Revoluções Hispano-Americanas

História — Escrito por

Por: Felix

De 1810 a 1825, ocorreram, na América espanhola, as chamadas Revoluções Hispano-Americanas, foram revoltas lideradas pela elite criolla, que buscava sua liberdade econômica e o direito de se autogovernar, recuperando e ampliando a autonomia que possuía antes das Reformas Bourbônicas (ver resumo da “Independência da América espanhola”).

Como o governo espanhol se negava a fazer concessões, as revoltas passaram a ter cunho separatista, visando a independência das colônias. Não apenas lutas contra os espanhóis, as Revoluções viraram guerras civis, dividindo os criollos entre liberais e conservadores (os que queriam a independência completa, com exclusão de privilégios do clero e do exército e os que preferiam continuar ligados à Espanha, respectivamente).

A guerra racial (índios contra brancos) e a revolução social (camponeses contra elites) também figuraram. O que foi uma constante nas colônias foi o poder na mão dos criollos, sobretudo representados por grandes chefes político-militares, conhecidos como caudilhos.

Os principais motivos impulsionadores das Revoluções podem ser assim enumerados:

  • 1. Reformas Bourbônicas. Geraram demasiado descontentamento por inibirem o poder administrativo das elites criollas e aumentarem os impostos na colônia.
  • 2. Impacto da Independência dos EUA e da Revolução Francesa: os ideais liberais e iluministas provaram-se capazes de serem postos em prática, dando esperança para os movimentos separatistas coloniais e estremecendo as bases do Antigo Sistema Colonial, que entrou em crise irrecuperável.
  • 3. Reinado de Carlos IV: Foi o monarca que reinou durante o início das Guerras Napoleônicas. Ao contrário do pai, Carlos IV foi um rei fraco, que praticamente entregou o poder para seu primeiro-ministro Manuel de Godoy, que era extremamente impopular e “burro”, sendo que todas suas decisões foram desastrosas para a Espanha e para o controle metropolitano sobre as colônias.
  • 4. Guerras Napoleônicas: enfraqueceram por completo a Espanha, tanto militarmente quanto politicamente.

Num primeiro momento, Manuel de Godoy se alia à coligação anti-francesa e leva uma linda sova. Com o Tratado de Santo Idelfonso, o de Godoy vira a casaca, passando para o lado francês, o que faz com que os espanhóis levem um surra pior ainda, ilustrada na Batalha de Trafalgar, quando o Almirante inglês Horatio Nelson arrasa com a marinha espanhola e francesa. Sem marinha, como controlar o império colonial do outro lado do Atlântico? No way, man!

Começam então os problemas nas colônias: em 1806/7 por exemplo, os britânicos invadem Buenos Aires, sendo expulsos pelos próprios criollos portenhos, que viram que não havia porque depender da metrópole.

Vem então o Tratado de Fontainebleau, em outubro de 1807, que combina a invasão de Portugal entre Espanha e França. A Corte portuguesa foge para o Brasil. Aproveitando a presença de suas tropas em Portugal e no norte da Espanha, Napoleão determina que Carlos IV conceda-lhe terras no norte do país. Carlos IV, totalmente manipulável, dá tudo que Napoleão pede (calma galera, nem tudo).

Decepcionada com seu Rei, a nobreza e o exército espanhóis rebelam-se e forçam Carlos IV a abdicar em favor de seu filho (Fernando VII), num episódio conhecido como Revolta de Aranjuez, em 18 de março de 1808. Napoleão interfere na briga, chamando Carlos e seu filho para Bayone, onde são forçados a abdicar e encarcerados. José Bonaparte assume o controle da Espanha, desencadeando revoltas do povo e da nobreza , gerando a Guerra Peninsular.

  • 5. Guerra Peninsular: episódio dos mais sangrentos das Guerras de Napô, a Guerra Peninsular foi a luta de libertação dos portugueses e espanhóis, que estavam sob julgo dos franceses; a Espanha e suas colônias estavam em estado de caos político e social. Espanhóis e portugas eram ajudados pelos britânicos e tinham o apoio dos colonos, que também queriam a volta do rei Fernando VII, “O Desejado”, que era mantido aprisionado na França.

Foram formadas juntas, comitês de resistência em várias cidades da Espanha e da América em nome do rei “no xadrez”. Em 1810, foram criadas as famosas Cortes de Cádiz, parlamento que reunia especialmente a burguesia espanhola, com caráter revolucionário, com o intuito de governar e manter a Espanha e suas colônias sob controle enquanto o rei não retornasse. Ao mesmo tempo que manteve a monarquia, limitou-a com uma Constituição liberal, expedida em 1812 (detalhe: embora houvessem delegados criollos, as cortes se negaram a conceder liberdade de comércio à colônia, o que era extremamente importante para estas, visto que a economia da metrópole não ia bem).

Enquanto as Cortes mantinham-se no poder, a situação na América era horrivelmente confusa: espanhóis no controle de algumas colônias, criollos no controle de outras e insurreições indígenas estourando contra criollos e espanhóis (a coisa tava preta – sem conotações racistas, por favor).

Os criollos estavam divididosem um grupo que queria a autonomia colonial e outro que era adepto de manter América e Espanha sob a mesma monarquia e sob a proteção do mesmo exército. Embora divididos, todos queriam direitos iguais aos dos chapetones, autonomia política e liberdade de comércio. (Como não conseguem, futuramente se rebelam para separar a colônia da metrópole.)

Em dezembro de 1813, quase 6 anos depois do início da Guerra Peninsular, Napoleão reconhece a derrota e assina o Tratado de Valencay, liberando o trono espanhol a Fernando VII, recebido com entusiasmo pelo povo.

  • 6. Reinado de Fernando VII: contrariando e frustrando as expectativas dos liberais na Espanha e nas colônias, o monarca, apoiado pela Igreja e pela nobreza tradicional, institui um governo conservador, anulando a Constituição de 1812. Impôs o Absolutismo e tentou restabelecer o controle metropolitano sobre as metrópoles, mandando tropas para coação de movimentos separatistas e para proteger as fronteiras do império colonial. Revoltas e guerras civis eclodiram em toda a América, ao mesmo tempo em que estourou, na Espanha, uma Revolução liberal (Revolução Espanhola; 1820-1823), que forçava Fernando VII a aceitar a Constituição de 1812, abolir os privilégios do clero e dar mais liberdade às colônias; iniciou-se uma guerra civil na própria metrópole. Em consenso, outros países europeus auxiliaram Fernando VII e esmagaram a Revolução. Nos três anos seguintes, o monarca instituiu uma posição extremamente conservadora, contrária à revolução liberal; mas já não havia mais jeito: a situação na colônia já era irreversível, em especial graças à intervenção dos EUA e da Grã-Bretanha.

7. Intervenção dos EUA e Grã-Bretanha: as duas maiores nações liberais da época tinham interesses econômicos nos territórios americanos (ampliação de mercados, obtenção de matéria-prima e comércio livre, especialmente), motivo pelo qual esses dois países ajudaram no processo de independência da América espanhola e portuguesa, impedindo que a Santa Aliança (criada no congresso de Viena para recuperar o status dos países anterior às Guerras Napoleônicas) retomasse os territórios para a Espanha e Portugal. Além do Liberalismo, entrou em cena a Doutrina Monroe, que afirmava que os países americanos tinham, sim, o direito de se separar de suas metrópoles e que não aceitariam intervenções estrangeiras na região, não interferindo também na Europa (“América para os americanos”).

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