Marcus passou em medicina na USP em 24º lugar

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Marcus Vinícius Lopes Horiuchi terminou o Ensino Médio em 2009 e prestou Fuvest direto. Fez 47 pontos na 1ª fase e fi cou 27 pontos abaixo da nota de corte de Medicina. Veio para o Etapa em 2010 e sabia que tinha de melhorar muito: “Tinha uma defasagem muito grande. Estimo que 40% do que vi no cursinho, eu nunca tinha visto antes.” Foi aprovado em 24º lugar na Pinheiros, fi cando à frente de 86% dos aprovados.

JV – Por que você decidiu fazer Medicina?
Marcus – Eu estava em dúvida se ia fazer Matemática, porque gosto bastante da matéria. Mas também faço trabalho voluntário com moradores de rua. Eu acho que não tem sensação melhor do que ver o olhar de gratidão deles. Por isso, pelo interesse em ajudar pessoas, em 2009, escolhi Medicina.

Esse trabalho voluntário era em alguma ONG?
Não, era uma casa de assistência social a moradores de rua.

Além da USP, vocâ passou em outro vestibular?
Passei na Unifesp.

Ao terminar o colégio, você prestou vestibular?
Prestei primeiro em 2008 como treineiro, fiz 46 pontos na 1ª fase da Fuvest. No 3º ano, quando saí da Federal, fiz 47. Depois de um ano aumentei 1 ponto! Sabia que para fazer Medicina mesmo, teria de melhorar bastante.

O que motivou você a vir estudar aqui?

Meu irmão fez Etapa. E eu já tinha ouvido recomendação de muita gente, inclusive professores da Federal. Não tive dúvida ao vir para cá.

Com que ânimo você começou no cursinho?
Comecei achando que não conseguiria em um ano. Eu tinha uma defasagem muito grande. Estimo que 40% do que vi no cursinho, eu nunca tinha visto antes. É bastantecoisa. E até então eu nunca tinha precisado estudar. Quando entrei aqui não sabia nem como estudar. Levei um tempo até saber o que me ajudava mais, o que eu tinha de estudar primeiro para fazer o dia render.

Mesmo assim você estava motivado para sua preparação?
Bastante. Apesar de começar desesperançoso, a dinâmica das aulas me incentivou bastante. Logo parei de pensar que poderia não conseguir. No segundo semestre eu já achava que tinha tanta chance quanto qualquer um, que se eu quisesse passar eu conseguiria, estudando.

Quais foram suas principais dificuldades no ano passado?
Manter a dedicação todos os dias. Quando você presta Medicina não adianta estudar de segunda a sexta-feira como se fosse horário comercial. Eu estudava sábado e domingo, abri mão de sair – durante o ano inteiro devo ter saído à noite umas três vezes.

Você seguia um método de estudo?

Eu pegava as matérias do dia e seguia uma ordem: resumo, exercícios de testes, exercícios escritos. De todas as matérias. Fazia isso sempre.

Como era sua rotina diária?

Eu chegava às 6 e meia da manhã no Etapa e ficava fazendo exercício, lendo jornal ou conversando com alguém até o início das aulas, às 7 e 10. No primeiro semestre eu não ia para casa antes das 8 horas da noite. No segundo semestre, comecei a ir também para o Centro Cultural, sempre com um grupo de amigos. Eu não consigo estudar sozinho porque perco o foco fácil. Quando começou a revisão final voltei a ficar só aqui. Aí eu ficava até mais tarde, até 10 horas da noite.

Você estudava no fim de semana também?
Sábado tinha RPM, eu ficava estudando no Etapa até as 6 horas da tarde e à noite geralmente corrigia simulado. No domingo, eu estudava à tarde. Era assim: estudava umas três horas, fazia uma pausa de uma hora e estudava mais três horas. Isso quando estava mais descansado. Quando não, estudava duahoras.

Qual a diferença da aula do reforço para a aula convencional?

Acho o RPM muito importante, porque, além de os exercícios serem mais difíceis, os professores mostram métodos alternativos. Isso abre muito a mente na hora de enfrentar uma coisa mais difícil.

Em quais matérias você tinha de se empenhar mais?
Tinha muita facilidade em Física, no geral, mas nãoem Eletrodinâmica, em especial. Também tenho dificuldade em Geografia Física e Geopolítica. Em julho, nas férias, consegui “vencer” Eletrodinâmica e nenhuma parte de Física continuou a ser problema.

E Geografia?
Geografia continuou difícil. Mas eu sempre fiz resumo de todas as matérias, e em Geografia eu desenhava os mapas, procurava escrever às vezes coisas que não estavam na apostila, que o professor tinha falado, incluía no resumo.

Em quais matérias você tinha uma base mais forte?

