Entenda como é calculada a nota do Enem

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Ter um bom desempenho no Enem é o objetivo de praticamente 100% dos estudantes que prestam o Exame todos os anos.

Conforme vai se aproximando a data de divulgação dos resultados, a ansiedade dos participantes aumenta e não é incomum ver gente correndo atrás do gabarito, tentando, em vão, fazer um exercício de adivinhação da nota contando número de acertos.

Boa parte dessa angústia se deve ao grande mistério que é a nota do Enem. Mesmo quem fez bonito no gabarito não consegue adiantar se a nota vai ser boa, mediana, ou se vai frustrar completamente as expectativas.

Por que isso acontece? Qual o segredo por trás da nota do Enem? Como ela é calculada? Por que não basta apenas somar as questões corretas e pronto?

Veja as respostas para essas e outras dúvidas a seguir!

 

Por que a nota do Enem é tão importante?

Todos os programas do Governo Federal que oferecem vagas em universidades públicas e privadas utilizam a nota do Enem como forma de classificar os candidatos.

A cada semestre, três grandes processos seletivos são abertos: o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES). Todos, sem exceção, beneficiam alunos com as notas mais altas no Exame.

Por isso, quem quer entrar na universidade pública, ganhar bolsa de estudo em faculdade privada ou financiar os estudos a juros baixos precisa reforçar os estudos para se sair bem nessa prova.

A nota ainda serve para entrar numa faculdade particular sem precisar prestar vestibular e para ganhar pontos adicionais nos processos seletivos de universidades públicas que ainda não aderiram ao Sisu.

 

Como é calculada a nota do Enem?

O que torna a nota do Enem um mistério é uma metodologia chamada “Teoria de Resposta ao Item (TRI)”.

A TRI é um sistema matemático adotado no mundo todo. É ideal para corrigir grandes volumes de provas e medir com máxima precisão o grau de conhecimento do candidato a respeito do tema apresentado nos testes.

No Enem, funciona mais ou menos da seguinte forma:

Cada uma das 180 questões das provas objetivas (Linguagens e Códigos, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza) tem um grau de dificuldade e um peso. Pela lógica, as questões mais fáceis valeriam menos pontos e as difíceis, mais.

Só que, no final, é um pouco mais complexo que isso.

Além de analisar o grau de dificuldade e o peso das questões, a TRI também leva em conta a coerência do candidato que está fazendo as provas. É aqui que o sistema avalia o conhecimento do aluno sobre o tema.

Pelo sistema de coerência, existem simplificadamente três tipos de candidatos: o que sabe pouco, o que tem bons conhecimentos e o que sabe muito.

O que sabe pouco tem mais chances de acertar as questões mais fáceis. O que tem um bom conhecimento vai acertar as fáceis, as médias e algumas difíceis. O que tem muito conhecimento e domina aquela matéria vai acertar as fáceis, as médias e várias difíceis.

Parece bastante lógico, não é? Mas calma que ainda não acabou!

Os candidatos que têm um comportamento coerente e atendem à lógica da TRI conseguem obter pontuação boa ou excelente no Enem, mesmo que não tenham acertado tantas questões difíceis (que valeriam mais, teoricamente).

Só que acertar as difíceis não é a única forma de melhorar a pontuação. A TRI consegue identificar os chutes usando essa base de coerência. Um candidato que acerta muitas questões fáceis, poucas médias e várias difíceis provavelmente está chutando – porque, pela lógica, ele deveria acertar mais questões médias também.

Quando isso acontece, a pontuação acaba sendo menor. Isso porque o sistema entende que o candidato não tem conhecimento satisfatório naquela área. Aí todo o cálculo muda novamente e as notas atribuídas a cada questão são alteradas de acordo com a coerência de quem fez a prova.

Por isso é tão difícil estimar uma nota com base apenas no gabarito. E ainda tem a redação!

 

Como é calculada a nota da redação do Enem?

A redação do Enem não entra no sistema da Teoria de Resposta ao Item. Pelo contrário, é corrigida uma a uma, manualmente, por dois avaliadores diferentes – e às vezes três ou mais.

É justamente a correção da redação que faz com que o resultado do Enem demore a sair (do último dia de provas até a divulgação das notas, os participantes precisam esperar dois meses, em média).

Funciona da seguinte forma:

O seu texto vai chegar anonimamente às mãos de um avaliador. Ele vai ler sua redação e atribuir uma nota de até 200 pontos a cada um destes cinco itens:

  1. Domínio do tema proposto
  2. Domínio da norma culta da Língua Portuguesa
  3. Organização lógica das ideias
  4. Coerência do texto
  5. Proposta de intervenção social

Com isso, a somatória pode chegar a 1.000 pontos.

Na primeira avaliação, a pontuação de cada item é somada, chegando a uma nota prévia. A segunda avaliação repete o mesmo processo. Depois, as duas notas são somadas e divididas por dois para chegar à média.

Caso aconteça uma disparidade muito grande entre as duas avaliações – por exemplo, se um avaliador deu 200 para o item 3 e o outro deu zero – a redação segue para análise de um terceiro avaliador.

É importante lembrar que os avaliadores não sabem de quem é a redação que estão corrigindo e também não têm acesso às notas atribuídas pelo colega. As redações e as respectivas correções ficam armazenadas em um sistema, que faz as médias e a distribuição entre os avaliadores.

 

Como é o cálculo final da nota do Enem?

A nota final do Enem é calculada somando todos os pontos das quatro provas objetivas, mais a redação.

Ou seja: nota de Linguagens e Códigos + Ciências da Natureza + Matemática + Ciências Humanas + nota da Redação.

Depois do somatório, elas são divididas por cinco (o número total de provas) para determinar sua pontuação geral no Enem. Agora é só correr para um dos processos seletivos e conquistar sua vaga na universidade!

Confira a nota que você precisa ter no Enem para se inscrever nos principais programas do Governo Federal de acesso ao ensino superior:

  • Sisu: nota maior do que zero na redação.
  • ProUni: pelo menos 450 pontos na média geral das provas e nota maior do que zero na redação.
  • FIES: pelo menos 450 pontos na média geral das provas e nota maior do que zero na redação.

O Sisu não tem critérios de renda para participar. Já para se inscrever no ProUni, o candidato precisa comprovar renda familiar bruta mensal de no máximo três salários mínimos por pessoa. Para pedir o FIES, a renda familiar bruta mensal não pode ultrapassar 2,5 salários mínimos por pessoa.

 

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Descubra como usar a nota do Enem para entrar na faculdade

 

Entendeu a lógica por trás do cálculo da nota do Enem? Se ainda tem dúvidas, compartilhe conosco nos comentários!

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