Índia
Com 960,2 milhões de habitantes e grande diversidade de línguas e culturas , a Índia é o segundo país mais populoso do mundo, depois da China. Ocupa a maior parte de uma vasta planície que, isolada do resto da Ásia pela cordilheira do Himalaia, forma um subcontinente. O norte do país abriga picos que ultrapassam 6.000 m de altitude.

A Índia tem solos férteis, rios caudalosos e extensos recursos minerais. Apesar disso, é um país pobre, onde 70% dos habitantes vivem da agricultura de subsistência. Seus principais produtos são algodão, chá, arroz, juta, fumo e trigo. Mais de 80% da população segue a religião hindu, que divide seus seguidores em diferentes castas. Violentos conflitos étnicos e religiosos marcam a história recente do país, costumeiramente abalado por desastres naturais como tufões e ciclones.

Em novembro de 1996 ocorre na Índia um dos piores desastres da história da aviação civil: 351 pessoas morrem no choque entre dois aviões a 100 km do Aeroporto de Nova Délhi. A origem da nação hindu é a civilização que se desenvolve desde 2500 a.C. no vale do rio Indo , onde hoje fica o Paquistão. A região é conquistada em 1500 a.C. pelos arianos, que implantam uma sociedade baseada num sistema de castas. A religião adotada é o hinduísmo. Após a invasão de Alexandre, o Grande, entre 327 a.C. e 325 a.C., forma-se em 274 a.C. o Reino de Asoka, que unifica a Índia sob a égide do budismo. O hinduísmo retoma pouco depois sua posição dominante.

A cultura hindu atinge o apogeu no século IV com a dinastia Gupta. No século VII, o oeste da Índia é invadido pelos árabes, que trazem o islamismo. A nova fé conquista camadas importantes da população, que vêem no Islã – cuja premissa é a igualdade de todos diante de Deus – uma oportunidade de escapar da rigidez social do sistema de castas.

Colonização britânica. Os portugueses foram os primeiros europeus a se instalar na Índia, quando criaram diversas feitorias no Extremo Oriente nos séculos XV e XVI. Em 1498 Vasco da Gama chegou a Calicut e Goa foi ocupada em 1510.

Ao longo dos séculos XVI e XVII chegaram ingleses, holandeses e franceses, que lutaram entre si pelo controle dos lucrativos entrepostos comerciais. O domínio inglês consolidou-se com a vitória de Robert Clive, representante da Companhia Inglesa das Índias Orientais, sobre o príncipe bengali Siraj ud-Daula, em Plassey, em 23 de junho de 1757. Dois anos depois Clive capturou Chinsura, em Bengala, e pôs um ponto final nos interesses holandeses na Índia. Os combates entre franceses e ingleses prolongaram-se até 1761, quando os franceses perderam Pondichéry. O Tratado de Paris de 1763 assegurou a supremacia inglesa na Índia.

O domínio inglês prolongou-se por quase dois séculos, até 1947. As conquistas estenderam-se até 1849, quando Punjab foi subjugado; ficaram fora do controle britânico direto diversos principados autônomos, os “estados nativos”. O predomínio britânico baseou-se na superioridade econômica e na capacidade administrativa dos funcionários civis.

A expansão colonial realizou-se mediante as seguintes guerras: conquista do sul da Índia, no final do século XVIII, para impedir a invasão francesa; imposição da ordem britânica na Índia central com a vitória sobre a confederação marata em 1819; garantia das fronteiras do noroeste com a conquista do Punjab e do país sikh em 1849 e a primeira guerra afegã de 1839 a 1842; consolidação da fronteira leste com a conquista da baixa Birmânia (atual Myanmar) de 1824 e 1852; conquista total da Birmânia em 1886; segunda guerra afegã em 1878; guerra do Tibet em 1904.
Desse período, destaca-se o chamado Grande Motim, rebelião do exército nativo dos cipaios, em Bengala, em 1857, que se transformou em revolta civil, provocou a perda de Delhi e Lucknow e constituiu grave ameaça ao domínio britânico.

Depois de um ano de combates e prática de atrocidades dos dois lados, a insurreição foi vencida e os britânicos retomaram Delhi. O xá Bahadur II, último imperador mogol, que apoiara a revolta, foi exilado e seus filhos executados. Em 1858 a coroa britânica assumiu a responsalidade direta pelo governo da colônia, a rainha Vitória foi proclamada imperatriz da Índia e começou o período dos vice-reinados Movimento nacionalista. A crise econômica iniciada em 1870 golpeu duramente a Índia e provocou fome, epidemias, revoltas camponesas e surtos de nacionalismo.

Em 1885 fundou-se o Partido do Congresso Nacional Indiano e mais tarde começou a mobilização de massas contra a colonização, inspirada no começo do século XX por um homem excepcional, autêntico artífice da independência indiana, Mohandas Karamchand Gandhi, o mahatma ou “magnânimo”.

Apesar da verdadeira sangria econômica provocada pela rapacidade do colonizador britânico, algumas heranças positivas da dominação podem ser apontadas, como a modernidade das estruturas econômicas, a adoção de instituições democráticas, a atitude aberta diante da tecnologia e ciências modernas e uma administração bem estruturada.

Independência. Depois da segunda guerra mundial, o crescente conflito entre nacionalistas muçulmanos e hindus levou à criação de dois estados independentes, Índia e Paquistão, em 15 de agosto de 1947. A partir daí, a Índia alcançou grande progresso industrial, pôs em ordem suas fronteiras (acordo com a França para liquidação de suas feitorias, anexação da Goa portuguesa, ocupação e liquidação dos principados) e anexou a maior parte das regiões de Jammu e Cachemir.

O primeiro presidente da Índia foi Rajendra Prasad; Jawaharlal Nehru, primeiro-ministro da nova república de 1947 a 1964, implantou as bases da política indiana: governou sempre pelo Parlamento, promoveu o desenvolvimento econômico mediante a adoção de planos qüinqüenais e adotou uma política externa neutralista, estabelecendo relações amistosas com todos os países, independente de suas formas de governo.

Em seu caminho para o progresso, a Índia tem enfrentado muitas dificuldades: divisão desigual de riqueza, miséria da maioria do povo, sistema de castas do hinduísmo que dificulta a mobilidade social, crescimento demográfico excessivo, intolerância religiosa entre hindus e muçulmanos e violência separatista dos sikhs no Punjab.