Não sei se tem alguma. Mas, mesmo História do Brasil, que eu nunca tinha visto até entrar aqui, peguei bem rápido. Então você teve crescimento geral nas matérias… Eu cresci bastante em todas as matérias. Quando prestei Fuvest no 3º ano, acertei duas questões de Matemática. Não lembro se realmente fiz as questões ou se foi na sorte. Este ano acertei oito com segurança. As outras duas não fiz porque não deu tempo.

Você ia ao Plantão de Dúvidas?

Usei bastante, principalmente no começo, quando eu estava muito defasado. Ia mais para Física e Matemática. Também usava o Plantão Virtual.

Com que frequência você fazia Redação?
No primeiro semestre era bastante irregular. Chegava a ficar um mês sem fazer. Mas sempre fazia as do RPM. E eu gostava muito de fazer as do tema da semana do site. Do Fique Esperto achava mais complicado, porque tinha prazo. No segundo semestre, comecei a fazer uma a cada 15 dias. Eu fazia redação com essa irregularidade porque nunca tive problema para escrever. Minhas notas geralmente eram C mais e tirei bastante A e B em Redação nos simulados.

Nos simulados, qual era seu desempenho?

No começo eu ia bem mal, a maior parte das notas era C menos. Uma coisa que eu costumava fazer e vi que não estava dando certo, era seguir a ordem da prova. Decidi mudar. Quando era simulado da Fuvest, por exemplo, eu deixava para o final Física e Matemática, que são as matérias de que eu mais gosto e que faço mais rápido. A mudança deu muito certo para mim, passei a tirar basicamente C mais. Mais para o final do ano, comecei a tirar B nos simulados escritos. Tirei alguns A, principalmente no Enem e em Redação da Unicamp.

Você via o que tinha errado nos simulados?

Via. Eu sempre corrigia, às vezes fazia anotações e colava no meu guarda-roupa, que ficou coberto de papéis, anotações, fórmulas e até frases de incentivo. Eu gostava de olhar para essas coisas.

Então, o treino nos simulados foi importante para você?

Sim, e tem também a questão do tempo, que é fundamental na prova. Eu consigo fazer exercício bem rápido e no simulado eu tentava fazer no menor tempo possível sem comprometer a qualidade da resolução. No fim do ano, eu acabava o simulado e saía logo depois do tempo mínimo. Aí eu já me sentia em condições de igualdade para brigar pela Pinheiros.

Alguma época foi mais difícil para você?
Final de maio, comecinho de junho, foi uma época em que eu achei que não ia aguentar vir todo dia até as férias. Achei que ia ter de dar uma parada. Mas não parei, continuei estudando.

Você disse que nas férias de julho conseguiu “vencer” Eletrodinâmica, em que tinha dificuldade. Você estudou muito nas férias?
Quando chegaram as férias de julho, eu estava muito cansado, mas também estava com muita coisa atrasada. Resolvi estudar. Nas duas semanas de férias estudei de segunda a sexta-feira, das 8 da manhã às 6 da tarde. Só não estudei nos dois fins de semana. Peguei matéria que eu não tinha entendido no começo do ano e vi que conseguia resolver. Voltei em agosto bem mais confiante. Não estava descansado, mas tinha motivação muito maior, me sentindo capaz de acompanhar o segundo semestre.

Você leu os livros indicados pela Fuvest como obrigatórios?

Os que eu já tinha lido antes do cursinho, Dom Casmurro e Vidas secas, eu não reli. E durante o cursinho eu li Memórias de um sargento de milícias e A cidade e as serras.

Não leu tudo por que motivo?

Falta de tempo. Eu não consigo ler no ônibus e aproveitava para dormir quando estava voltando para casa. Mas li os resumos e fui às palestras.

Com as palestras você conseguiu se inteirar das obras?
Sim. Eu lia os resumos antes das palestras para saber do que o professor estava falando. Fora que em sala os professores explicam muito bem. Na revisão final, por exemplo, os professores de literatura focavam a leitura obrigatória. Eu já tinha tentado fazer os exercícios antes da aula, então sabia onde estava com dúvida ou não. Isso ajudou bastante. Literatura me ajudou a passar. Fui bem mesmo.

Em qual vestibular você achava que tinha mais chances de entrar?
Achava que ia pegar a UFSCar pelo Enem. São 180 testes e uma redação. Eu nunca tinha feito prova escrita antes e me sentia bastante inseguro com relação aos outros exames.

Qual foi sua pontuação na 1ª fase da Fuvest?
Com bônus ficou em 79.

Por matéria, como foi?
Gabaritei Física e acertei oito questões de Matemática. Das outras matérias eu não lembro. Lembro que fui mal em Geografia e Química.

