O sonho de Lucas Jordan Aguiar era estudar na USP. Na primeira vez que prestou Fuvest, ao terminar o colégio, não foi aprovado. Mas entrou no curso de Engenharia da Unicamp, onde ficou até o fim do primeiro semestre do 1º ano, quando decidiu que era hora de continuar perseguindo seu sonho. Veio para o cursinho, passou no vestibular, com as devidas comemorações, e hoje estuda na Poli.

JV – Quando você escolheu Engenharia como carreira?
Lucas – Desde a 6ª série eu já pensava em prestar Engenharia. Só tinha um pouco de dúvida entre Engenharia de Produção e Engenharia Mecânica.

Você estava no 1º ano de Engenharia Mecânica na Unicamp, que deixou depois de um semestre. Agora é aluno do 1º ano de Engenharia Mecânica na Poli. Sendo o mesmo curso, por que a mudança?

Desde pequeno eu queria estudar na USP. Um dia meu pai me levou lá e eu fiquei encantado. E depois que minha irmã entrou na Medicina USP – ela está no 2º ano – fiquei com muita vontade. Falei: “É hora de perseguir meu sonho.” Foi no meio do ano passado que bateu isso aí.

No meio do ano passado você trancou o curso na Unicamp e veio para o cursinho?

Eu não tranquei, na verdade. Não fiz matrícula para o segundo semestre, então a minha vaga foi cancelada. Em julho já tinha vindo morar em São Paulo com minha irmã.

O que seus amigos e familiares acharam de você deixar a Unicamp e prestar vestibular de novo?
Poucas pessoas me incentivavam. Nem mesmo meu pai achava que era uma boa ideia. Ele se encantou com a Unicamp, como qualquer pessoa que a conhece. Lá é lindo. Ouvi muita coisa: “O que você vai fazer se não passar na Fuvest?” Dava medo, mas não tinha como. Quando você quer uma coisa assim…

Como foi seu início no cursinho?
Em Exatas eu podia ficar um pouco mais relaxado, porque o que tinha aprendido na faculdade me ajudava. Já em Humanas, sabia que ia ter de ralar – em Geografia, História e principalmente Português –, porque foi o que me matou na 2ª fase da Fuvest 2010.

Que dificuldades você enfrentou no cursinho?
Cheguei sozinho e com muita dúvida se tinha feito certo ao largar a Unicamp. Estava com medo de não passar. Mas com o tempo conheci mais gente, fiz amigos, aprendi a assistir à aula, acompanhar. Fui pegando o jeito. O clima de cursinho é muito bom na sala, dá para você se entrosar com o pessoal.

Como você fazia nas aulas?
Eu tinha o costume de vir com no máximo duas folhas. Fazia um rascunhão todo bagunçado, tentava registrar o máximo de coisas que para mim fossem necessárias. Ao chegar em casa fazia resumo de tudo, mas aí era bem feito, com os desenhos necessários e colorido. Para mim, escrever fazia muita diferença. Assim eu fixava mais.

Você estudava em casa?
Às vezes ficava da 1 hora às 5 só fazendo resumo, com calma. Então pegava o resumo e lia, lia, lia até conseguir falar a matéria sozinho. Depois fazia exercícios.

Estudando em casa, como fazia se surgia alguma dúvida?
Se fosse um exercício em que eu tinha alguma dúvida conceitual, às vezes eu perguntava depois da aula. Eram mais os exercícios de História ou Geografia.

No Plantão Virtual você conseguia sanar suas dúvidas?
Conseguia. Geralmente, ao olhar a resolução já entendia onde tinha errado.

Quantas horas por dia você estudava?
Começava à 1 e meia da tarde e ia geralmente até 7 e meia da noite. Depois, quando apertou a coisa, estendia até as 9 horas.

Você estudava também no fim de semana?
Eu preferia fazer durante a semana tudo o que tinha de fazer. Na sexta-feira à noite eu semprevoltava para a casa de meus pais. Desde Campinas eu já voltava no fim de semana.  Até hoje faço isso.

