Por: Folha Online

Estudo coordenado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e financiado pela Cia. Vale do Rio Doce indica que o Maranhão e o Pará devem se tornar mais quentes e mais secos que boa parte do resto do Brasil até 2100.

O estudo utilizou como base os modelos do IPCC, sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, ligado à ONU (Organização das Nações Unidas). Seus dados foram aperfeiçoados com modelos regionais. O aumento da temperatura na região é considerado “muito elevado” por Gilvan Sampaio, pesquisador do Inpe que ajudou a coordenar o trabalho. Segundo ele, em todo o século 20 o maior aumento observado no país foi de 0,8ºC.

No Pará, por exemplo, o calor pode subir até 6,5C nos próximos 80 anos, segundo um modelo mais pessimista. Esse modelo leva em conta um cenário com alta emissão de gases causadores do efeito estufa.

Mas, mesmo em uma previsão “otimista”, de baixa emissão, algumas regiões do Estado (especialmente o norte) devem ficar ao menos 4,5ºC mais quentes. No Maranhão, a elevação será ainda maior e poderá alcançar 7ºC.

Em relação à chuva, sua média diária deve ser menor (até 4 milímetros a menos por dia) e, quando cair, será concentrada em alguns dias, o que pode aumentar o risco de enchentes. O modelo prevê que a Amazônia Oriental possa ficar de 5% a 10% mais seca já a partir de 2011.

Algumas localidades da área, que tem hoje os maiores índices pluviométricos do país, poderão ficar até um mês sem nem sequer uma gota d´água.

Os efeitos serão sentidos tanto pela fauna quanto pela agricultura, diz o estudo, que não se aprofunda nas conseqüências do aquecimento. Elas serão tratadas em outros dois relatórios, que serão lançados no fim de 2009.

Eles farão previsões e diagnósticos sobre como a mudança no clima nos dois Estados – onde a mineradora possui boa parte de seus investimentos – afetará a biodiversidade, a produção econômica e o potencial de geração de energia. A mineradora afirmou que investiu R$ 1,5 milhão nos relatórios.