Por: Prof. Dulcidio Braz Júnior

Um eclipse lunar acontece quando a Terra fica entre o Sol e a Lua. Iluminada pelo Sol, a Terra projeta no espaço um cone de penumbra (onde há um pouco de luz) e outro cone de umbra (região totalmente escura).

Quando a Lua penetra no cone de penumbra da Terra perde um pouco do seu brilho pois nesta região recebe menos luz solar. A Lua Cheia, antes bem brilhante, começa a perder o seu brilho e o eclipse está começando. Mas, na medida em que a Lua caminha para dentro do cone de umbra, o fenômeno vai se tornando mais evidente. O disco lunar começa a escurecer drasticamente e o eclipse caminha para o seu ponto máximo quando a Lua, totalmente mergulhada na umbra da Terra, deveria desaparecer. Mas aí ocorre um truque óptico muito interessante e que provoca um efeito peculiar (veja ilustração abaixo).

A luz solar que passa tangenciando a atmosfera terrestre, ao ser refratada pelas partículas do ar, sofre desvio e mergulha dentro do cone de umbra. E isso ocorre especialmente para as cores vermelho e alaranjado. Assim, no cone de umbra que deveria ser totalmente escuro, haverá uma tênue luz vermelho-alaranjada capaz de tingir nosso satélite natural de um tom vermelho tijolo bem típico dos eclipses lunares.

Pode acontecer da Lua passar apenas pelo cone de penumbra. Neste caso o eclipse é quase imperceptível. Mas, quando a Lua entra integralmente no cone de umbra da Terra, o eclipse é total e é o mais bonito de se ver, com todas as fases bem evidentes e observáveis. Também pode ocorrer da Lua mergulhar parcialmente no cone de umbra. Neste caso o eclipse é parcial e nem sempre o efeito de Lua cor de tijolo será bem observado. O eclipse de amanhã, como você pode ver na simulação interativa mais abaixo, será parcial. Cerca de 80% da Lua pssará dentro da região umbral. Vai sobrar uma beiradinha de Lua de 20% para fora da umbra. Não será o mais lindo eclipse lunar que você já viu. Mas será bem bacana de se ver.

:: Cronologia do Evento

É comum marcamos a evolução de um eclipse lunar através dos seguintes pontos:

  • P1 [início do eclipse] a Lua toca externamente o cone de penumbra no qual está entrando
  • P2 – a Lua toca internamente o cone de penumbra no qual está entrando
  • U1 – a Lua toca externamente o cone de umbra no qual está entrando
  • U2 – a Lua toca internamente o cone de umbra no qual está entrando
  • M – meio do eclipse
  • U3 – a Lua toca internamente o cone de umbra do qual está saindo
  • U4 – a Lua toca externamente o cone de umbra do qual está saindo
  • P3 – a Lua toca internamente o cone de penumbra do qual está saindo
  • P4[fim do eclipse] a Lua toca externamente o cone de penumbra do qual está saindo

Veja alguns destes pontos no esquema abaixo que é genérico e corresponde a um eclipse lunar total (não representa com exatidão o eclipse de amanhã).

Para ter uma noção melhor do que vai acontecer no eclipse lunar de amanhã, confira abaixo uma simulação interativa em Flash que eu fiz mostrando os principais pontos do fenômeno. Os botões “>>” e “<<” permitem avançar ou retroceder a simulação frame a frame.

Observe que na simulação acima, para facilitar as coisas, fixei o referencial nos discos (cortes) dos cones de umbra e penumbra que aparecem parados (na prática eles se movem em relação à Lua). Desta forma vemos a Lua descer. Na prática, o que veremos ao vivo é o oposto. A Lua vai nascer e, na medida em que a Terra gira ao redor de si mesma, teremos a sensação de que a Lua vai subindo no céu, afastando-se gradativamente do horizonte.

Anote aí na sua agenda. Amanhã, ao cair da tarde (pouco depois das 18h), fique de olho no lado leste, onde a Lua vai nascer. Nesta hora o eclipse estará praticamente na metade (ponto M, entre U1 e U4). Mas ainda teremos cerca de 2h e 30min de observação garantida (se o céu estiver limpo!).

Boas observações por aí! Eu estarei por aqui, de plantão, cobrindo o evento e publicando fotos. Depois que você fizer as suas observações, apareça aqui no blog para deixar o seu comentário. Será um prazer compartilhar com você este momento astronômico raro!