Você disse estar bem em Exatas por causa daUnicamp. O cursinho ajudou também nessa área?
Sim. Mesmo tendo estudado muita Física na faculdade, foi só na parte de Mecânica, a parte de Eletricidade não tive. Precisei estudar aqui.

Você fazia os simulados?
Fiz todos os da Fuvest, 1ª fase e 2ª fase.

Qual era seu desempenho neles?
Nos da Fuvest, sempre A. Sempre tirei 76, 77, 78. No da Unesp tirei 72.

O que você achava de seus resultados?
Dava bastante ânimo para continuar estudando. É a sensação de que seu estudo está dando resultado, que você está estudando de forma correta. Muita gente comenta que o simulado é mais difícil do que a prova da 1ª fase da Fuvest.

Você leu as obras literárias indicadas pela Fuvest?
Li Dom Casmurro e A cidade e as serras.  Eu achava mais importante ler o resumo, estudar a obra, as características, do que ler o livro. Porque você lê tão corrido o livro  que às vezes nem presta atenção, só vai sabero enredo. As características, as nuances, você não pega lendo. Você pega lendo o resumo e vendo as análises.

Para você, qual a importância das palestras de Literatura?
Na palestra você está ouvindo alguém que estudou aquilo a fundo, conhece a fundo. Sabe coisas que você nunca entenderia apenas lendo a obra.

O que você tinha como lazer?
Sempre toquei piano. Quando podia, tocava. É meu relaxamento. Hoje tenho menos tempo, principalmente em época de prova, quando estudo até de madrugada. Na Poli, por mais que você estude, em semana de prova, duas provas no dia, você tem de ficar estudando muito tempo.

Nos vestibulares de 2011 você só prestou Fuvest?
Fuvest e Unicamp de novo. Porque se não passasse na Fuvest, voltaria para a Unicamp.

Em qual você achava que tinha mais chance de passar?
Eu achava que o vestibular da Unicamp era mais fácil. Mas percebi que não é. No final do ano achei que tinha chance de passar nos dois.

Na 1ª fase da Fuvest, quantos pontos você fez?
No ano anterior, 68. Este ano, 77. O corte foi baixo, 58.

Você melhorou 9 pontos numa prova que foi considerada mais difícil que a do ano anterior. Você ficou feliz?
Com certeza.

Esse resultado lhe deu motivação para estudar mais? Você mudou alguma coisa no seu método de estudo?
Passei a estudar bem mais as matérias que para mim eram essenciais. Fiz toda a apostila de exercícios de Exatas da revisão para a 2ª fase. Também fiz quase todos ou todos de Geografia e História, li muito. Português também.

Na 2ª fase, quais foram suas notas?
No primeiro dia, minha nota em Português foi baixa, 48 em 100 pontos possíveis. No segundo dia fiz 70 pontos e no terceiro dia fiz 77.  A média deu 69, alguma coisa assim.

Na Unicamp, qual foi o resultado?
Fiquei em 8º lugar na Engenharia Mecânica. No outro ano eu tinha sido o 148º classificado.

Como ficou sabendo de sua aprovação para a Poli?
Vim ao Etapa esperar a lista. Quando ela chegou, até ver meu nome, foram os segundos mais longos de minha vida. Comecei a procurar: “Lucas, Lucas”, tinha um monte; quando vi Lucas Aguiar saí gritando, pulando. Foi aí que eu lembrei que precisava ver em qual carreira tinha passado, porque se não tivesse passado em Mecânica na Poli, eu ia voltar para a Unicamp. Olhei novamente a lista e a alegria foi completa. E o povo da atlética estava aqui. Me abraçaram e me pintaram. Um veterano da USP me deu uma camiseta da Poli, dos bichos. Fiquei muito orgulhoso. Foi festa o dia inteiro. Sensacional!

