Por: Santa Giulia

Serão apresentados noções de Sistema de Classificação, Unidades Sistemáticas e Nomenclatura Botânica. A Botânica Sistemática tem por fim a identificação das plantas, sua classificação, segundo uma ordem racional ( Chadefaud & Emberger ).

Os botânicos anglo-americanos empregam um termo Taxonomia ao invés de Botânica Sistemática, adotada na Itália, França e Alemanha (Wettstein ).Segundo Heywood o termo sistemática é usado para designar o estudo científico da diversidade e diferenciação dos organismos e as relações entre eles. O termo Taxonomia é a parte da Sistemática que trata do estudo da classificação, incluindo suas bases, princípios, procedimentos e regras.

Taxonomia – ciência da classificação, segundo Hitchook:
Táxis = arranjos, ordem
Nomos = lei quando aplicada a Biologia.
Daí podemos referir a:
Botânica Taxonômica em se tratando de plantas
Zoologia Taxonômica, quando tratando se de animais .

Há outras expressões equivalentes como:

Taxinomia, Taxionomia e Taxeonomia.

Para Lawrence, Taxonomia é a ciência que trata da identificação, nomenclatura e classificação das plantas, numa ordem racional, denominada Sistema.

A Taxonomia pode ser considerada a mãe da Ciência Biológica, pois antes que o homem possa estudar as estruturas, modo de crescimento, modo de reprodução e nutrição das plantas, ele deve ter conhecimento prévio do seu nome científico e suas características gerais.

Para tanto é necessário saber as afinidades dessas plantas com outras, de outros grupos. Isso é Taxonomia Vegetal.
Qualquer pessoa trabalhando com plantas, depende do Taxonomia.

Para bem entender o escopo e a função da Taxonomia, é necessário o conhecimento do significado de Identificação, Nomenclatura e Classificação .

É necessário também conhecer como cada indivíduo difere do outro e como eles são interdependentes .Assim, a Identificação “E a determinação de uma planta como sendo idêntica ou semelhante a uma outra, cujos elementos ( caracteres morfológicos ) são previamente conhecidos, ou sendo diferentes de outros, previamente conhecidas, muito embora possa ser um elemento novo para a ciência”.

A identificação pode ser feita por comparação a um elemento previamente conhecido ou comparando a uma descrição escrita por autor ou taxonomista competente .Se alguém contar a você somente o nome comum de uma planta, ele já identificou a planta, porém essa identificação pode ser incorreta, pois, que a correta identificação deve seguir a definição acima (Comparar com outras plantas já previamente conhecidas ou a descrições previamente consultadas nas floras, manuais, etc. ..) Nomenclatura- Tem como referência a correta dominação das plantas que foram identificadas. É a parte da Taxonomia que nos fala como chegar a determinação do correto nome, se é um sinônimo ou se ele ( nome ) não foi ainda estabelecido.

A Nomenclatura botânica usa nomes latinos. A denominação das plantas é controlada por uma regra rígida.

Classificação – É a colocação da planta ( ou grupo de plantas ) em categorias de acordo com um sistema estabelecido e em conformidade com a nomenclatura do sistema.

Um sistema de classificação das plantas muito simples e que foi empregado no século XVI, é o que agrupa as plantas em: Ervas, arbustos e árvores.
Um outro, pode divertir as plantas em: algas, liquens fitos (Pteridófitos), coníferas, dicotiledôneas e monocotiledôneas.

Classificação é o agrupamento daquelas plantas cujas semelhanças são maiores do que as diferenças.

Na prática, espécies de plantas tendo muitos caracteres em comum são reunidas sob o nome de gênero, assim os diferentes lírios são referidos como espécies do gênero Lilium.
Gêneros semelhantes tais como Tulipa, Fritilaria, são classificados como pertencentes a uma mesma família, chamada Liliaceae.
Os sistemas modernos de classificação alinham ou agrupam os vários grupos de plantas de acordo com suas presumíveis relações.

SIGUINIFICADO TAXONÔMICO

Qual a finalidade da Botânica Sistemática?
Qualquer compreensão dos recursos naturais do globo requer uma apreciação e conhecimento das plantas .
O papel da Taxonomia é fundamental e freqüentemente considerado básico.

