O jovem Diego Francisco Briston Vaz arrasou na primeira fase da Fuvest deste ano: acertou 79 questões! Mas o sucesso não foi por acaso. Além de freqüentar as aulas no período da manhã no Cursinho da Poli, Diego estuda a tarde inteira e só vai embora às 22h.

Mas nem sempre foi assim. “Quando eu era moleque, eu não queria ser ninguém, meu sonho era ser garçom na Austrália, pra ficar pegando onda pro resto da vida”, ele conta rindo, e explica que, depois de uma viagem que fez sozinho ao México, decidiu que voltaria a estudar. “Falei pra mim mesmo que esse ano eu levaria a sério. Voltei pra destruir”. E destruiu mesmo!

Você fez 79 pontos na prova da Fuvest. Já esperava esse resultado ou foi uma surpresa pra você?
A minha média nos Simulados do Cursinho era de 70 pontos, que é uma média boa, mas foi uma surpresa fazer 79. Para a Fuvest, meu objetivo era alcançar 72 pontos, que dá 80% da prova. Todos os Simulados do Cursinho foram muito mais difíceis, e isso me deu o preparo. Eu consegui um nível de concentração na hora da prova impressionante. Eu olhava pra questão e sabia qual era a resposta. Olhava as alternativas e falava “vai dar ‘tal resposta’”. Então, eu fazia as contas e dava aquilo mesmo.

Como foi sua reação ao saber sua pontuação?
Eu estava na casa da minha avó, e lá não tinha internet pra eu conferir o resultado. Tive que ver pela TV, fazer a correção das questões uma a uma, foi desesperador. Eu já estava tenso por causa da prova, quase morri do coração. Quando eu conferi meus pontos e vi que consegui 79, saiu um peso enorme dos meus ombros… eu me sentei e chorei!

Você sempre foi estudioso?
Fiz Cursinho em 2003 e 2004, mas não levava a sério, não estudava e não sabia o que queria da vida. Quando eu era moleque, eu não queria ser ninguém, meu sonho era ser garçom na Austrália, pra ficar pegando onda pro resto da vida [risos]. Fiquei 2005 e 2006 sem estudar, só trabalhando com meu pai, e nos finais de semana ia pra praia me divertir. Em 2005 juntei um dinheiro e viajei sozinho pro México, e foi lá que eu decidi que eu queria voltar a estudar.

Mas o que te levou a pegar firme nos estudos?
Foi de repente. Um dia acordei e falei: “quero fazer Veterinária, vou voltar a estudar!”. Eu vi muita coisa interessante no México. Havia muito cachorro na rua, muito mesmo, em cada esquina tinha uns 20, e eu tinha muito dó. Vi também uma tartaruga gigante desovando na praia, e me interessei, sempre gostei de natureza. Mas Veterinária é voltada só para animais, eu não gosto só de animal, gosto de natureza. Pesquisei o que era o curso de Biologia e vi que era isso o que eu queria. Então decidi que em 2007 eu voltaria a estudar.

Como é a sua rotina de estudos? Você estuda quantas horas por dia?
Dá mais de 11 horas de estudo. Eu assisto à aula de manhã, almoço no Cursinho, e fico até de noite, estudando por conta própria nas salas disponíveis ou no Plantão. Neste segundo semestre, não teve uma vez que eu cheguei em casa antes das 22h. Me dediquei ao estudo, realmente. Falei pra mim mesmo que este ano eu levaria a sério. Voltei pra destruir!

Como o Cursinho da Poli te ajudou a se preparar para os vestibulares?
Tinha algumas questões do Simulado que dava vontade de xingar o professor Zé Roberto, de Física. Ele falava: “olha, eu faço essas questões difíceis pra vocês irem se acostumando”, e na hora dava raiva, queria xingar o professor, só que todo esse trabalho reflete na hora da prova. Tanto que caiu uma questão do Simulado 3 que foi igual à da Fuvest, foram quase os mesmos dados! Eu bati o olho e falei “Zé Roberto ‘desgraçado’” [risos]. Com o professor Vogt aconteceu a mesma coisa: na sala, ele deu a dica: “em 2004, variou a pressão, no outro ano variou o volume, esse ano não varia nada, vai cair ‘gás confinado’”. Quando eu bati o olho na questão: “o gás no cilindro… “, eu falei “Vogt ‘filho da mãe’, é gás confinado!”. Eles manjam. Os professores do Cursinho da Poli são muito bons.

Na sua opinião, qual fase da Fuvest é a mais difícil: a primeira ou a segunda?
O nível de detalhe dos assuntos na segunda fase é maior, as questões são muito mais complexas, mais abrangentes, é bem mais puxado. Mas o problema da primeira fase é que você depende de um bom resultado nela pra seguir pra próxima etapa. Então, todo o estudo específico para a segunda fase não vale nada se você não passar pela primeira fase. As questões da primeira etapa são mais fáceis, mas acho que a pressão é muito maior.

O que você gosta de fazer para se divertir?
Esse ano eu não fiz nada, estudei até nos sábados e domingos. Minha mãe falava “menino, pára de estudar, estuda um pouco menos”, e eu brigava: “não, preciso estudar, estudar, estudar” [risos]. Eu gosto de viajar, sou bem nômade. Gosto de pegar onda, também, mas esse ano eu quase não surfei. Eu estudei quase todos os finais de semana.

Já sabe qual profissão pretende seguir?
Quero trabalhar com pesquisa, não sei qual área ainda. Gosto de ecologia e quero trabalhar com natureza. No colegial, eu queria trabalhar com Geografia, depois com Turismo, e vi que tinha um fator comum entre eles, que era a natureza. Pesquisei o curso de Biologia, vi o que era e gostei.

Que dica você dá para seus colegas irem bem no vestibular?
Eu só vou ao Plantão à hora que eu realmente não consigo fazer sozinho um exercício. Acho que esse é um fator importante para aprender. Tem que “apanhar”, se virar até o exercício sair. Se não sair, fazer de novo, até sair. Porque você só aprende ralando. Física e Matemática, que eu sabia muito pouco, tive que estudar o dia inteiro. Já fiquei duas horas fazendo um mesmo exercício. Tem que “apanhar” do exercício, porque, enquanto está apanhando, está aprendendo.