Do que você já conhece da Poli, o que pode destacar?
Você chega e conhece a atlética, o centro acadêmico, mas quando começa a estudar percebe que não tem muito tempo para outras atividades. Se você começa a deixar coisas para trás não vai dar conta na época de prova. Você precisa saber lidar com isso. Fora isso, o ambiente de universidade é outra coisa. Assim como na Unicamp, você consegue sentir uma movimentação cultural, uma efervescência por mudança. Você tem oportunidade de conhecer outros cursos, artes, eventos diferentes.

Que matérias você tem agora?
Cálculo, Física, Laboratório de Física, Bioquímica, Álgebra Linear, Geometria Gráfica para Engenharia e Computação.

Você conseguiu eliminar alguma que tinha feito na Unicamp?
Não eliminei porque senão ia ficar com média zero. Na Poli você pode eliminar matéria, mas fica com média zero. Isso te ferra porque na Poli tudo é por nota – para escolher curso no final do ano, para estágio, para Iniciação Científica, para intercâmbio. Então você achou melhor fazer de novo… É. Já fazia seis meses que eu não via as coisas que tinha visto na Unicamp e não sabia como era na Poli. Na Poli tem matéria que é mais difícil, é mais puxada. Como Geometria Gráficapara Engenharia. Todo mundo reclama. E Cálculo também. Se não estudar bem, se não souber todos os conceitos, você roda.

Além da parte acadêmica, você está em alguma outra atividade na Poli?
Estou esperando passar o primeiro semestre. Depois ou vou para a atlética, jogar mesmo, ou vou tentar entrar num projeto chamado Pace [Partners for the Advancement of Collaborative Engineering Education]. É feito pela GM com várias universidades no mundo inteiro e envolve a Poli. E como a minha área é Engenharia Mecânica, amo essa parte, é o que eu quero. Só que tem um projeto seletivo em agosto.

Em algum momento você se arrependeu de ter deixado a Unicamp?
Não. Com certeza tem aspectos menos positivos na Poli, como a infraestrutura, que é muito velha. A Unicamp é top nesse aspecto. Outro ponto é a qualidade de vida no interior. Eu morava em frente à universidade, atravessava a rua e estava na Unicamp. A Poli é em São Paulo, às vezes você demora uma hora para chegar. Não é culpa da Poli, é negócio de cidade grande.

O que você diria a quem vai ler esta entrevista, para dar uma melhorada no ritmode estudos?
Acho que você tem de procurar o método de estudo mais eficiente para você. Quantidade de estudo não quer dizer qualidade de estudo. Às vezes pode estudar nove horas por dia, mas está estudando do jeito errado. Seria melhor estudar quatro horas por dia do jeito certo. Cada um tem um jeito certo.

Como fica marcado o ano passado para você?
Foi muito bom o cursinho. No cursinho o professor sabe muito a matéria. Aula como a do cursinho você nunca mais vai ter igual. É excepcional.

Você acha que, hoje, está diferente de quando começou a estudar aqui?
Quando estava no colegial eu achava que nunca ia passar na Poli. Quando você começa a atingir certos resultados, como nos simulados,começa a perceber: “Nossa, eu posso ser melhor do que penso que sou.” Vai indo, vai indo, aos poucos você chega lá.

O que você diria a quem não conseguiu aprovação no último vestibular e vai prestar novamente?
Se é um sonho seu, corre atrás. Estude bastante, porque vale muito a pena fazer o que você quer de coração.

O que você tira de lição de toda essa experiência e do sucesso nos vestibulares?
É essencial você acreditar que pode mesmo. Se você não acreditar em você, ninguém vai acreditar. É acreditar em você e mandar bala.

Você quer dizer mais alguma coisa para nossos alunos?
Acho que é isso, muita força, garra. Dedicação, principalmente. Eu, apesar de ter perdido um ano, estou onde queria. Estou muito feliz na Poli.

Por: Jornal do Etapa