Como funcionam as segundas opções nos vestibulares

Dicas do Vestibular — Escrito por

A questão das opções oferecidas pelos vestibulares costuma gerar dúvidas. Há dois sistemas. Num deles, milhares de candidatos são chamados nas segundas opções. No outro, segunda opção só quando sobram vagas – isto é, quase nunca.

O Prof. Carlos Eduardo Bindi, diretor do Etapa e analista de Tendências do Vestibular, explica como funcionam o sistemas de opções nos vestibulares.

Como se distinguem os modelos de opções oferecidas aos candidatos às vagas do ensino superior? 
Para maior clareza, vamos denominar um deles de modelo N, da “prioridade das notas por grupo”, adotado por Fuvest e ITA; o outro, vamos denominar modelo O, da “prioridade por opção nos cursos”, que é utilizado pela maioria dos vestibulares. Na Unicamp há 25 grupos, dos quais 15 só têm uma opção.

Há 10 grupos com mais de uma opção, sendo que 4 deles, Medicina, Enfermagem, Engenharia Química e Engenharia Elétrica, seguem o modelo N, e outros 6 seguem o modelo O.

Quais as características de cada modelo e as conseqüências de seu uso?
Vamos examinar primeiro o modelo N, através do exemplo da Fuvest, que reúne cursos da USP, Faculdade de Medicina da Santa Casa (a única particular) e Academia da Polícia Militar de São Paulo. Para a inscrição no vestibular, esses cursos formam grupos de opções denominados “carreiras”.

A denominação “carreiras” é algo inadequada e por isso vamos usar simplesmente “grupos de opções”. São 75 grupos de opções, reunindo 118 cursos. Os candidatos podem fazer opções apenas dentro de um dos grupos. Há grupos com apenas um curso, portanto, sem possibilidade de opção.

É o caso, por exemplo, de Arquitetura FAU e Medicina Veterinária. Outros grupos oferecem dois cursos, como ocorre com o grupo 234: Direito (curso 40, Matutino, e curso 42, Noturno) e com o grupo 202: Administração SP (curso 22: Diurno e curso 23: Noturno). Medicina, grupo 440, oferece três cursos, sendo dois da USP e um da Santa Casa

Quantas opções o candidato pode fazer?
Desde 1997, o candidato da Fuvest tem permissão para indicar um máximo de quatro opções de cursos. Isso significa que, além da escolha principal, podem ser assinaladas, no máximo, mais três opções retiradas exclusivamente dentre as oferecidas no grupo que escolheu.

Claro que se o grupo escolhido oferecer apenas uma opção, o candidato não poderá assinalar outras escolhas. Há 40 grupos com opção única (ex.: Arquitetura).

Como são preenchidas as vagas, nesse modelo de opções?
A Fuvest preenche as vagas de cada curso conforme a classificação do candidato dentro do grupo de opções. A ordem de chamada não destaca em primeiro lugar o preenchimento da primeira opção. O que a Fuvest faz é dar prioridade aos melhores de cada grupo.

Para um candidato com uma dada classificação no grupo, a Fuvest verifica se pode atender sua primeira opção; não sendo possível, procura atender a segunda opção, e assim por diante, de modo a aprová-lo em uma das opções – desde que na sua classificação ainda haja vagas.

Só depois o sistema passa ao candidato seguinte no grupo. Assim, nenhum candidato terá preferência no preenchimento das vagas de um curso só por ter colocado esse curso como primeira opção. A preferência é sempre para as maiores notas na classificação final do grupo todo – a soma dos pontos da 1a e da 2a fase.

A conseqüência é que NÃO adianta modificar a ordem das opções para “tirar vantagem” de diferenças de procura. Na verdade, só a melhor nota dará vantagem neste sistema.

Como funciona o modelo O de opções, adotado por 6 grupos de cursos da Unicamp e por outras escolas?
Pelo modelo O, o preenchimento das vagas de cada curso dá preferência ao candidato que colocou o curso em 1ª opção, mesmo quando ele tem média inferior a outro que indicou o mesmo curso como 2ª opção.

Qual o número máximo de opções na Unicamp?
O limite é de três opções, e há somente 3 grupos em que se pode atingir esse máximo: o grupo 141: Ciências Exatas e Tecnológicas; o grupo 151: Ciências Humanas e o grupo 145: Tecnologias. Outros 7 grupos oferecem 2 opções.

Como são os grupos do tipo N na Unicamp?
No vestibular Unicamp há 4 grupos que seguem o modelo N, exatamente como na Fuvest. São eles: Engenharia Elétrica e Engenharia Química, com opções nos cursos Diurno e Noturno; e Medicina e Enfermagem, com opções nos cursos da Unicamp e da Famerp.

Nos demais grupos de opção da Unicamp com possibilidade de segundas escolhas, o preenchimento das vagas segue o modelo O, com prioridade da opção. Pelo modelo O, o preenchimento das vagas de cada curso dá preferência ao candidato que colocou o curso em 1a opção, mesmo quando ele tem média inferior a outro que colocou o mesmo curso como 2a opção.