Nas primeiras décadas da independência, a Índia envolveu-se em diversos conflitos bélicos com estados vizinhos. Em 1962, a China ocupou Ladakh, na fronteira de Cachemir, e as tropas indianas tiveram que se retirar. Em 1947 e 1965 Índia e Paquistão lutaram pela posse de Cachemir e Jammu; em 1971, o governo indiano apoiou os muçulmanos separatistas de Bangladesh, o que provocou novos combates com o Paquistão.

Em 1964 Nehru morreu e foi sucedido por Lal Bahadur Shastri, que seguiu suas diretrizes políticas. Depois da sua morte, subiu ao poder Indira Gandhi, filha de Nehru, que ocupou a chefia do governo de 1966 a 1977. Enfrentou as fomes que assolaram o país em 1967 e a guerra contra o Paquistão em 1971. Estreitou as relações com a União Soviética, defendeu o não-alinhamento e incentivou o desenvolvimento da bomba atômica para reforçar o sistema defensivo da Índia.

Em 1975, Indira Gandhi suspendeu as liberdades constitucionais e perseguiu os opositores políticos. Dois anos depois, o Partido Janata ganhou as eleições e Morarji Desai formou um novo governo. Uma comissão parlamentar investigou as supostas irregularidades cometidas pelo governo anterior e Indira Gandhi chegou a ser presa por uma semana. Apesar disso, sua popularidade cresceu e em 1980 venceu novas eleições gerais à frente do Partido do Congresso.

De 1980 a 1984 agravaram-se os problemas internos. Cresceu a revolta dos sikhs no Punjab e aumentaram os conflitos entre bengalis e imigrantes nepaleses em Assam e entre muçulmanos e hindus em Maharashtra e Andra Pradesh. Em 1984, o exército invadiu o Templo Dourado dos sikhs em Amritsar e matou 400 fiéis, entre eles o líder Jarnail Singh Bhindranwale. A vingança sikh materializou-se com o assassinato de Indira em outubro do mesmo ano. Seu filho e sucessor, Rajiv Gandhi, promoveu uma política de modernização econômica que gerou um desenvolvimento sólido. Seu governo, afetado por um escândalo de compra de armas, foi derrotado em 1989 por uma coalizão encabeçada por Vishwanath Pratap Singh. Os conflitos étnico-religiosos aprofundaram-se em todo o país e em 21 de maio de 1991, durante a campanha eleitoral para novas eleições gerais, Rajiv Gandhi foi assassinado em Tamil Nadu, em atentado provavelmente praticado por separatistas da etnia tâmil do Sri Lanka. Em junho, o líder do Partido do Congresso, Narasimha Rao, assumiu o cargo de primeiro-ministro em um gabinete de coalizão.

Domínio ocidental – O auge da hegemonia muçulmana, com a dinastia Mogul de 1526 a 1707, coincide com a presença ocidental na Índia, impulsionada pelo comércio de especiarias. Em 1510, os portugueses completam a conquista de Goa, na costa oeste do país. Sucessivamente, ingleses, holandeses e franceses criam companhias de comércio com as Índias. Em 1690, os ingleses fundam Calcutá, mas só depois de uma guerra contra a França (1756-1763) o domínio do Reino Unido consolida-se na região.

No século XIX, os ingleses esmagam várias rebeliões anticolonialistas. Paradoxalmente, a cultura britânica torna-se um fator de união entre os indianos. Com o inglês, os indianos adquirem uma língua comum. A organização política que governaria a Índia independente, o Partido do Congresso (I), é criada em 1885 por uma elite nativa de educação ocidental. Nos anos 20 cresce a luta nacionalista sob a liderança do advogado Mohandas Gandhi. Pacifista, Gandhi desencadeia um amplo movimento de desobediência civil que inclui o boicote aos produtos britânicos e a recusa ao pagamento de impostos.Independência – A luta contra o colonialismo britânico termina com a independência em 1947. Mas, nesse processo, os líderes muçulmanos indianos decidem formar um Estado independente, o Paquistão, a oeste da Índia. A partilha, baseada em critérios religiosos, provoca o deslocamento de mais de 12 milhões de pessoas. Choques entre hindus e muçulmanos deixam 200 mil mortos.

Revolta dos Cipaios

Movimento desencadeado de 1857 a 1858 pelas unidades do Exército indiano contra seus oficiais ingleses que se transformou em motim militar. Em marcha sobre Nova Delhi, aclamou o velho Bahadur Xá II imperador da Índia

Guerra do Ópio
Conflitos ocorridos na China envolvendo a questão do comércio ilegal de ópio pelos ingleses. A I Guerra do “ópio, de 1839 a 1842, dá-se entre o Reino Unido e a China. Na II Guerra do “ópio, entre 1856 e 1860, também conhecida como Guerra Anglo-Francesa na China, os britânicos se aliam à França contra os chineses. Com a vitória, as duas nações européias obtêm privilégios comerciais e territoriais na China, abrindo o país ao imperialismo.

A Companhia Britânica das Índias Orientais mantém intenso comércio com os chineses, comprando chá e vendendo o ópio trazido da Índia. A droga representa metade das exportações inglesas para a China. Em 1839, o governo imperial chinês tenta deter a importação ilegal de ópio e manda queimar, na cidade de Cantão, 20 mil caixas da droga apreendidas de traficantes ingleses. O Reino Unido envia uma frota de guerra em 1840 e ocupa Xangai. Rendidos pelo poderio naval britânico, em 1842 os chineses aceitam o Tratado de Nanquim, segundo o qual a China é forçada a pagar indenização, abrir cinco portos para o comércio e ceder Hong Kong aos britânicos. Em 1856, o Reino Unido, ajudado pela França, aproveita o incidente com um barco em Cantão para nova investida, iniciando a II Guerra do “pio. Em 1860, britânicos e franceses ocupam Pequim . Derrotada, a China é obrigada a fazer novas concessões.

