Qual seria a classificação sintática do termo “no Brasil” na frase “A morada no Brasil é boa”? A meu ver, embora o termo indique o local em que se dá a ação, não pode ser considerado como adjunto adverbial, uma vez que a palavra “morada” é um substantivo, nem como complemento nominal, uma vez que a mesma é um nome de significação transitiva. Seria a expressão em questão um adjunto adnominal e, morfologicamente, uma locução adjetiva?
No Brasil, na frase “A morada no Brasil é boa” pode ter três classificações sintáticas, dependendo de como a enquadrarmos:

Adjunto adverbial; neste caso, seria deslocável, como é de praxe: “No Brasil, a morada é boa“, “A morada é boa no Brasil“. Percebo que descartaste esta hipótese porque morada é substantivo; no entanto, os deslocamentos que propus acima demonstram que no Brasil não está ligado a morada. Na tua frase original, inclusive, poderíamos, se quiséssemos, deixar no Brasil entre vírgulas, já que é um daqueles adjuntos adverbiais que expressa uma circunstância aplicável à frase inteira.

Adjunto adnominal: no Brasil seria um modificador de morada, mais ou menos equivalente ao adjetivo brasileira (assimo como “A comida no Japão” = “a comida japonesa).

Complemento nominal: no Brasil seria o complemento adverbial do verbo “morar” que, com a nominalização deste verbo, transforma-se em complemento nominal do substantivo “morada”. O complemento adverbial é uma classificação que ficou fora da N.G.B. (e tanta coisa mais!), exatamente para esses sintagmas que, ao mesmo tempo, exprimem circunstâncias (como fazem os aduntos adverbiais), mas completam verbos de significação transitiva (como fazem os objetos).

É o mesmo caso de “Vivo na roça”, “Vou à faculdade”; a nominalização desses dois verbos produz “a vida na roça” e “minha ida à faculdade”, em que os complementos adverbiais “na roça” e “à faculdade” passam a complementos nominais dos dois substantivos resultantes. Poucos autores trabalham com o complemento adverbial nas gramáticas escolares. Meu grande mestre, Celso Pedro Luft, incluiu-o em sua “Moderna Gramática Brasileira” (Ed. Globo), mas ele mesmo adverte que se trata de uma obra para estudiosos de Letras e para professores. Seguindo sua orientação, a descrição sintática que faço em meu “Curso Básico de Redação” (editado pela Ática) inclui os complementos adverbiais.

Não fiques espantado com a variedade de análises; escolhe a que mais te aprouver. Estudar algo em profundidade, tu sabes muito bem, é escolher, entre as várias hipóteses viáveis, a que nos parece mais sólida. Um detalhezinho final: não uses mais “locução adjetiva“; isso é um conceito velho da N.G.B, que deves deixar no baú.

Por: Professor Moreno