As células imaturas que se multiplicando são capazes de dar origem a tecidos diferenciados são chamadas células-mãe ou células-tronco.

Elas podem ser:

embrionárias: são capazes de se multiplicar de forma rápida, dando origem a todas as variedades de tecidos diferenciados.

adultas: as células maduras, sendo as mais conhecidas as encontradas na medula óssea, multiplicam-se mais lentamente e sua capacidade de geração de variedades de tecidos diferenciados é limitada.
A fecundação do óvulo pelo espermatozóide dá início a uma seqüência de reproduções celulares que vêm formar um grupo de células cujas características são muito peculiares. Elas, ao se multiplicarem, originam células idênticas a elas próprias e, a partir de um determinado momento, são capazes de dar origem a qualquer tipo de tecido do organismo, vindo finalmente a originar os diferentes órgãos.

Daí o nome células-tronco embrionárias. Vale ressaltar que as duas propriedades citadas (reprodução de mesmas células e de células diferenciadas) constituem o núcleo de interesse das pesquisas sobre as células tronco embrionárias. Estas células poderão ser a chave do tratamento, em qualquer variedade de tecido, de substituição de células lesadas por outras células da mesma diferenciação, mas com plena vitalidade. De forma diferente, das células – tronco, as células já diferenciadas se reproduzem com as suas próprias espeficidades, assim as células da mucosa oral ao se reproduzirem dão origem a células da mucosa oral exclusivamente.

Quanto à capacidade de originar diferentes espécies de tecidos, as células tronco podem ser qualificadas como:

Totipotentes

As células-tronco embrionárias que podem formar todos os tecidos incluindo a placenta são denominadas embrionárias – totipotentes. Elas constituem o primeiro grupo de até 32 células, e se formam nas primeiras 72 horas após a fecundação do óvulo. Neste momento, não é possível identificar neste grupo celular qualquer diferenciação de tecido específico. A formação da placenta e de seus anexos somente ocorre quando estas células totipotentes são implantadas no útero.

Multipotentes

As células embrionárias, a partir do quinto ou sexto dia após a fecundação, quando constituem um grupo de 64 células, são capazes de formar qualquer espécie de tecido exceto placenta, e são denominadas células multipotentes.

Unipotentes

Em órgãos já formados, por exemplo o sistema nervoso, são encontradas células-tronco tipo adulto que dão origem a um único tipo de tecido, a função provável destas células é a reparação de tecidos determinados, já na medula óssea a função das células tronco tipo adulto é manter o nível de elementos figurados do sangue que necessitam constante substituição.

Oligopotentes

As células-tronco adultas que podem originar mais de um tipo de tecido são chamadas oligopotentes, e encontram-se, por exemplo, no tecido intestinal.

O que ordena que a célula embrionária se transforme em cada tipo de tecido?

Existem estudos que identificam fatores de diferenciação que, quando colocados em culturas de células-tronco determinam que elas se diferenciem em um certo tecido.

Uma outra possibilidade que está sendo investigada é: células-tronco, em contato com um tecido diferenciado, transformar-se-iam naquele tecido diferenciado? Por exemplo: células-tronco adultas obtidas de cordão umbilical ou medula óssea, quando colocadas em contato com determinado tecido conseguem se diferenciar em células deste mesmo tecido? A resposta a esta especulação é fundamental para o desenvolvimento da terapia celular. Células-tronco embrionárias multipotentes, com toda a certeza, podem fazê-lo.

Das células-tronco adultas espera-se que possam reproduzir um tecido específico ao se reproduzirem em contato com ele. A injeção no miocárdio de células tronco da medula óssea produzirá a formação de novos vasos para irrigar o músculo cardíaco, ou originará nova musculatura cardíaca para substituir as células lesadas, ou fará as duas alternativas?

Terapia Celular

Como exemplo de um método de terapia celular eficiente, de rotina bem estabelecida, temos o transplante de medula óssea para tratamento da leucemia. Neste procedimento, a medula óssea do doador provê células-tronco unipotentes que vão fabricar novas células sangüíneas sadias.

O que se pode esperar?

Espera-se que células lesadas, ou com função pouco eficiente, das mais variadas categorias, possam ser substituídas em qualquer de nossos órgãos por células jovens induzidas a desempenhar as tarefas das células originais. O alcance desta nova possibilidade terapêutica parece atingir objetivos sem precedentes. As pesquisas ainda são iniciais. Há necessidade de comprovação de vários conhecimentos e técnicas ainda iniciais. O caminho é promissor e certamente longo.

Fonte: www.abcdasaude.com.br