A conquista do Japão
O Japão é herdeiro de uma civilização que remonta ao século VII a.C. No século IV, o clã Yamato unifica os vários estados do país sob um imperador. No século VI, o Japão invade a Coréia, que vivia sob forte influência chinesa, e assimila muito de sua cultura. Apesar disso, o país mantém-se relativamente isolado do exterior e tem uma das sociedades mais homogêneas do mundo em termos culturais e étnicos. No século XII, o crescimento da aristocracia militar (os samurais ) mina a Monarquia que ocupa o poder. O país passa a ser dominado principalmente por xoguns, espécie de senhores feudais, que permanecem até o século XIX. Os primeiros contatos com o Ocidente datam do século XVI, quando missionários portugueses formam uma pequena comunidade cristã.
Em 1603, o xogum Tokugawa Leyasu estabelece a capital em Edo (atual Tóquio), proíbe o cristianismo e fecha o país a estrangeiros. Nos 250 anos seguintes, a única janela aberta ao mundo é um pequeno posto comercial em Nagasaki.

Período Meiji (1868-1912). Em 1868, os samurais de Satsuma, Choshu, Tosa e Saga suprimiram o xogunato dos Tokugawa com o grito de “Sonno joi” (Reverenciai o imperador! Fora os bárbaros!). O imperador Mutsuhito, que havia subido ao trono em 1868, foi encarregado de pôr em prática a modernização da sociedade japonesa, que, entretanto, não perdeu seus valores tradicionais. As transformações socioeconômicas mais importantes foram a abolição do feudalismo, a igualdade de todos os japoneses e a introdução e desenvolvimento da grande indústria e do moderno sistema bancário. Do mesmo modo, organizou-se o ensino de acordo com os modelos europeus, foram impulsionados os sistemas de comunicação e transporte segundo a tecnologia ocidental, modernizou-se o sistema financeiro, promulgou-se em 1889 uma nova constituição que consagrou a monarquia hereditária e criaram-se um exército e uma marinha potentes e modernos. As guerras vitoriosas de 1894-1895, contra a China, e de 1904-1905, contra a Rússia, elevaram o Japão à categoria de potência mundial.

Conquista da China
Com dimensões continentais, a China é o país mais populoso do planeta. É célebre por sua cultura milenar , suas cidades, seus edifícios e pela Grande Muralha, construída para conter o avanço dos mongóis. Sob regime comunista desde 1949, a China começa a se voltar para a economia de mercado em 1978. A estratégia de atrair investimentos estrangeiros, aliada à mão-de-obra barata, tem resultado em altas taxas de crescimento, maiores do que as dos chamados Tigres Asiáticos. A China não abandonou, contudo, o regime de partido único, defendendo o autoritarismo e a repressão. Criticado pelo Ocidente por violações constantes dos direitos humanos, o país resiste em alinhar-se às grandes potências e mantém uma política externa independente.

A civilização chinesa tem uma longa história, cuja principal característica foi, até o século XIX, a imutabilidade de determinados elementos como o cultivo de cereais, a escrita, a importância da família ou o culto aos antepassados. Assim como outros povos da antiguidade, os chineses pensavam que a melhor forma de viver não consistia em modernizar-se, mas em repetir arquétipos do passado.Pré-história. Sítios paleontológicos de Zhou Koudian (Chou Kou-tien), próximo de Pequim, demonstram a presença de hominídeos primitivos, os chamados sinantropos, há mais de 200.000 anos.

São pouco documentadas as origens da civilização chinesa. Na Mongólia e na Manchúria desenvolveu-se uma cultura mesolítica de caçadores e agricultores no período pós-glacial. Em Linxia e Chifeng apareceram as primeiras colônias agrícolas sedentárias. No início do quarto milênio antes da era cristã, surgiu na fértil região do vale do Amarelo a civilização neolítica de Yangzhou, caracterizada pela pintura em cerâmica, pelo aperfeiçoamento das técnicas agrícolas (cultivo de cereais) e pela domesticação de animais.

Primeiras dinastias. No começo do segundo milênio antes da era cristã, a China entrou na idade do bronze. A descoberta desse metal teve conseqüências importantíssimas. Formou-se uma vasta civilização caracterizada pela divisão da sociedade entre os nobres, habitantes das cidades-palácios, e os camponeses. A nobreza reconhecia a autoridade de um soberano, embora o poder deste, na prática, se limitasse ao campo religioso. Assim surgiu a primeira dinastia conhecida, denominada Shang (séculos XVIII-XII a.C.), da qual se tem notícia pelas inscrições encontradas nas escavações de Anyang. Essa dinastia, enfraquecida pela pressão dos povos vizinhos, foi substituída entre os séculos XII e III a.C. pela dinastia Zhou (Chou), que transferiu a capital para Luoyang, na região de Henan (Honan).

Desde o século VIII a.C., a vasta civilização chinesa já ocupava o curso médio do rio Amarelo. Esse amplo território era de dificílimo controle. A unidade cultural do início viu-se ameaçada pelas tendências desagregadoras dos principados periféricos e pela pressão dos povos bárbaros vizinhos, sobretudo os do norte, os mongóis, pois os do sul foram vencidos e assimilados. Graças à descoberta do ferro foi possível conter as hordas que ameaçavam as fronteiras.As guerras desse período vieram acompanhadas de grande florescimento cultural.

Foi nessa época que surgiram as duas principais correntes filosóficas da China: o confucionismo, que ressaltava os princípios morais, e o taoísmo, criado por Laozi (Lao-tzu ou Lao-tsé), que defendia uma vida em harmonia com a natureza. Outra escola importante foi a de Mêncio (em chinês Mengzi, Mengtse ou Meng Ko), que destacava a importância da educação como meio para aperfeiçoar a natureza humana.

Primeira unificação chinesa: dinastias Qin e Han. Os últimos reis Zhou viveram retirados em Luoyang. Entre os anos 230 e 221 a.C., o estado de Qin (ou Ch’in) destronou a dinastia Zhou e se impôs aos príncipes locais. Embora de curta duração (221-206 a.C.), a dinastia Qin foi de vital importância para a China, pois lançou as bases de um império que haveria de se manter durante mais de dois milênios.

O império consistia em um território unificado sob controle religioso e político de um soberano. Mas a dispendiosa política defensiva e centralizadora dos Qin (construção da Grande Muralha, estradas) provocou uma sublevação generalizada da qual saiu vencedor o proprietário de terras Liu Pang, que impôs sua autoridade e fundou a dinastia Han (206 a.C.-220 da era cristã). A política dessa dinastia se voltou para o fortalecimento do poder real, o que tornava imprescindível enfraquecer os príncipes feudais. O governo central apoiava-se em um funcionalismo fiel; este provinha de um corpo de letrados recrutados mediante concurso.