O objetivo primário da Taxonomia como pré-requisito para todos os demais estudos e uso das plantas é prever uma relação das espécies vegetais crescendo ou existente no globo.
Nos últimos 200 anos os botânicos tem relacionado e trabalhado na confecção de listas das espécies de plantas.

Apesar das facilidades atuais de transporte, os botânicos ainda não conseguiram atingir a uma relação completa das plantas, devido a impossibilidade natural de se chegar a todas as áreas do globo. Assim é que apenas 3/5 partes das plantas existentes são conhecidas com imperfeições.

Além das plantas atual ente existente, há ainda as plantas que já existiam em eras passadas, cujos estudos tornaram-se mais difíceis ainda, porém possíveis .Assim sendo, o objetivo da Sistemática moderna: é a identificação e classificação das plantas atuais viventes e daquelas que existiram em eras geológicas passadas e reuni-las em um Sistema filogenético.

Um Sistema deve :

  1. Satisfazer as exigências científicas de mostrar as relações filogenéticas das plantas entre si;
  2. Apresentar uma função prática e sintética.

Para se chegar a esse objetivo, a Botânica Sistemática é auxiliada pelos demais ramos da Botânica, tais como:

Morfologia e Anatomia Comparada,
Genética Experimental,
Citologia,
Química,
Palinologia,
Fito-paleontologia,
Fitogeografia,
Organografia, etc. …

Sistema de Engler (1954)

Divisão – Bacteriophyta ;
Divisão – Cyanophyta ;
Divisão – Glaucophyta ;
Divisão – Myxophyta ;
Divisão – Euglenophyta ;
Divisão – Pyrrophyta ;
Divisão – Chrysophyta ;
Divisão – Chlorophyta ;
Divisão – Charophyta ;
Divisão – Phaephyta ;
Divisão – Rhodophyta ;
Divisão – Fungi ;
Divisão – Lichenes ;
Divisão – Bryophyta ;
Divisão – Pteridophyta ;
Divisão – Gymnospermae ;
Divisão – Angiospermae ;

  • Classe 1 Monocotyledoneae
  • Classe 2 Dicotyledoneae

UNIDADES SISTEMÁTICAS
TAXON

Conforme estabelece o “International Code of Botanical Nomenclature “, Utrecht 1952 citado pelo “Sylabus der Plfanzen familien” 1954, são as seguinte as unidades sistemáticas ou táxon e suas respectivas terminações:

Divisão ( phylum, divisio ): phyta……………………ae
Subdivisão ( subphylum, subdivisio ): phytina
Classe ( classis ): opsida ( Gymnospermae ); eae ( Angiospermae ) phyceae ( Algas ); mycetes ( Fungos ) lichenes (liquens)

Subclasse (subclassis): ideae
Phycidae (algas);
mycetidae (Fungos)
Coorte (cohors): iidae
Ordem (ordo): ales
Subordem (subordo): inales ou ineae
Grupo de famílias: ineales
Família (família): aceae
Subfamília (subfamília): oideae
Tribo (tribus): eae
Subtribo (subtribus): inae
Gênero (genus)
Subgênero (subgenus)
Secção (sectio)
Subsecção (subsectio)
Série (series)
Espécie (species)
Subespécie (subspecies)
Variedades (varietas)
Subvariedades (subvarietas)
Forma (forma)
Linha (linha)
Clone (clone) .

Todas as unidades sistemáticas são abstrações, somente o indivíduo é uma realidade concreta.

Na prática corrente usam-se apenas algumas dessas unidades ou táxon . Tomando como exemplo do material de Rosa Gallica L., podemos classificá-la no Sistema de A. Engler (1954) como segue:

Divisão: Angiospermae
Classe: Dicotyledoneae
Subclasse: Archichlamydeae
Ordem: Rosales
Subordem: Rosineae
Família: Rosaceae
Subfamília: Rosoideae
Tribo: Roseae
Subtribo: Rosinae
Gênero: Rosa
Subgênero: Eurosa
Secção: Gallicanae
Espécie: Rosa Gallica L.

