“Sou veterinária especialista em reprodução animal. Trabalho em laboratório, utilizando biotécnicas de reprodução assistida para produzir embriões e contribuir com o melhoramento genético de rebanhos bovinos. Com a Fertilização in vitro (FIV), melhoramos a capacidade reprodutiva de animais geneticamente superiores e multiplicamos rebanhos com características produtivas desejáveis em pouco tempo. A partir dos óvulos de uma fêmea de destaque (por exemplo, uma campeã nacional), podemos produzir embriões em laboratório, que depois de serem fecundados e desenvolvidos in vitro, são implantados em vacas comuns, chamadas de receptoras ou barrigas de aluguel. O sêmen pode ser escolhido pelo criador e, com uma dose, é possível fecundar várias fêmeas. A principal vantagem é a de que vacas de alto valor genético e comercial, em vez de gerarem um terneiro por ano, poderão gerar em média duas prenhezes por mês.”

Eliza Rossi Komninou, 30 anos, é formada em Medicina Veterinária pela UFPel e presta serviços que utilizam biotecnologia

Biotecnologia

O que faz:

Estuda os sistemas biológicos para atuar em áreas como produção de alimentos, ambiente, vacinas, fármacos, melhoramento genético animal e vegetal, biologia molecular e engenharia de proteínas. Ele modifica o DNA de organismos para benefício do ser humano

Mercado

O fomento ao uso da biotecnologia para melhorar o conteúdo nutricional de alimentos sinaliza bom campo de atuação. O setor cresceu com a política nacional de desenvolvimento da biotecnologia, que incentiva os estudos científicos na área. Há vagas em institutos de pesquisa, universidades e empresas de biotecnologia.

O curso

Dura quatro anos. É aconselhado que os formandos invistam em pós-graduações, especialmente se querem abrir empresas.

Remuneração

Não há profissionais graduados no Estado e são poucos no país. Além disso, a profissão ainda não está regulamentada. Segundo Tiago Collares, coordenador do curso de Biotecnologia da UFPel, os ganhos iniciais seriam, em média, de R$ 4 mil.

Onde estudar

UFPel, UFRGS e Unipampa

Primeiro curso do Estado foi lançado em 2008

A profissão, porém, é nova e ainda não foi regulamentada no país. No Rio Grande do Sul, o primeiro curso de Biotecnologia foi lançado em 2008 na UFPel. Muita gente, porém, já trabalha na área – na qual o Brasil é muito respeitado internacionalmente, aponta Collares. Isso porque, antes de aumentar a demanda e surgirem graduações específicas, biólogos e médicos veterinários se especializavam em biotecnologia (o que ainda ocorre).

O próprio Collares é formado em Biologia e Medicina Veterinária, e Canedo tem formação em Genética. Ambos, porém, escolheram se especializar na área.

Pesquisa no DNA

Clones e transgênicos são áreas de atuação do biotecnólogo

Manipular o DNA de células e organismos vivos para benefício humano, animal e ambiental – essa é principal função do biotecnólogo. Ele aplica o conhecimento biológico para desenvolver produtos e processos inovadores. O biotecnólogo atua, por exemplo, em três áreas polêmicas: células-tronco, clones e transgênicos.

– Ele conhece os genes de uma bactéria com atividade inseticida e desenvolve uma planta com essa atividade também, o que, naturalmente, seria difícil de conseguir – exemplifica o argentino Andrés Delgado Canedo, 35 anos, coordenador do curso de Biotecnologia da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em São Gabriel.

Esse profissional também trabalha nas áreas médica (vacinas e medicina personalizada), animal e agropecuária (para aprimorar a genética e a fertilização in vitro) e ambiental (desenvolvimento de bactérias que neutralizarão um vazamento de petróleo, por exemplo). Como trabalha em setores delicados, o biotecnólogo deve estar ciente da ética envolvida, e de que há uma série de leis e regulamentações a serem respeitadas.

– Não se pode brincar de Deus, pegar o DNA e fazer o que bem entender – pondera o coordenador do curso de Biotecnologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Tiago Collares, 33 anos.

Por: Zero Hora