiqueira e a do Espinhaço. A origem dessas formas de relevo escarpadas está associada a falhas causadas por intensos movimentos tectônicos ocorridos em eras geológicas passadas.

As serras determinam o traçado da rede hidrográfica: rios de médio e pequeno porte desembocam diretamente no mar, e rios mais expressivos, como o rio Grande, o Tietê e o Paranapanema, correm em direção ao Paraná, contribuindo para a configuração da bacia Platina.

Domínio das araucárias

Caracterizado pelas folhas pontiagudas, em forma de agulhas, o domínio das araucárias, ou das florestas aciculifoliadas, tem sido devastado para dar lugar ao extrativismo e à agropecuária em todos os estados do sul do país.

As araucárias também são denominadas pinheiros-do-paraná. Abrange planaltos e chapadas dispostos sobre os terrenos de rochas areníticas (sedimentares) e basálticas (magmáticas) e formas de relevo escarpadas surgidas no contato com a depressão da borda leste do Paraná, as chamadas frentes de cuestas. As araucárias estão normalmente associadas a elevações e encostas.

A maior parte dos solos da região é de grande fertilidade, como o solo de terra roxa, originado da decomposição do basalto, no caso dos planaltos e chapadas da bacia do Paraná, associadas à vegetação das araucárias, são encontradas imbuia e erva-mate.

As chuvas distribuídas ao longo de todo o ano abastecem os rios, afluentes do Paraná e Uruguai.

Domínio das pradarias brasileiras

Corresponde ao extremo sul do país, na região da Campanha Gaúcha, caracterizada também pela influência do clima subtropical. As coxilhas, pequenas colinas arredondadas, típicas da depressão sul-rio-grandense, são recobertas por uma vegetação herbácea, com predomínio de gramíneas. As árvores são esparsas, e nas margens dos rios desenvolvem-se as matas-galerias.

A riqueza do solo, conhecido como solo de brunizens, formado a partir da decomposição de rochas ígneas e sedimentares, possibilita a prática agrícola, mas a principal atividade econômica da região é a pecuária mais ou menos extensiva.

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