Cai no ENEM: Era Vargas

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Antecedentes da Era Vargas

 

Getúlio Dorneles Vargas, nascido em São Borja, Rio Grande do Sul, foi o líder da revolução civil que marca o fim do período chamado de República Velha. Foi deputado estadual duas vezes em seu estado, deputado federal,  governador do Rio Grande do Sul e ministro da fazenda, durante a presidência de Washington Luís.

 

Em 1929,  vigorava a chamada “política do café-com-leite”, ou seja, caso o presidente do país fosse paulista, deveria indicar um líder político de Minas Gerais para substitui-lo. Porém, contrariando as expectativas, o presidente Washington Luís, um fluminense que vivia em São Paulo, indicou Júlio Prestes, outro paulista.  Nesse período, o presidente em vigor indicava um candidato e o voto era indireto, geralmente o candidato indicado pelo presidente era o ganhador das eleições.

 

O candidato de oposição era Getúlio Vargas, seu vice era João Pessoa e essa chapa foi apoiada pelos políticos mineiros. Júlio Prestes acabou ganhando a eleição. Depois de trocas de acusações de fraude eleitoral,  conspirações revolucionárias, tensões e rebeliões pelo país, o vice de Getúlio, o governador da Paraíba, João Pessoa, foi assassinado pelo marido de sua amante. Mesmo sendo um crime passional, a população culpou o presidente em exercício, Washington Luís, o que alimentou ainda mais as conspirações até deflagrar em 3 de outubro de 1930 a revolução.  Essa revolução depôs o presidente e entregou o poder a Vargas, um dos líderes.

O Governo Provisório

 

Essa primeira fase do governo de Vargas, chamada de Governo Provisório, começou em 1930 e durou até 1934. Durante esse período, Getúlio dissolveu o congresso, suspendeu os direitos constitucionais, passando a governar por decretos, e deu plenos poderes ao presidente da república. Por outro lado, nessa época o presidente anistiou todos os participantes de levantes e rebeliões no país, criou o Ministério da Educação e Saúde, criou os Correios, o horário de verão, regulamentou o estudo superior público e federal, criou a Justiça Eleitoral, entre outras coisas.

 

Em 1932,  um levante aconteceu em São Paulo, exigindo do governo federal uma constituição  para o país. Esse movimento ficou conhecido como a Revolução Constitucionalista.  Essa revolução marca o início da redemocratização. Ao fim dela,  Getúlio convoca eleições para uma assembleia constituinte, liberando o voto feminino e também usando, pela primeira vez em uma eleição nacional, o voto secreto.

 

Em 16 de julho de 1934, uma nova constituição foi promulgada. No dia seguinte, uma eleição indireta foi realizada para eleição do presidente da república. Getúlio foi eleito para governar o país, de forma legítima, de 1934 a 1938.

O Governo Constitucional

 

A partir de 1934, começa a segunda fase do governo de Vargas, o Governo Constitucional.  Durante esse período, a lei da Segurança Nacional foi promulgada para controlar a subversão a ordem pública, definindo crimes políticos e sociais, criou a “Hora do Brasil”, programa de rádio que existe até os dias de hoje. Esse período do governo Vargas também ficou marcado pela Intentona Comunista, movimento liderado por Luís Carlos Prestes que pretendia derrubar o governo e instaurar o Comunismo no País. O movimento acabou sendo abafado pelas forças militares do governo.  Esse movimento deu a Getúlio o apoio dos militares, o que possibilitou um golpe em 1937 para que o presidente não deixasse o cargo ao fim de seu mandato.

O Estado Novo

 

O golpe de estado dá início a próxima fase da Era Vargas, o Estado Novo, que durou de 1937 a 1945. Como ditador, Getúlio novamente fecha o congresso e promulga uma nova constituição, dando ao presidente plenos poderes sobre o executivo, inclusive de nomear governadores para os estados. Essa constituição também permitia que o Estado suprimisse toda ação que julgasse de caráter comunista de forma radical e permanente, quando se viu uma repressão rigorosa e violenta, amparada pela lei de Segurança Nacional.

 

Essa movimentação também fez surgir uma grande movimentação contra o presidente, gerando críticas em vários jornais. Mesmo assim, alguns escritores e historiadores afirmam que foi durante esse período que Getúlio alcançou os mais altos índices de popularidade do seu governo.

 

Durante esse período, Getúlio também fez a Companhia Siderúrgica Nacional, o Conselho Nacional do Petróleo, a lei da Sociedade Anônima, a primeira lei de entorpecentes, a estrada Rio-Bahia, etc.

 

Durante a Segunda Guerra Mundial, o presidente tentou manter a neutralidade do país, sem declarar apoio a nenhum dos lados.  Após a entrada dos EUA na guerra, a pressão sobre o país aumentou e o Brasil assumiu uma postura de aliada a aliança entre EUA, França e Inglaterra. Mesmo assim, Getúlio enviou a mulher de Luis Carlos Prestes, líder da Intentonta Comunista, para as Alemanha Nazista. Olga Benário era judia e estava grávida do comunista brasileiro.

 

A pressão externa e da população brasileira aumentava para que o país se redemocratizasse e Getúlio deixasse o poder, apesar de existir também uma vertente da população que apoiava que Getúlio ficasse no governo até uma nova constituição ser promulgada e assim uma nova eleição para presidente promulgada, esse movimento ficou conhecido como Queremismo.

 

Em 1945, em um outro golpe de estado, Getúlio foi tirado do poder e o então presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, assumiu o poder.

A eleição de 1951 e o suicídio de Vargas

 

Em 1946, o Coronel Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente da república e em 1951, Getúlio foi eleito novamente como presidente, dessa vez de forma legal.

 

Esse governo foi muito tumultuado por inúmeras acusações de corrupções, a mídia do país criticando o presidente insistentemente, principalmente seu desafeto, Carlos Lacerda. Nesse período , Getúlio também criou a Petrobras e tentou criar a Eletrobras.

 

Em 5 de agosto de 1954, Carlos Lacerda sofreu um atentado quando chegava em casa no Rio de Janeiro. O segurança pessoal de Lacerda morreu e ele foi atingido no pé por uma bala de revólver. O atentado foi ordenado por Gregório Fortunato, chefe da segurança pessoal de Getúlio Vargas.  Graças ao atentado, Getúlio foi pressionado para renunciar ou, pelo menos, licenciar-se do cargo.

 

Em 24 de agosto de 1954, Getúlio, massacrado pelas críticas da oposição, suicida-se com um tiro no peito em seus aposentos no Palácio do Cadete, residência oficial presidente da  república na época, deixando uma carta-testamento com a emblemática frase “saio da vida para entrar na história.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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