Origem do nome – Antártida vem da palavra grega árktos (ursa), usada pelos astrônomos da Antiguidade para designar as constelações da Ursa Maior e Menor, pontos de orientação para os navegantes. Os romanos passam a utilizar o termo árcticos como sinônimo de norte ou setentrional. No século II d.C., surge o termo antárcticus como sinônimo de meridional.

Limites
Oceano Antártico, constituído dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico. Fica a 990 km da América do Sul e a dois mil km da Nova Zelândia.

Área da Antártida
13,34 milhões km². No inverno, com o congelamento do oceano, chega aos 19 milhões de km².

Altitude – 2800 metros, chegando alcançar a 4900 metros.

Divisão da Antártida

26 países possuem base de pesquisa científica no continente, entre eles o Brasil, com a Estação Comandante Ferraz, nas Ilhas Shetland do Sul.

O Tratado da Antártida (1959) determina o uso exclusivo da região para fins pacíficos. São proibidas atividades militares, testes nucleares e depósito de lixo radiativo. A Conferência de Madri (1991) proíbe a exploração de recursos minerais por 50 anos e cria comitê para proteção do meio ambiente.

Temperatura na Antártida

As temperaturas são sempre baixas. No verão, variam de 0º C nas áreas litorâneas a -35º C no interior; no inverno, vão de -20º C no litoral a -70º C no interior. Com ventos às vezes chegando a 300 km/h, o frio ainda é suportável, pela Antártida possuir um ar muito seco, mesmo assim, não existe desgelo nem mesmo no verão.

Características Físicas da Antártida

É formado por uma enorme calota de gelo com uma espessura de até 4.000 m e um volume estimado em 30 milhões de km³, equivalente a 30% das reservas de água doce do planeta. Abriga o pólo geográfico Sul do planeta, a 90º de latitude S, e o pólo magnético, cuja localização não é fixa. Apenas a península Antártida, com 1.000 km de extensão, não está sempre coberta por gelo. O relevo é marcado pela cordilheira Transantártica, prolongamento geológico dos Andes. Ela divide o continente em Antártida Oriental, com planícies, colinas baixas e a geleira Lambert, a maior do mundo, e Antártida Ocidental, com arquipélagos ligados pela cobertura de gelo permanente. As banquisas formadas por água do mar congelado se confunde com o contorno do continente.

Minerais na Antártida
Os minerais cobre, manganês, urânio, carvão, platina, titânio, ouro, prata e petróleo, dão origem ao Tratado da Antártida, que impõe regras para a exploração com limites para as pesquisas científicas.

Cuidados Ambientais

Com referência à proteção do meio ambiente antártico, os ecossistemas terrestres caracterizam-se pela descontinuidade, condições ambientais inóspitas, baixa diversidade específica e taxas de crescimento muito lentas. Se não forem protegidos, tais ecossistemas poderão sofrer impactos ambientais irreversíveis.

Já os ecossistemas marítimos, ao contrário dos terrestres, são contínuos, pelos seus 36 milhões de quilômetros quadrados de extensão, possuindo maior capacidade de absorver impactos. Suas condições ambientais são menos extremas e sua diversidade é bastante superior, o que não permite, entretanto, sua exploração indiscriminada.

O Tratado Antártico, que evidencia a necessidade de metodologias conservacionistas, elaborou, em 1964, as “Medidas de Conservação da Flora e da Fauna Antártica“, aplicáveis a todo território e a áreas ao sul do paralelo 60ºS. Propuseram-se códigos de conduta para visitantes, procedimentos para tratamento do lixo e avaliação e controle do impacto ambiental causado pelo homem na Região Antártida.

Quanto ao tratamento de lixo, não é permitido o lançamento ao solo de quaisquer materiais estranhos ao ambiente antártico. O lixo deverá ser separado de acordo com a sua natureza e colocado em depósitos apropriados. O lixo orgânico, papéis e pedaços de madeira deverão ser incinerados em condições atmosféricas favoráveis, de modo a não interferir nas pesquisas que estão sendo realizadas em locais próximos. As cinzas restantes e os demais tipos de lixo são retirados da Antártica pelo NApOc Ary Rongel. As latas e metais dóceis são compactados e embalados em caixas plásticas resistentes; vidros e garrafas são moídos e também colocados em caixas plásticas apropriadas.

Existem normas específicas que regulam os procedimentos a serem cumpridos, relacionadas ao sistema de esgoto sanitário e águas servidas, em termos de uso e limpeza, com vistas à sua manutenção e ao bom estado de funcionamento.