A dinastia Han coincidiu com um período de expansão comercial e agrícola que se manifestou pela rotação de culturas, pela realização de numerosas obras hidráulicas, pela formação de uma classe mercantil e pela substituição da antiga aristocracia por um grupo de proprietários de terras mais dinâmicos. Os Han também adotaram uma política expansionista que resultou na conquista do norte da Coréia, da região de Mu Us e da zona meridional até Cantão. No campo ideológico, essa dinastia fez do confucionismo a doutrina oficial do estado; as idéias de Confúcio, ensinadas nas escolas, eram matéria exigida nos concursos ao funcionalismo. No fim do século II da era cristã, as sublevações populares, de inspiração taoísta, e os ataques dos nômades instalados nas fronteiras norte-ocidentais obrigaram o imperador a entregar o poder a militares e proprietários de terras nas regiões vizinhas.

Fragmentação do império chinês. A época compreendida entre os anos 220 e 589 é conhecida como a dos três reinos e das seis dinastias. Nesse período, a China sofreu divisões internas e o ataque de diversos povos nômades (tibetanos, turcos e mongóis). Alguns desses povos estabeleceram-se no vale do Amarelo, o que provocou uma intensa emigração para o curso inferior do Yangzi, onde se produziu uma fecunda fusão cultural. O delta desse rio tornou-se uma próspera região agrícola, baseada nas culturas de arroz e chá. No âmbito religioso, difundiram-se o budismo e o taoísmo.

Segunda unificação: dinastias Sui e Tang. Em 581, Yang Jian, alto funcionário do reino Zhou do norte, conseguiu submeter à sua autoridade a região do sul, depois da conquista de Nanquim (Nanjing). Assim, a nova dinastia, denominada Sui, reunificou o país depois de três séculos de fragmentação política, econômica, cultural e lingüística. Durante esse período, construiu-se o grande canal que uniu o Yangzi ao Amarelo.

Os reveses nas guerras contra coreanos e turcos precipitaram a queda da dinastia. Li Yuan, comandante dos exércitos do norte, aproveitou o desencadeamento de uma revolta na região oriental para assassinar o imperador e tomar o poder. A nova dinastia, a Tang (618-907), continuou a obra reunificadora iniciada pelos Sui.

Os Tang reorganizaram a administração, derrotaram turcos e coreanos e conquistaram o Tibet. Durante essa época, a China conheceu grande desenvolvimento artístico (poesia e pintura) e científico (cartografia e matemática) e entrou em contato com outras civilizações, como a japonesa, a coreana, a indiana e a árabe. O período de florescimento cultural e de expansão territorial da dinastia Tang terminou com a derrota chinesa frente aos árabes em 751, na fronteira norte-ocidental. A partir desse momento, começou uma fase de decadência e esta resultou em nova fragmentação que sobreveio à queda dos Tang, em 907. O período das cinco dinastias e dos dez estados, entre 907 e 960, caracterizou-se pelo caos político, embora tenha havido um importante desenvolvimento científico que se plasmou na invenção da imprensa.

Nova divisão: a dinastia Song e a invasão mongol. A partir de 960, a dinastia Song (Sung) reorganizou o país impondo reformas tributárias que aliviaram a situação econômica dos camponeses e favoreceram o comércio. Nessa época houve grande desenvolvimento cultural, com a difusão de textos impressos e a renovação das doutrinas confucionistas. Contudo, a nova dinastia perdeu o controle do nordeste do império. No século XI, a China ficou dividida em duas zonas: a metade meridional, ocupada pelos Song; e a metade setentrional, em poder do reino mongol de Kitan. No século seguinte, os Ruzhen (Juchen) estabeleceram o reino Jin (Chin) na China setentrional, onde se mantiveram até a chegada dos mongóis.

Em 1206, Gengis Khan consolidou seu poder sobre as tribos mongóis das estepes do lago Baikal. Cinco anos depois, invadiu a China. Com a derrota definitiva dos Jin em 1234, os mongóis continuaram seu avanço para o sul em 1250. A parte meridional do país, controlada pela dinastia Song, resistiu com denodo, mas finalmente, em 1279, todo o território chinês ficou sob a autoridade de uma dinastia estrangeira, a dos Yuan (Yüan). O neto de Gengis Khan, Kublai-Khan (ou Kubilay-Khan), transferiu a capital para Khanbaliq (a futura Pequim). Durante essa época o comércio foi favorecido pelo controle da zona ocidental, que abriu as rotas para a Ásia central e a Europa. A abertura dessas rotas permitiu a chegada das idéias européias por meio de viajantes como Marco Polo e Giovanni da Montecorvino.

Dinastia Ming. Não durou muito o imenso império mongol, assimilado à sociedade e à cultura chinesas. Em meados do século XIV, uma revolta camponesa transformou-se em guerra de libertação contra os mongóis, cujo último imperador foi derrubado em 1368, quando o monge budista Zhu Yuanzhang (Hongwu) fundou a dinastia Ming. Durante esse período aumentou a atividade marítima. As embarcações chinesas chegavam à Arábia e até mesmo à África oriental.

Floresceram as belas-artes (arquitetura, cerâmica) e multiplicaram-se os contatos com o exterior. No fim do século XVI os portugueses instalaram-se em Macau e vieram muitas missões jesuíticas. A partir do fim desse século, os ataques de piratas japoneses geraram grande instabilidade, que foi aproveitada pelos manchus, descendentes dos Juchen da Manchúria, que conquistaram todo o império em 1644.

Dinastia manchu dos Qing. Até o fim do século XVIII, a China experimentou grande florescimento sob a nova dinastia Qing (Tsing) manchu. O império logrou sua máxima expansão territorial: pacificou-se o Tibet e os mongóis foram derrotados; o Annam (o futuro Vietnam), Myanmar e o Nepal reconheceram as fronteiras meridionais da China; e Formosa foi conquistada em 1680.

A introdução de novas culturas, como a do milho e do tabaco, favoreceu o desenvolvimento agrícola, e o comércio expandiu-se com o estabelecimento de colônias européias (portuguesas, holandesas e britânicas). Além disso, a população cresceu muito: passou de 150 milhões de habitantes em 1600 para 400 milhões no começo do século XIX.

