Por: Alessandra Lemes Prado

Outro dia, perguntei a um aluno se ele havia decidido qual profissão seguir. Não sei por que, mas a resposta não me surpreendeu. Ele me disse que não fazia idéia, mas que faria um teste vocacional e que acreditava que o resultado desta atividade lhe indicaria a profissão correta a seguir. “Sin sala bin”, como se em um passe de mágica suas dúvidas fossem sanadas e uma resposta milagrosa emergisse.

Percebo muito disso em quase todos os adolescentes que passam por essa fase. Pode até parecer mais atraente procurar por respostas prontas do que construí-las. Um teste vocacional pode parecer o melhor caminho neste momento, pois se acredita que trará as respostas procuradas… Mas não é bem assim que funciona.

Vamos esclarecer algumas questões sobre os testes vocacionais. Um teste, seja ele qual for, é um instrumento que precisa ser utilizado de forma adequada, no momento correto e por um profissional habilitado. A orientação profissional é um processo que se desenvolve a partir de diversas atividades, alguns processos podem utilizar testes outros não. Existem diversos tipos de testes, uns medem inteligência, outros são mais conhecidos como inventários e se propõem a medir habilidades, valores e maturidade.

Há também os testes projetivos, onde a pessoa conta um pouco sobre si a partir de determinadas imagens.
Quando utilizados corretamente, os testes podem contribuir para o processo de decisão, mas não podem determinar sua escolha. Pois são como uma foto que tiramos em um determinado período da vida.  Sabe aquela foto sua de quando era pequeno (a)? Pegue-a e compare com uma atual.

Será que há alguma semelhança? Claro que sim, normalmente o olhar continua muito parecido, mas algumas coisas mudaram, como por exemplo, o formato do rosto, os cabelos, o tamanho do corpo etc. Em outras palavras, a essência continua a mesma, mas outras habilidades foram desenvolvidas.

Com o teste acontece a mesma coisa, ele capta muitas informações que se modificam com o tempo, pois estamos em constante desenvolvimento, aprendemos coisas novas e as adaptamos ao nosso dia a dia.

Como orientadora profissional, o comentário desse aluno me ajuda a levantar algumas hipóteses a respeito dos momentos que envolvem a escolha por uma carreira. Em linhas gerais, compreendo que a responsabilidade pela escolha profissional seja difícil e que é comum procurar apoio com amigos ou profissionais especializados para compartilhá-la.

Escolher uma profissão exige maturidade e nem sempre estamos prontos para realizá-la.  Quando uma pessoa diz que fulano é maduro para sua idade, normalmente está se referindo à capacidade de adaptação ou ajustamento que essa pessoa tem ao lidar com os acontecimentos em seu dia a dia.

Mas a maturidade vai um pouco além, consiste em sermos capazes de produzir o resultado esperado, a partir de um conjunto de atitudes pessoais que envolvem responsabilidade, auto-conhecimento, capacidade de reflexão crítica, independência da opinião externa e um razoável grau de determinação.

Ter maturidade para algo também é uma questão de identidade, ou seja, é necessário reconhecer suas próprias características e saber diferenciar-se do outro.