Então, o candidato não aumenta suas chances conforme a ordem em que faz suas opções na Fuvest?
Não. A escolha dentro de um grupo de opções nesta ou naquela ordem não muda em nada as chances dos candidatos. Vejamos o grupo 440, Medicina, que oferece os cursos da USP/Pinheiros, da USP/Ribeirão Preto, e da Santa Casa.

Imaginemos que 90 candidatos coloquem Santa Casa, que oferece 100 vagas, em 1ª opção, e que os demais dêem prioridade para a USP. Se a Fuvest adotasse o modelo O no preenchimento das vagas de cada curso, como a prioridade estaria com a 1ª opção, a esses 90 candidatos bastaria passar à 2ª fase e já estariam todos aprovados. Maravilha! Mas não é assim.

Não adianta apresentar a Santa Casa em 1ª opção. Na Fuvest, o sistema não garante qualquer preferência a quem colocou 1ª opção sobre outros que fizeram a escolha do curso em 2ª ou mesmo 3ª opção.

Pelo modelo O, o preenchimento das vagas de cada curso dá preferência ao candidato que colocou o curso em 1ª opção, mesmo quando ele tem média inferior a outro que indicou o mesmo curso como 2ª opção. O modelo O praticamente só oferece de fato uma opção, a 1ª.

As outras opções “funcionam” apenas nos casos de cursos que apresentam sobras de vagas (cursos que, como 1ª opção, têm menos candidatos do que vagas). Um dado importante: das 2500 vagas da Unicamp no exame de 2001, nas carreiras em que a prioridade é da opção, apenas 60 vagas foram ocupadas em 2a opção e 15 em 3a opção.

Entende-se, portanto, que a ordem em que são feitas as opções no modelo N não aumenta as chances dos candidatos. E no outro modelo, o que acontece?
A ordem em que são feitas as opções, procurando aumentar as chances de entrar na faculdade, é um sério erro no modelo N, mas funciona no modelo O.

A ordem em que são feitas as opções dentro de um dado grupo em seis dos grupos da Unicamp e nos vestibulares de algumas escolas particulares influi nas chances de aprovação, desde que a concorrência na 1ª opção seja baixa. Assim, colocar Engenharia Agrícola, na Unicamp, em 1ª ou 2ª opção, faz muita diferença. Isso porque só poderá ser chamada a 2ª opção depois de terem sido chamados todos os que colocaram a 1ª opção nesse curso.

Aí, segundas opções só “funcionam” se sobrarem vagas. É por isso que se pode entrar em Engenharia Agrícola da Unicamp com uma nota bem baixa, colocando esse curso em 1ª opção. Poucos fazem essa escolha.

Enquanto isso, um candidato que tenha tido notas mais altas pode simplesmente não entrar na Unicamp, mesmo tendo colocado a mesma Engenharia Agrícola em 2ª opção, se tiver, por exemplo, colocado uma 1ª opção que muitos escolhem, como Engenharia de Computação.

Por que coexistem esses diferentes sistemas de opção por cursos?
A questão do sistema de opções a ser adotado é decidida nas instituições de ensino superior tendo por base as conseqüências que costumam decorrer dos diferentes critérios.

O modelo N acaba por apresentar entre os ingressantes maiores médias do que o sistema de prioridade das primeiras opções. Assim, estaria aí uma forma de gerar melhor nível entre os estudantes do ensino superior.

Por que a maior parte dos vestibulares adota o sistema que prioriza as opções?
Observe-se que um estudante com boas notas que pega a última opção pode na verdade não estar interessado nessa opção, que apenas indicou por estar disponível na inscrição. Um estudante desinteressado no curso para o qual foi chamado será um forte candidato à desistência. A faculdade corre o risco de ter alunos com melhores notas, mas por pouco tempo.

Últimas opções só não são geradoras de futuros desistentes nos cursos muitíssimo disputados, como os de Medicina e as diversas modalidades de Engenharia. Por isso, a preferência da maioria dos vestibulares recai no modelo O. Afinal, nesse modelo o candidato aprovado, na maioria dos casos, fica na sua 1ª opção.

A Fuvest, que adota o modelo N, pode estar então aprovando candidatos certos à evasão?
Não. Sem adotar o modelo O, a USP evita os candidatos à desistência através de outro expediente: o isolamento dos cursos menos procurados em grupos de uma única opção.

Cursos menos procurados, que seriam opções de maior risco de desistência, são separados do grupo de maior preferência. Um exemplo disso é o curso de Física, hoje isolado do grupo Engenharia/Exatas, do qual já fez parte. O candidato que deseja Engenharia não pode incluir Física entre suas opções.

O curso de Física, com concorrência muito menor do que Engenharia, fica com alunos que têm no geral menores médias no vestibular mas, em principio, querem realmente estudar Física. Procura-se evitar assim os chamados engenheiros “frustrados”, que faziam Física apenas por um ano, para tentar depois entrar na Politécnica, curso que realmente desejavam.

Mas nem sempre os prós e contras de um dado modelo podem ser decididos facilmente. A Unicamp é exemplar. Dentro dela não houve unanimidade na escolha do modelo para as opções. Como resultado, curiosamente, a universidade adotou um sistema misto.

Por: Curso Etapa

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