Por: Marcecla Campos – Gazeta do Povo

Nem só de sala de aula é feita uma boa preparação. Estrutura de apoio, carga horária flexível e mensalidades acessíveis também são fatores analisados pelos estudantes.

Com a divulgação do resultado dos principais vestibulares do país, quem não encontrou o nome na relação dos aprovados se prepara para iniciar (ou reiniciar) um cursinho. E os critérios avaliados pelos estudantes na seleção dos preparatórios não são poucos.

Qualidade do corpo docente, carga horária flexível, aulas de apoio e mensalidades compatíveis com o orçamento familiar rendem pontos às instituições. “Eu e meus pais queríamos um lugar com preço acessível e boa qualidade de ensino. Pensamos no melhor custo-benefício”, explica Anderson dos Santos Bueno, 17 anos, que terminou o ensino médio em 2008, nunca fez cursinho e disputará, pela segunda vez, uma vaga no curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas da UFPR.

Arilene Araújo da Cruz, 21 anos, também fez uma pesquisa de preços antes de se matricular em um pré-vestibular e verificou o que as escolas oferecem paralelamente às aulas. Ela conta que decidiu estudar em um cursinho onde os professores fazem revisões dos conteúdos aos sábados e plantões diários no contraturno para tirar as dúvidas dos alunos. A oferta de carga horária compatível com a rotina de Arilene também foi fundamental. “Trabalho das 9 às 15 horas e o fato de a escola oferecer aulas à noite foi bem importante, pois preciso continuar trabalhando para pagar o cursinho”, conta ela, que prestará vestibular pela primeira vez em 2009.

Recomendação de amigos também influencia escolha

De acordo com Anderson Bueno, a indicação de amigos foi outro fator que interferiu na escolha do preparatório. “Eu procurei vários lugares e fiz a minha escolha por indicação de amigos que haviam passado no vestibular. Eles comentaram que os professores do cursinho onde me matriculei são muito bons e explicam bem os conteúdos”, diz. A experiência de quem já passou pela sala de aula de um pré-vestibular também ajudou o estudante do 2º ano do ensino médio Vicente Papatolo Conceição, 16 anos, que entrará em um curso direcionado à Escola Preparatória de Cadetes do Exército (Espcex), cujo concurso seleciona alunos que estejam ingressando no 3º ano do ensino médio. “Meu irmão estudou em dois cursinhos que preparam para escolas militares e me indicou um deles”, afirma.

Salas pequenas

Segundo Nara Regina Becker Ploharski, professora do curso de Pedagogia da PUCPR, o ideal seria que o aluno não precisasse fazer um pré-vestibular. Ela considera que os cursinhos, em geral, não preparam os estudantes para a vida e apenas ensinam macetes para o concurso. Mesmo assim, a recomendação da professora para quem está à procura de um preparatório é avaliar, entre outros critérios, a competência dos professores e o número de alunos por sala. “Um ambiente com número alto de alunos promove uma massificação e não pode ser chamado de sala de aula”, diz.

Modalidades

Além de escolher onde estudar, o aluno deve avaliar a modalidade de pré-vestibular mais adequada ao seu ritmo e perfil.

Extensivo – normalmente começa em março e vai até dezembro. “O extensivo é indicado principalmente para o aluno que parou de estudar há algum tempo, e para quem tem dificuldade em compreender os conteúdos. Na primeira semana de aula, nossos professores fazem um nivelamento dos estudantes, com uma introdução à Matemática, Física e Química”, explica a diretora pedagógica do Curso Desafio, Rose Ferracini.

Superintensivo – alguns cursinhos oferecem uma revisão geral, de aproximadamente um mês, baseada na resolução de exercícios. As aulas são realizadas nos dias que antecedem as provas do vestibular. “O super é recomendado para alunos que estão em boas escolas e desejam apenas uma revisão final”, afirma o diretor do Dom Bosco.

Semiextensivo – o semi aborda o mesmo conteúdo do extensivo, mas em ritmo mais acelerado, pois tem a metade da duração. É recomendado para quem já fez o extensivo ou está na faculdade e deseja prestar vestibular novamente. “Para o aluno que tem deficiências de aprendizagem, o semi não é o ideal”, ressalta o diretor do Curso Dom Bosco, Ari Herculano de Souza. Em Curitiba, há escolas que oferecem o semi apenas no segundo semestre.

Terceirão – último ano do ensino médio, mas com enfoque especial no vestibular. Ofertado por escolas particulares, é denominado terceirão porque todos os conteúdos do ensino médio são revisados durante o ano. A vantagem é que o aluno faz o ensino regular e o pré-vestibular em um único turno. A opção, porém, pode não ser a ideal para o aluno que estuda na rede pública. “Sugerimos que esse aluno permaneça na escola pública, para obter o benefício das cotas e aproveitar as bolsas do ProUni, e no outro turno faça o extensivo ou o semi”, recomenda o diretor do Curso e Colégio Unificado, Jacir Venturi.