Definição de espécie – A espécie é na prática, a unidade elementar . Segundo Wettstein, a espécie é definida como “Conjunto de indivíduos cujos caracteres, considerados essenciais pelos observadores, concordam entre si e com os dos descendentes”.

A definição de espécies é muito difícil em vista das dificuldades decorrentes, em parte da sua variabilidade, pois as espécies geram novas espécies de maneira contínua .Em geral as espécies filogeneticamente mais antigas diferem entre si por caracteres mais fáceis de se reconhecer, enquanto que as mais recentes apresentam por vezes insignificantes diferenças.

Gênero – É o agrupamento de espécies semelhantes ou parecidas entre si. Ao contrário da espécie é de conceito abstrato.

Há certos gêneros que compreendem apenas uma espécie, há outros com inúmeras espécies.

Família – Reúne gêneros semelhantes e estas estão reunidas em classes e as classes em Divisão.

A Divisão representa a maior categoria dentro de um sistema de classificação. O número de divisões em que está dividido o reino vegetal dentro de um sistema de classificação é um pouco variável. Alguns sistemas com Van Tieghem divide em 4 divisões: Talófitas, Briófitas, Pteridófitas e Fanerôgamas e o de Engler(1954), compreende 17 divisões. (como mostrado anteriormente).
Subespécie – Considerada por alguns como raça da unidade mais jovem do sistema, cuja origem de uma determinada espécie se manifesta por meio de formas intermediárias existentes, segundo autores como Lawrence, considera-o como uma espécie incipiente.
As subespécie não são isoladas geneticamente, mas sim no espaço ou no tempo e se separam por um certo número de caracteres. É uma unidade de classificação infra-específica.
Variedades – Para alguns autores é tratada com subespécie, para outros é considerada como uma interrupção no seio da subespécie. Está ligada contudo a espécie.

Nem sempre a variedade tem um sentido definido, principalmente entre os horticultores e botânicos. É difícil estabelecer os limites entre variedades e subespécie.
As mesmas dificuldades existem para o conceito de Subvariedades, forma, mutação e clone .

Clone – É em geral considerado como um indivíduo originado por via puramente vegetativa ou assexuada (estaquia, alporquia, apogamia). Este termo está mais ligado aos melhoramentos genéticos do que a Taxonomia.

NOMENCLATURA
BOTÂNICA

A Nomenclatura em Botânica aprovada em Congresso Internacional, é muito precisa e suas regras são rigorosas .

Os nomes genéricos têm forma substantivas (masculinas e femininas ou neutras) e se escrevem com iniciais maiúsculas, seguidos do nome abreviado do autor ou inventor. Exemplos: Coffea L. (Lineu), Caffa (distrito do Sul da Abssínea); Zea L., Oryzea L., Myrciaria Berg .

A Nomenclatura da espécie é uma nomenclatura binária (dois nomes). Foi Lineu que a inventou e é usada em Biologia. É composta do primeiro nome genérico, seguido um segundo, o epíteto específico, geralmente um adjetivo e que exprime uma qualidade da planta ou nome do seu descobridor, ou ainda uma homenagem a alguma pessoa.

Epíteto palavra ou frase que qualifica pessoa ou coisa. Freqüentemente, junta se ao nome da espécie forma abreviada o nome do classificador. Vide exemplos. Os epítetos específicos correspondentes a nomes de pessoas são escritos com inicial maiúscula, por se tratar de nome próprio. Hoje em dia os botânicos tendem a usar a grafia específica com inicial minúscula .

Exemplos: Avena sativa L., Triticum sativum Lam. (Lamark) Coffea arábica L., Eucalyptus saligna Smith., Zea mays L..

A subespécie designa-se por sub sp ou ssp., a variedade por var. ., a forma por fa ou f e mutação por mut .

Andropogon tematus sub sp. Macrothrix
Coffea arábica L. var.bullata Cramer
Coffea arábica L. var. bourbon fa xanthocarpa
Fagus sylvatica mut. Purpurea .