Por: União

Discordo dos critérios de cotas atualmente adotados para o ingresso em universidades públicas, pois acredito que a capacidade mental independe de raça, origem social ou limitações físicas. Também não creio que ações paliativas, novas formas de discriminação, ajudem a superar preconceitos.

Não questiono o direito universal ao ensino de qualidade, mas discordo de modelos que não resolvem os problemas do Ensino Público Fundamental e Médio, e, por conta dessa incompetência, privilegiam uns, limitando ainda mais outros, não “cotados”, mantendo-os num limbo social.

Recentemente, no entanto, vi uma luz no “fim do túnel”, que não é uma locomotiva na contramão: um congressista propôs cotas nas universidades públicas para os egressos do Ensino Médio estatal.

Dentre as alternativas vigentes ou propostas, essa parece ser a mais lúcida face à incoerência das escolas públicas do Ensino Fundamental e Médio não terem a mesma qualidade reputada às universidades estatais. Essa deficiência, aliás, prejudica todos os alunos, independentemente de qualquer tipo de preconceito.

Reconheço que não é fácil propiciar condições de ensino ideais em todas as escolas públicas. Isso envolve investimentos em recursos materiais e humanos: equipamentos atualizados e bem mantidos, professores bem remunerados e em contínuo processo de formação, além de iniciativas para melhorar o contexto sócio-econômico em se desenvolvem os processos educativos.

Mas, enquanto o nível geral do ensino público não melhora, uma alternativa viável seria criar núcleos de excelência, destinados aos alunos com melhor desempenho acadêmico. As escolas técnicas públicas de nível médio têm exercido esse papel e são tão procuradas que o acesso é feito por meio de exame seletivo. Isso poderia voltar a ocorrer também no Ensino Médio convencional. Enquanto isso não acontece, a idéia do congressista de assegurar cotas nas universidades públicas com base no desempenho no ENEM é coerente.

Aliás, creio que o Exame Nacional do Ensino Médio deveria ser um “Vestibular Nacional” para as Universidades Públicas, com reserva de vagas proporcional à quantidade de vestibulandos egressos dos sistemas público e particular. Esse modelo seria único, extinguindo todos os demais tipos de cotas.

O ideal seria ter um ensino público universal de boa qualidade. Oportunidades iguais para todos! Mas, enquanto isso ainda for utopia, o mérito acadêmico dos alunos de escolas públicas deveria ser o único critério para acesso às universidades governamentais.

Adilson Luiz Gonçalves é Mestre em Educação Escritor, Engenheiro, Professor Universitário (UNISANTOS e UNISANTA)