Com o fim do século XVIII, porém, a China entrou em um período de crise econômica, política e social. Dessa vez, a ameaça para a dinastia manchu e para a China tradicional viria da Europa, que pretendia aumentar sua penetração comercial nesse país, contra a vontade dos imperadores. A instabilidade política interna, fruto da crise econômica, serviu de brecha aos europeus para forçarem a abertura dos portos chineses ao comércio.

Em 1839, os ingleses aproveitaram a destruição de um carregamento de ópio (mercadoria que introduziam na China a partir da Índia) para declarar guerra à dinastia manchu. A chamada guerra do ópio terminou com a derrota chinesa. Os ingleses forçaram o Tratado de Nanquim (1842), pelo qual os chineses se comprometiam a abrir ao comércio britânico cinco portos, entre os quais os dois mais importantes do país, Xangai e Cantão, e além disso cediam o de Hong Kong.

Nos anos seguintes, prosseguiu a instabilidade interna. Em meados da década de 1850, sucederam-se os levantes muçulmanos das regiões de Xinjiang e Yunnan; e, em 1853, o movimento Taiping, de cunho religioso e milenarista, conquistou Nanjing e tentou expandir seu poder pelo norte da China. Uma intervenção militar franco-britânica obrigou o governo chinês a fazer novas concessões. Pelo Tratado de Pequim, firmado em 1860, abriram-se 11 outros portos no país e ofereceram-se mais vantagens aos estrangeiros. A China, agora aberta ao comércio, tornou-se presa dos interesses europeus. O império cedeu aos franceses o território vassalo do Vietnam e aos japoneses a ilha de Formosa e a península da Coréia.

Em reação à política imperialista praticada pelas potências ocidentais e pelo Japão, os círculos nobiliárquicos próximos da imperatriz Cixi (Tzu-hsi, Tse-hi) fomentaram motins xenófobos que chegaram ao auge em 1900, quando os boxers (membros de uma sociedade secreta contrária à penetração ocidental), sitiaram as legações européias em Pequim. Sobreveio a intervenção conjunta de forças americanas, alemãs, inglesas, francesas, russas e japonesas, que libertaram as legações e obrigaram a imperatriz a acatar condições de comércio favoráveis aos estrangeiros.

A região da Manchúria, objeto de disputa entre a Rússia e o Japão, caiu finalmente em poder dos japoneses depois da guerra de 1904-1905 entre esses dois países. As concessões feitas pelo governo chinês aos japoneses, junto com a eliminação dos boxers, abalaram a já agonizante autoridade da dinastia Qing.

FATOS HISTÓRICOS – A China é herdeira de uma civilização com mais de 4 mil anos de registros históricos contínuos , mas só a partir do século XIII mantém contatos freqüentes com o Ocidente, por intermédio de mercadores como o italiano Marco Polo. No século XVI chegam os portugueses, que fundam Macau, uma colônia cuja devolução à China está prevista para 1999.

A partir do século XIX, a influência do Ocidente causa um grande impacto sobre o Império Chinês. Em 1820, os britânicos obtêm exclusividade de comércio no Porto de Cantão. Interesses comerciais opõem a China e a Grã-Bretanha e levam à Guerra do Ópio. Vitoriosos, os britânicos garantem o monopólio do comércio do produto, a abertura de cinco portos chineses ao Ocidente e a posse de Hong Kong – que é devolvida em 1997. Em 1844, os EUA e a França também conquistam privilégios comerciais.

A exploração colonialista ocidental causa importante rebelião em 1851, quando Hong Sieu-tsien se proclama imperador em Nanquim, a antiga capital, mas é vencido pelo governo imperial, com a ajuda de ingleses e norte-americanos. A essa altura, o domínio estrangeiro na China já é avassalador. Em 1858, a Rússia ocupa vastos territórios no norte do país, criando um litígio fronteiriço que se estende até hoje. No mesmo ano, Alemanha, EUA, França, Reino Unido e Rússia obtêm a abertura de mais 11 portos na China. Fraco e sem autoridade, o governo imperial não se contrapõe às ambições estrangeiras. Em 1885, a China cede à França o Anã (Vietnã) e, nove anos mais tarde, perde a península da Coréia e o arquipélago de Formosa (Taiwan) para o Japão.

A submissão da dinastia manchu à contínua intervenção externa provoca a Guerra dos Boxers. A rebelião é sufocada com a ajuda de tropas ocidentais e japonesas. A China é novamente obrigada a ceder: os EUA impõem a política da Porta Aberta, pela qual o Ocidente se compromete a respeitar a integridade territorial em troca da total abertura comercial do país.

Fim do Império – Em 1900, o médico Sun Yat-sen funda o Partido Nacionalista (Kuomintang), em oposição à Monarquia e à dominação estrangeira. Apoiado por militares nacionalistas, é proclamado presidente provisório em dezembro de 1911. Mas a República não consegue estabelecer seu domínio sobre todo o país.A morte de Sun Yat-sen, em 1925, provoca uma luta pelo poder no Kuomintang. A facção vitoriosa, liderada por Chiang Kai-shek , alia-se ao Partido Comunista Chinês (PCCh) – fundado em 1922, em Xangai – contra os senhores feudais do norte do país. A aliança só dura até 1927, quando uma insurreição operária é reprimida com violência pelo Kuomintang em Xangai. Os comunistas, liderados por Mao Tsé-tung, são colocados na clandestinidade.

Debilitada pela guerra, a China não oferece resistência contra o Japão, que em 1931 invade a Manchúria e cria o protetorado do Manchukuô, sob o governo fantoche de Pu Yi, o último imperador da dinastia manchu. Paralelamente prossegue a guerra civil. Para escapar ao cerco do Kuomintang, 90 mil comunistas, liderados por Mao, deslocam-se 9.000 km para a região norte do país. É a Grande Marcha (1934-1935), que dá prestígio e uma dimensão quase mítica aos comunistas.

Hong Kong

Em 1º de julho de 1997, Hong Kong volta à soberania da China, encerrando 156 anos de colonialismo britânico. Passa a se chamar Região Administrativa Especial de Hong Kong. Com a sua transferência – é o quarto mercado financeiro do mundo e o porto mais movimentado da Ásia -, a China amplia seu poderio econômico. A devolução segue o acordo selado em 1984 pelos governos da China e do Reino Unido, sob o lema “um país, dois sistemas”. Eles são, efetivamente, bem diferentes: a China é a última potência comunista do planeta e Hong Kong é tida como a economia mais liberal existente, onde 2,3 mil multinacionais mantêm escritórios, incluindo 85 dos cem maiores bancos. A contradição entre os dois sistemas, no entanto, tem sido amenizada por causa das transformações ocorridas na China desde a década de 70. O país vem abrindo e modernizando sua economia por meio da implantação de zonas especiais, para onde são atraídas as empresas estrangeiras com a oferta de isenção de impostos e mão-de-obra barata.