A ANTÁRTIDA

A partir da Operação Antártida XIII, foi implementado um Grupo de Avaliação Ambiental, que possibilitará o cumprimento dos parâmetros previstos no “Protocolo do Tratado Antártico sobre a Proteção do Meio Ambiente”, conhecido como “Protocolo de Madri”, um documento elaborado pelas Partes Consultivas do Tratado Antártico, para regulamentar e controlar as atividades humanas na Antártida. O Grupo de Avaliação Ambiental acompanhará e avaliará as atividades antárticas que deverão ser planejadas e realizadas de modo a evitar ou minimizar os efeitos prejudiciais sobre as características climáticas e meteorológicas; os efeitos prejudiciais significativos na qualidade da água e do ar; as mudanças significativas no meio ambiente atmosférico, terrestre (incluindo o aquático), glacial e marinho; as mudanças prejudiciais na distribuição, quantidade ou produtividade das espécies ou populações de espécies da fauna e da flora; os perigos adicionais para as espécies ameaçadas ou em perigo de extinção e a degradação ou o risco substancial de degradação de áreas de importância biológica, científica, histórica, estética ou de vida silvestre.

Prioridade será dada à preservação do ecossistema e à pesquisa científica, incluindo as pesquisas essenciais para a compreensão do meio ambiente global.

Transportes na Antártida

Com o objetivo de dar início aos trabalhos de instalação da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) e de possibilitar a admissão do Brasil ao Conselho Consultivo do Tratado Antártico, o Brasil adquiriu o Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) Barão de Teffé, H-42, navio polar, com antigo nome de “Thala Dan”.

O Barão de Teffé participou de doze Operações Antárticas e serviu para fornecer apoio logístico a EACF e aos seus refúgios localizados nas ilhas Rei George, Elefante e Nelson e para realizar o transporte de pessoal. Ainda fazia a manutenção de suprimento de óleo, gêneros alimentícios, equipamentos de pesquisa, bem como de materiais de construção de módulos para as ampliações e adaptações feitas na Estação.

Para as tarefas na área de oceanografia, foi utilizado também o Navio Oceanográfico (NOc) Prof. W. Besnard, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). Foi construído na Noruega, em 1967, e batizado em homenagem ao professor Wladimir Besnard, cientista de origem russa e fundador do Instituto Oceanográfico da USP. Foi empregado nas seis primeiras Operações Antárticas, deixando de participar da Operação Antártica VII, com início no verão de 1988/1989.

A partir da Operação Antártica XIII, iniciada em 3 de novembro de 1994, o Brasil começou a utilizar um novo navio, o NapOc Ary Rongel, H-44, que substituiu, com vantagem, o antigo e heróico Barão de Teffé, já que é mais seguro, mais veloz, consome menos combustível e tem maior capacidade de manobra. Com isto, o Ary Rongel pode fazer expedições científicas mais baratas, chegar aos lugares determinados em menos tempo e, em conseqüência, desenvolver maior número de projetos de pesquisa.

O NApOc Ary Rongel possui autonomia de 110 dias; velocidade máxima de 15 nós (26,7 quilômetros por hora), quase o dobro da alcançada pelo Barão de Teffé; 68,2 metros de comprimento; 13 metros de largura; 6,2 metros de calado; dois motores de 2200 Hp cada; disponibilidade de carga de 2.360 metros cúbicos; e deslocamento máximo de 3.670 toneladas.

Construído na Noruega, em 1981, com o nome original de “Polar Queen”, e destinado a operar em campos de gelo fragmentado, já fez expedições ao Ártico, Mar do Norte e Antártica. Possui um casco reforçado de aço com 2 centímetros de espessura, o dobro do convencional.

O nome do novo navio é uma homenagem ao Almirante Ary dos Santos Rongel, que foi diretor da Escola Naval e comandante de um navio hidrográfico e de um contratorpedeiro durante a Segunda Guerra Mundial.

Assim como o veterano Barão de Teffé transporta dois helicópteros biturbinados do tipo Esquilo. É dotado de três destiladores de água do mar, duas baleeiras (escaleres) com capacidade de 44 pessoas cada, uma lancha e cinco balsas infláveis, equipadas com motores de popa.

Em sua primeira viagem à Antártida sob a bandeira brasileira, o Ary Rongel levou 27 pesquisadores, 69 tripulantes e cerca de 300 toneladas de equipamentos e material destinado às pesquisas no próprio navio e na EACF.

18 Anos de Estudo na Antártida
Em Punta Arenas, 1882, Albert Einstein era apenas uma criança, Dom Pedro II não temia perder o trono e muitos duvidavam da existência de um continente oposto ao pólo norte.

Nessa época surje o astronômo Luís Cruls, que organizou uma expedição para o extremo sul da América do Sul, com o objetivo de observar a passagem do planeta Vênus pelo disco do Sol.

Hoje, Punta Arenas uma cidade turística da província chilena de Magalhães, acostumou-se não só a receber turistas como ponto final, mas sim como um corredor turístico para um objetivo mais distante.

Apesar do pouco incentivo dos orgãos que financiam as pesquisas, o Brasil consegue surpreender: Nos meses de dezenbro a março dezenas de pesquisadores costumam invadir a cidade mais austral do planeta, em sua última escala rumo ao Arquipélago das Shetlands do Sul, já na Antártida.

Fonte: www.antartida.kit.net