Por: Portal Juventude

Terceiro ano do Ensino Médio. A galera toda reunida para a colação, a festa de formatura é das baladas mais esperadas. Amizades que permanecerão intactas para sempre. Outras que diminuirão durante o tempo, mas nunca serão esquecidas. E agora, o quê vai ser daqui pra frente?

Escolher a profissão que nos identifique realmente não é fácil. E se a dúvida estiver entre Medicina e Direito? Nossa, isso é tarefa para um orientador vocacional. Este profissional é um psicólogo especializado em matar todas as minhocas que os pré-universitários criam em suas cabeças na hora de escolher uma carreira.

A coordenadora do curso de Orientação Vocacional da USP (Universidade de São Paulo), Maria da Conceição Coropos Uvaldo, respondeu a algumas perguntas intrigantes neste período de vestibular. Leia a entrevista que ela deu ao Portal da Juventude abaixo:

Quem vai prestar vestibular agora provavelmente está estudando e pensando nisso desde o início do ano. É comum, mesmo assim, muitos candidatos ainda não terem definido que carreira vão escolher?
É mais comum do que se pode imaginar. Os jovens pensam que a escolha profissional é muito distante. Sentem-se nervosos com a responsabilidade da escolha do seu futuro.

Existe algum prejuízo em esperar até a última hora para escolher a carreira, ou é melhor esperar todo o tempo possível, caso a resposta ainda não seja clara?
Sim. Pense antes. O ideal é pensar já no 2º ano do Ensino Médio, tirar e esclarecer as dúvidas, procurar um profissional desde cedo. A possibilidade de explorar as carreiras é maior neste período.

Qual a sua sugestão para os jovens que, por exemplo, estão divididos entre carreiras tão distintas como Direito e Medicina?
Ele deve saber o porquê de escolher cada carreira. Colocar os prós e os contras de cada profissão. Quais são as motivações e interesses que o levam a escolher aquela profissão ou outra. Uma dica é olhar a grade curricular de cada curso e saber se há identificação. Visitar a Faculdade que deseja estudar, conversar com estudantes que já fazem o curso, os professores, saber se gosta ou não. Mais do que isso, deve também buscar outras profissões para saber se é isto mesmo que quer seguir.

É recomendável a todos os jovens visitar ou assistir uma aula do curso que querem cursar?
Sim. Assistir nem tanto, pois há uma certa dificuldade para entrar na sala. Mas o jovem deve conhecer as instalações, os professores. Isto traz mais segurança para entrar na Faculdade. Ele também deve saber se a instituição, no caso particular, oferece bolsas de estudos e qual é o critério que eles adotam. O jovem deve sempre perguntar, para esclarecer todas as dúvidas.

Os pais influenciam muito na hora de escolher a carreira. As carreiras que têm pouco apelo financeiro continuam sofrendo preconceito?
Não é nem o apelo financeiro, pois nem sempre o retorno financeiro é proporcional ao investimento. Há uma certa ilusão de que escolher Medicina é ter sucesso na carreira, mas nem sempre é assim. Os pais devem participar do processo de escolha dos seus filhos e, com isso, eles vão se surpreender. Os pais devem compartilhar as questões, deixar de ter vergonha, quebrar preconceitos, mitos. O importante é estar ao lado do filho para esclarecer questões do seu futuro.

A maioria dos estudantes escolhe qual área: Exatas, Humanas ou Biológicas?
Na verdade, a escolha da profissão tem a ver com o momento histórico. Atualmente, profissões de Humanas como Comunicação, Design e entretenimento em geral têm tido mais ascensão. Esta escolha é muito irrisória frente às outras. É claro que o curso de Medicina é o mais concorrido da USP. Mas ao analisarmos as outras Universidades, vemos que há um grande número de estudantes nos cursos de Humanas. O mercado propicia isso. A sociedade valoriza este tipo de curso.

É aconselhável o teste de orientação vocacional?
Com certeza. Qualquer um que tenha dúvida sobre qual profissão seguir, sobre escolhas no mercado de trabalho e que tenha acima de 14 anos pode fazer o acompanhamento com um psicólogo especializado em orientação profissional.

Qual a probabilidade de acerto da orientação? Os estudantes acabam seguindo a carreira mais indicada para eles no teste?
Os jovens acabam optando pela profissão do teste e se sentem satisfeitos. Eles acabam aprendendo a lidar com conflitos e caminham mais confiantes.