A China, derrotada na I Guerra do Ópio, cede, em 1842, a ilha de Hong Kong ao Reino Unido. A península de Kowloon, também parte do território, passa para o controle britânico em 1860 – no fim da II Guerra do Ópio -, enquanto os Novos Territórios são arrendados por 99 anos em 1898. Após a instalação da República Popular da China, em 1949, os comunistas rompem relação com o Reino Unido. Na década de 60, a administração de Hong Kong dá início a uma política de eliminação de impostos, taxas alfandegárias e encargos sociais para atrair investimento externo.

Reintegração – Em 1985 é formada em Pequim uma comissão para elaborar a Lei Básica (Constituição), a ser implantada na colônia depois de sua entrega. O texto final, de 1990, determina que o governo chinês indicará o novo chefe executivo e que, até 2003, as vagas preenchidas pelo voto direto no Parlamento passarão para 30.

As eleições diretas são incorporadas à vida política de Hong Kong na esteira das negociações de sua devolução para a China – até então, o Reino Unido nomeava os conselhos Legislativo e Executivo. Em 1986 ocorrem eleições municipais diretas e, em 1991, a população vai às urnas para escolher 18 dos 60 representantes do Conselho Legislativo. No ano seguinte, Chris Patten assume o governo, adotando durante seu mandato medidas que geram atritos com Pequim em virtude de seu forte teor democrático – como a eleição direta para todo o Legislativo, realizada em 1995, transgredindo a Lei Básica. O Partido Democrata de Hong Kong conquista o maior número de cadeiras.

Enquanto o clima de confronto entre Hong Kong e o governo chinês se acentua, mais de 180 mil pessoas deixam a colônia entre 1992 e 1994. Ao mesmo tempo, com a abertura econômica chinesa, diversas empresas e fábricas de Hong Kong instalam filiais na China. O inverso também é verdadeiro: cerca de 60% dos investimentos externos chineses são em Hong Kong.

Zona especial – Pelo acordo de 1984, Hong Kong deverá manter, pelo menos até 2047, seu sistema econômico e um alto grau de autonomia administrativa. A China responde pela política externa e pela defesa da ilha, como se fosse um protetorado. Existem, porém, dúvidas quanto a seu futuro político. A primeira prova ocorre logo após a cerimônia de devolução, realizada na passagem do dia 30 de junho para o dia 1º de julho. Mais de 2 mil pessoas saem às ruas em protesto pacífico contra a dissolução do Conselho Legislativo, substituído por um novo Parlamento nomeado pela China. Não há repressão, mas as autoridades chinesas advertem que as próximas manifestações devem ser autorizadas previamente pela polícia. O governo central promete eleições legislativas livres para 1998.

Também causa protestos no território a chegada de 4 mil soldados do Exército chinês. Sua imagem ainda é associada ao massacre de 1989, na praça da Paz Celestial. Para governar Hong Kong, o governo escolhe o empresário Tung Chee-hwa, com quem tem boas relações. Ele assume o cargo junto com o Parlamento em 1º de julho. A expectativa é de que ele possa manter uma convivência harmoniosa entre os dois sistemas.

Guerra dos Bôeres
Luta entre o Reino Unido e a população bôer, descendente de colonizadores holandeses e fundadores das repúblicas independentes de Transvaal e Orange, no nordeste da África do Sul. O conflito, que dura de 1899 a 1902, inicia-se com a tentativa da Coroa britânica de anexar as duas repúblicas, ricas em jazidas de diamante, ouro e ferro. Os bôeres, que ocupam a região desde 1830, lutam para preservar sua independência. Os ingleses vêem nesse nacionalismo um perigo à dominação do Reino Unido no sul da África.

A princípio, a supremacia é dos bôeres, que começam a guerra. Invadem a colônia do Cabo, além de sitiar cidades importantes e anexar territórios ingleses. Mas, em 1902, acontece a contra-ofensiva inglesa. A superioridade britânica em homens e armamentos derrota os bôeres.

As tropas inglesas devastam e queimam propriedades ao longo da guerra. Os bôeres capturados são colocados em campos de confinamento, onde morrem cerca de 20 mil pessoas. As notícias sobre o tratamento desumano dado pelos ingleses aos prisioneiros intensificam a imagem negativa do Reino Unido perante a opinião internacional. Com a Paz de Vereeniging (1902), as repúblicas são incorporadas ao Reino Unido e, em 1910, juntam-se às colônias do Cabo e de Natal para constituir a União Sul-Africana.

Guerra dos Boxers
Revolta dos nacionalistas chineses contra estrangeiros e cristãos chineses ocorrida entre 1900 e 1901. É uma reação à intervenção externa e à submissão da dinastia Manchu à dominação européia na China . O movimento parte de uma associação secreta, a Sociedade Harmoniosos Punhos Justiceiros, conhecida como Sociedade dos Boxers, presente no norte do país.

Apesar dos esforços do governo para suprimi-la durante o século XIX, a Sociedade dos Boxers conta com o apoio popular crescente e promove rebeliões e atentados contra estrangeiros e missionários cristãos. Em 17 de junho de 1900, os rebeldes sitiam a parte da cidade de Pequim ocupada pelas delegações estrangeiras. Reino Unido, França, Japão, Rússia, Alemanha e EUA organizam uma expedição conjunta para combater o movimento.

As tropas estrangeiras no norte do país fazem a corte chinesa se transferir para o Sião (atual Tailândia ) e obrigam os boxers a se dispersar. A coalizão ocupa Pequim em 14 de julho de 1900. Derrotada, a China é condenada a pagar uma grande indenização e a aceitar a política da Porta Aberta, pela qual seria reconhecida sua integridade territorial em troca de concessões econômicas ao Ocidente. O tratado, porém, não impede novas perdas territoriais. O Japão ocupa a Coréia, os alemães dominam a península de Chan-tung, os franceses atacam a Indochina e a Rússia avança sobre a Manchúria.

