Fonte: Gazeta do Povo

A preparação para o vestibular não exige apenas equilíbrio emocional e meses de estudo, mas alguns gastos adicionais, incluindo as taxas de inscrição para o concurso. Nas universidades públicas do Paraná, os valores cobrados dos candidatos variam de R$ 70 a R$ 90, preços semelhantes aos praticados por instituições paulistas e cariocas, e que podem pesar no bolso dos estudantes que pretendem se inscrever em mais de um processo seletivo.

Aspirante à carreira militar, Carla Cristina Gomes, 20 anos, irá prestar vestibular para a Academia da Força Aérea (AFA), o Instituto Militar de Engenharia (IME) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Segundo Carla, só será possível bancar os R$ 235 (R$ 60 da AFA, R$ 90 do ITA e R$ 85 do IME) das taxas de inscrição porque ela conseguiu um emprego na secretaria do cursinho onde estuda. “Já fiz as inscrições, mas por enquanto só paguei a da AFA.

O período de inscrições é o mesmo nos três lugares e as escolas militares não oferecem isenção para alunos carentes, por isso ficou um pouco pesado. Mas já conversei com o pessoal do cursinho e eles vão pagar as taxas para mim”, conta ela, que se mantém com uma pensão de aproximadamente R$ 700 pela morte da mãe.

Arrecadação milionária em São Paulo A Fuvest, fundação responsável pelo vestibular da Universidade de São Paulo (USP), o maior do país, recebeu no ano passado 142 mil inscrições.

Do total de candidatos, 27 mil (19%) conseguiram a isenção total da taxa de inscrição, de R$ 100. Ao todo, foram arrecadados R$ 11,5 milhões. “Todo o dinheiro que recebemos com as taxas é gasto na aplicação do vestibular.

Além disso, é preciso que fique uma reserva para o próximo vestibular, a manutenção do prédio da fundação e a concessão de bolsas de estudo, repassadas durante um ano para calouros egressos de escolas públicas”, explica José Coelho Sobrinho, coordenador de comunicação da Fuvest.

O caderno Vestibular entrou em contato com o Núcleo de Concursos da UFPR para saber o destino que a universidade dá ao dinheiro arrecadado com o vestibular, mas não obteve resposta.

Redução no valor da taxa

Candidata a uma vaga no curso de Medicina, Samíria Sfair de Oliveira, 18 anos, prestará vestibular em sete instituições para aumentar as chances de ser aprovada. No Paraná, fará as provas da UFPR, PUCPR, Positivo, Evangélica e UEPG. Também participará dos processos seletivos das universidades federais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Ao todo, deve gastar cerca de R$ 600. A estudante diz que desistiu de fazer alguns vestibulares pelas despesas que teria. Ela lembra que, além dos custos com as inscrições, os candidatos muitas vezes precisam gastar dinheiro com viagens e hospedagem. “Eu iria fazer vestibular no meio do ano para a UEM, mas gastaria mais ou menos R$ 600 com inscrição, viagem e hospedagem.

Não valeria a pena. No Rio Grande do Sul, tive de optar por uma das duas universidades públicas que oferecem o curso de Medicina. Os processos seletivos dessas instituições ocorrem em datas diferentes e eu gastaria com duas viagens”, afirma. Ana Rita de Oliveira, mãe de Samíria, conta que a família precisou abrir mão de alguns hábitos para bancar os custos do vestibular. “Antes, almoçávamos fora pelo menos duas vezes por mês, mas agora não saímos mais. Também cortamos despesas com roupas.

Além disso, nada de viagens este ano”, afirma. Mesmo com tantos gastos, Ana Rita acredita que vale a pena investir em processos seletivos de diferentes instituições de ensino. “Deixamos a Samíria fazer vestibular em vários lugares porque o curso que ela quer é muito concorrido”, diz.

Candidata ao curso de Medicina da UEM, Rafaela de Souza Ribeiro, 17 anos, ressalta que em algumas universidades de São Paulo e Rio de Janeiro o valor da inscrição depende da graduação escolhida pelo candidato. “Há instituições que cobram até R$ 185 para quem vai fazer Medicina, enquanto para outros candidatos a taxa é de R$ 90”, exemplifica. No Paraná, a taxa também pode variar.

No vestibular do fim de 2007 da Evangélica, enquanto os alunos de outros cursos pagaram apenas R$ 40, o valor da inscrição para os candidatos de Medicina foi 400% maior: R$ 200. Segundo a Evangélica, a taxa é maior porque a elaboração das provas e a organização do vestibular são terceirizadas. Além disso, as provas para Medicina são diferentes e ocorrem em outras datas e locais, encarecendo o vestibular.