O que achou desse resultado?
Fiquei decepcionado. Achava que ia fazer na casa dos 80. Nos últimos simulados eu estava fazendo quase 80 pontos. E os simulados costumam ser mais difíceis.

Para a 2ª fase você mudou alguma coisa no seu método de estudos?
Mudei. Passei a assistir só às aulas das matérias em que eu tinha mais dificuldade. Mas continuei chegando no Etapa às 6 e meia da manhã e ficava até umas 9 horas da noite na Sala de Estudos. Eu e duas amigas estudamos muito pesado, a gente se ajudava bastante.

Na 2ª fase da Fuvest, quais foram suas notas?
Tirei 72,5 na redação e minha nota final em Português foi 67. Na prova geral do segundo dia, minha nota foi 72. No terceiro dia, na prova específica, tirei 82.

Na escala de 0 a 1000, qual foi sua pontuação?

798.

Sua classificação na carreira?
24º lugar [à frente de 151 aprovados na Medicina USP, isto é, 86% dos 175 convocados].

Como ficou sabendo de sua aprovação na Fuvest?
Eu tinha desligado o telefone de casa e meu celular, porque não queria que ninguém me contasse. Eu queria ver com calma. Mas meu pai ligou no celular do meu irmão, que me acordou gritando, pulando. Aí liguei o celular, tinha 300 ligações, mensagens. Entrei na internet para ver o meu nome na lista e ter certeza de que era a Pinheiros. Quando vi que era verdade mesmo, comecei a chorar.

O que vem na cabeça nessa hora?
É nessa hora que você tem certeza de que tudo de que abriu mão foi por um bem maior. E que, quando você realmente se esforça, a recompensa vem. Eu estava feliz por não ter de fazer cursinho de novo e me senti grato por ter feito o cursinho, que me permitiu passar.

Você já conhecia a Pinheiros?
Conheci no dia da lista. Eu vim para o Etapa e os veteranos da Pinheiros nos levaram para a atlética. Eles fizeram uma recepção que eu nunca imaginei.

Do que você viu até agora na faculdade, o que mais chamou sua atenção?
O que eu acho mais legal é que a Pinheiros oferece muito mais opções do que o normal e o aluno tem muita liberdade para se direcionar para o que gosta. Se quiser, você pode entrar na questão de administração de hospital, pode participar de ligas, pode ir atrás de esportes. Você pode fazer da sua graduação um modelo único. Ninguém vai ter uma igual.

Quais matérias você tem neste semestre?
São sete: Biologia Celular, Bioquímica, Biologia Molecular, Fisiologia de Membranas, Anatomia, Introdução à Medicina e Atenção Primária à Saúde. Só duas são na Pinheiros, Introdução à Medicina e Atenção Primária à Saúde. Todas as outras são na Cidade Universitária.

De qual você gostou mais?
Anatomia. E Bioquímica é bem legal, ao contrário doque eu imaginava.

Qual matéria exige mais atenção?
Fisiologia de Membranas. É bem complicada.

Você está participando de alguma atividade?
Estou. Sou plantonista do MedEnsina em Física, Química e Matemática. Faço parte da bateria, do time do handebol e vou agora tentar entrar nas ligas.

Em quais ligas você quer entrar?
Nem todas são abertas aos alunos do 1º ano. Das que estão abertas, a que mais me chamou a atenção é a de Cirurgia do Trauma.

Dentro da carreira você tem alguma ideia do que pretende fazer?
Neurologia é uma área que me interessa bastante. Oncologia também. Mas está muito cedo para dizer o que vou fazer.

O que você diria a quem não conseguiu entrar este ano?
Quem não passou tem uma grande vantagem, que é já ter vivido a experiência do vestibular. Isso faz uma tremenda diferença. Essas pessoas têm de pensar quevai ser mais fácil do que no ano anterior.

Como fica marcado o ano passado para você?
Foi um ano sofrido, mas eu me sentia em paz, porque estava no caminho certo. Estudar não era um sacrifício. Claro, havia o cansaço, mas era algo que eu via como parte do processo.

Hoje você está diferente de quando entrou no cursinho?
Sem dúvida. Antes de entrar no cursinho eu não conseguia estudar meia hora sem perder o foco. Hoje eu consigo estudar durante seis horas tranquilo. E foi tentando dia após dia no cursinho que eu consegui isso.

O que você tira de lição do ano passado?
Que nada é impossível. Quando entrei no cursinho, eu achei que nunca conseguiria Medicina. Mas consegui em um ano e não foi tão difícil quanto eu imaginava.

Você quer dizer mais alguma coisa para a turma deste ano?
Acho que as pessoas, além de não desistir, têm de manter o foco. Tenha em mente que a graduação que você quer vai definir a sua vida daqui para frente e não desista. Desistir tem de se tornar mais difícil do que continuar.

Por: Jornal Etapa

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