Conquista da Indochina

Zona de confluência de grandes civilizações do Extremo Oriente, a península da Indochina mostra, em sua história turbulenta, o choque dos diversos povos que ocuparam e colonizaram seus vales.

A península da Indochina fica no extremo sudeste da Ásia, entre o mar da China meridional e o golfo de Tonquim, a leste; o golfo de Sião e o oceano Índico, ao sul; e o golfo de Bengala e o Hindustão, a oeste. Ao norte, faz fronteira com o Tibet e a China. Os países que a integram são Tailândia, Laos, Vietnam e Camboja (Kampuchea), mas a região que antigamente se conhecia como Indochina Francesa não incluía a Tailândia.

O relevo da Indochina constitui-se das vertentes sul, em forma de leque, das cadeias de montanhas do Himalaia e Guilin, onde há grandes vales de rios caudalosos. Duas extensas planícies ocupam a região: as do vale do rio Vermelho, no norte, e do Mekong, no oeste e no sul, separadas pela cadeia montanhosa de Anam. A cordilheira malaia, que forma a península de Malaca, fica entre os rios Chao Phraya e Nu Jiang. Entre a cordilheira malaia e a cadeia de Anam se estende o planalto do Laos.

A Indochina tem um clima tropical de monções, com ventos que sopram do noroeste, no inverno, e do sudoeste, no verão. Durante o inverno, o norte é acentuadamente mais frio do que o sul. A erosão do solo é muito forte, dada a configuração escarpada de boa parte do relevo, o que faz com que os grandes rios atravessem as montanhas por estreitas gargantas. Os depósitos aluviais formam deltas, motivo pelo qual as regiões de dunas ocupam uma parte da costa. No sul do Vietnam existem baías de águas profundas e, no norte, ilhas rochosas de pedra calcária.

Os habitantes da Indochina se concentram principalmente nas planícies e no delta do rio Vermelho, embora o curso baixo do Mekong e o litoral central do Vietnam também sejam áreas de alta densidade demográfica. A maior parte da população é de anamitas ou vietnamitas, de pele clara, cuja cultura mostra intensa influência chinesa. O confucionismo é a religião predominante, mas há também budistas e cristãos. Os cambojanos têm a pele mais escura, são majoritariamente budistas e sua cultura tem mais afinidades com a indiana. Nas montanhas do norte da Tailândia, sob influência chinesa, vivem vários povos diferentes.

História. Existem nas montanhas da Indochina traços de uma vida muito primitiva, mas as evidências encontradas nos vales e deltas são mais abundantes e remontam às primeiras ondas de imigrantes procedentes do sul da China. De modo geral, pode-se dizer que a história da Indochina foi determinada por suas condições geográficas. As montanhas da região, de direção norte-sul, guiaram a chegada dos siameses, que seguiram o vale do Chao Phraya; dos laosianos, que desceram pelo Lancang Jiang, e dos anamitas, que se fixaram no litoral do mar da China. Esses povos submeteram os estados antes estabelecidos nas planícies do sul: o império khmer e o reino de Champa.

O poderoso império khmer desenvolveu-se em dois grandes períodos, o primeiro dos quais foi o Fu-nam, no século I da era cristã. Era um estado de cultura indiana que, segundo a lenda, foi fundado por um brâmane. Desse período não há restos monumentais, mas os que existem foram encontrados no sul do Vietnam e comprovam a existência de cidades portuárias com elementos indicativos (peças indianas e greco-romanas) de ativo intercâmbio comercial.

Em meados do século VI, o príncipe Jayavarman, da família real de Fu-nam, proclamou a independência de um reino situado no médio Lancang Jiang. No século seguinte, seus sucessores conquistaram Fu-nam. Alcançou-se então um alto grau de civilização, como atestam os restos arquitetônicos de Sambor Prei Kuk, decorados com esculturas.

Outras lutas pela independência, ocorridas no século VIII, acabaram por dividir o império, chamado Chenla, em duas partes. O rei Jayavarman II restaurou a unidade e a independência da região. Imprimiu sua marca na chamada cultura de Angkor, que durou seis séculos e se fundamentou numa concepção teocrática do poder real, supostamente emanado de Shiva, a terceira pessoa da trindade hindu. Por volta do ano 870, construiu-se a pirâmide real de Bakong, mas foi Suryavarman II, no século XII, quem construiu o conjunto de monumentos de Angkor Wat, obra-prima da arquitetura khmer.

Por volta do século X, o império khmer se estendeu pelas planícies de Sião, Laos e Camboja, e mais tarde ocupou Champa, cujos habitantes se vingaram em 1177 com o saque a Angkor. O império khmer ainda pôde recuperar-se e viver um período de prosperidade antes da decadência. Os tai acabaram definitivamente com o império no século XIII, ao descerem para o sul, supostamente pela pressão dos mongóis de Kublai Khan.

Os chams (do reino de Champa), que se assemelhavam aos malaios em seus traços indonésios e em sua linguagem, assim como em sua inclinação para a atividade marítima, no ano 192 ocuparam a costa de Anam, onde criaram zonas autônomas. Seu poder se manteve até o ano 1000. A civilização de Anam é bem conhecida graças à conservação de textos escritos, que, por estarem permeados de lendas, dificultam o estabelecimento da verdade histórica. Os chineses chegaram ao delta de Tonquim, no século II a.C., e dominaram as populações aborígines, imprimindo sua cultura em todos os aspectos: língua, literatura, arte, religião, técnica etc. No século X, declararam-se independentes da China. A história posterior do reino de Anam foi marcada por lutas dinásticas, até sua bipartição, em 1558. A unidade racial e cultural, no entanto, se manteve.

No século XVII chegaram a Anam os primeiros missionários franceses. Aos poucos, a Sociedade das Missões Estrangeiras penetrou no sudeste da Ásia. No final do século XVIII, o rei Luís XVI, da França, assinou um tratado com o imperador Nguyen Anh, mas as relações se complicaram e teve início a perseguição de europeus e de cristãos autóctones por parte das autoridades de Anam. As tropas francesas intervieram em 1859 e ocuparam Saigon, que seria cedida em seguida à França, por meio de um tratado com Anam. O Camboja aceitou a proteção francesa em 1863, para escapar das agressões de outros povos, e as províncias ocidentais da Cochinchina foram ocupadas quatro anos mais tarde. A França, assim, tomou posse de toda a parte do sul do Lancang Jiang, para em seguida intervir na área do rio Vermelho e mais tarde ocupar Tonquim.

Em 1882, o assassinato de um alto funcionário francês provocou um conflito em Hanói, onde os europeus tiveram de enfrentar também a China, na guerra que se declarou dois anos mais tarde. Pelo Tratado de Pequim, firmado no ano seguinte, a China reconheceu o domínio francês sobre a Indochina. No protetorado de Anam, as lutas prosseguiram até 1889, e, em Tonquim, até 1896. Mais tarde, as tropas coloniais penetraram com facilidade no Laos, mas isso causou conflitos com o Sião (posteriormente Tailândia), também sufocados. A Indochina Francesa passou então a integrar-se por cinco países ocupados, numa espécie de governo federal; Cochinchina, Anam, Tonquim, Laos e Camboja.

A partir de 1940 ocorreram no Sudeste Asiático várias incursões japonesas, a última das quais, em 1945, pôs fim à administração francesa na região. O Japão proclamou então o estado autônomo do Vietnam, mas em seguida ocorreu a queda do regime de Tóquio. No norte do país, o Partido Viet Minh, dirigido pelo nacionalista Ho Chi Minh, proclamou a República Democrática do Vietnam e assumiu o poder. As monarquias do Laos e do Camboja foram recuperadas pela França, que fundou a Federação Indochinesa. A guerra contra a França teve início logo depois e terminou com a vitória do Vietnam em Dien Bien Phu. Estabeleceu-se então um acordo por meio do qual o país ficava dividido em duas partes: o norte, dirigido pelo Partido Comunista, e o sul, apoiado pelos Estados Unidos. Depois que os americanos intervieram para deter o avanço do norte sobre o sul, teve início em 1965 a guerra do Vietnam, que se prolongou por dez anos e foi vencida pelo Vietnam do Norte. Em 1976, o país reunificou-se.

Dois anos mais tarde, o Vietnam entrou em conflito com a China e o Camboja e, em 1979, ocupou a capital cambojana, Phnom Penh. Desde então, passaram a ocorrer conflitos entre as tropas vietnamitas e os guerrilheiros do Khmer Vermelho, apoiados pela China.

Cultura. A expansão da arte indiana foi primordial para a configuração de diferentes artes orientais no Sudeste Asiático, que herdaram as formas arquitetônicas e a estética escultórica do budismo. No território denominado posteriormente Camboja, o povo khmer desenvolveu uma arte particular, cujo centro era a capital do reino, Angkor, fundada no final do século IX. Antes, tinham sido construídas as torres-santuários (prasat), como as de Sambor Prei Kuk, com formas quase piramidais.

A mais peculiar construção khmer foi o “templo-montanha”, com uma base retangular ou quadrada e vários terraços superpostos até a altura do santuário principal, na parte mais elevada. Os melhores exemplos foram os templos de Angkor Wat e Bakong. Saqueada no final do século XII, a capital do reino khmer recuperou-se no século seguinte, com Jayavarman VII, que construiu o templo Bayon, em Angkor, decorado com baixos-relevos que narram as vitórias do povo khmer. Preservaram-se, nas quatro faces de sua torre, as imagens sorridentes de Buda.

A escultura dos khmer — semelhante à indiana, mas de estilo menos refinado — teve inicialmente uma estatuária de formas arredondadas. Um exemplo é o Krishna Govardhana, do século VI. Mais tarde proliferaram os relevos, como os Banteai Srei ou Angkor, repletos de figuras um tanto estilizadas e hieráticas.

A Tailândia também foi influenciada pela arte indiana e pela arte do khmer, como atesta o templo Wat Pra Ratana, de Lopburi. A escultura, na qual se destaca o torso Avalokitesvara (um dos eleitos de Buda), mostra também numerosos traços da estatuária indiana. A partir do século XVIII, a arte tailandesa tomou um caminho próprio e se tornou colorida e popular.

Descolonização da Ásia

Processo de independência das colônias no continente asiático iniciado após a II Guerra Mundial. Desde então surgem novos países, a maioria originária dos antigos Impérios coloniais britânico e francês. Os movimentos pela autonomia nacional assumem várias formas: guerras de libertação, resistência pacífica aos colonizadores ou gestões diplomáticas para a conquista da independência.

Oriente Médio – O Líbano e a Síria, domínios franceses desde o final da I Guerra Mundial, obtêm a independência respectivamente em 1941 e 1946. A partir do final da II Guerra Mundial, os países de dominação britânica no Oriente Médio também conquistam sua independência: Jordânia (1946), Omã (1951), Kuwait (1961), Iêmen do Sul (1967), Barein, Catar e Emirados Árabes Unidos (1971).

Sul da Ásia – A Índia, centro do império britânico na Ásia, que inclui ainda Paquistão e Bengala Oriental (atual Bangladesh), é palco de movimentos anticolonialistas já durante a II Guerra Mundial. Em 1947 é proclamada a independência da Índia, que se separa do Paquistão no mesmo ano. Bangladesh, incorporado ao Paquistão, torna-se independente em 1971. Os países sob controle britânico do sul da Ásia também conseguem a independência: Sri Lanka (1948), Butão (1949) e Maldivas (1965).

Sudeste Asiático – A Indochina, península do Sudeste Asiático colonizada pela França, era formada por Anã, Cochinchina e Tonkin (que juntos deram origem ao atual Vietnã), Laos, Camboja e pelo território chinês de Kuang-tcheou-wan. Durante a II Guerra Mundial é ocupada pelo Japão, o que estimula os movimentos de libertação nacional dos vários países. No Vietnã, a guerra de libertação é dirigida pelo Vietminh, liga revolucionária fundada em 1941. Também há guerra no Laos e no Camboja , que conquistam a independência em 1953.

A Conferência de Paz de Genebra, realizada em 1954, divide a Indochina em três Estados independentes:
Laos, Camboja e Vietnã. O Vietnã permanece dividido em duas zonas até 1976 , quando é reunificado.
Invadidas pelo Japão durante a II Guerra Mundial, a Indonésia (antiga colônia holandesa) alcança sua independência em 1945 e as Filipinas (ex-colônia norte-americana), um ano depois. Posteriormente, os países do Sudeste Asiático sob domínio inglês tornam-se independentes: Mianmar (1948), Malásia (1957), Cingapura (1965) e Brunei (1984) .