Cursos de Farmácia e de Fisioterapia são o 3º e 4º melhores no Enade, respectivamente; no total, a UFJF manteve 14 cursos entre os dez primeiros no país

A UFJF subiu dois pontos no Índice Geral de Cursos 2010 (IGC), que considera a qualidade da graduação e da pós-graduação (mestrado e doutorado), passando de 357 para 359, na escala que vai até 500. Com isso, neste ano, a federal manteve o índice quatro, que indica qualidade satisfatória. O máximo é cinco.

No ranking entre universidades públicas e privadas de portes diferentes avaliadas, a instituição alcançou a 27ª posição. No ano passado, estava na 20ª. Quando consideradas apenas universidades com mais de 20 cursos analisados, a UFJF sobe para o 18º lugar. A relação foi divulgada na quinta 17 pelo Instituto Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira do Ministério da Educação (Inep/MEC).

Para compor o IGC, no que se refere à graduação, é utilizado o Conceito Preliminar de Curso (CPC), que considera a notas nos três últimos Enade (Exame Nacional de Desepenho do Estudante – 2010, 2009 e 2008) e outros dados, como corpo docente, infraestrutura e programa pedagógico. Em relação à pós-graduação, é utilizada o conceito Capes. O resultado final está em valores contínuos (que vão de 0 a 500) e em faixas (de 1 a 5).

Para o secretário de Avaliação Institucional, Vanderli Fava, a Universidade manteve em 2010, praticamente o mesmo padrão de qualidade dos anos anteriores. “A UFJF expandiu o número de cursos, nos últimos três anos, o que acaba determinando diminuição em alguns indicadores quantitativos de qualidade. Um exemplo é o percentual de formandos em relação ao total de matriculados, visto que os cursos novos têm matriculados mas não têm formandos.”

Ainda segundo Fava, outro ponto que repercute no resultado é o quadro de professores. “Com os novos cursos, foram contratados docentes que, em geral, têm pouco tempo de exercício, o que também é considerado no cômputo geral do IGC.”

Segundo o reitor Henrique Duque, a expansão da UFJF, fundamentada pelo investimento em graduação e na pós, tenderá a consolidar o patamar de qualidade da instituição. “Recentemente recebemos menção honrosa nacional pela iniciação científica e o posicionamento de nossos alunos em cursos de pós-graduação e  estamos fortalecendo a Universidade de uma forma global, seja produzindo melhores laboratórios e bibliotecas ou  selecionando professores doutores. Esses são alguns dos fatores que determinarão o novo perfil da UFJF com cursos mais tradicionais e novos”.

Cursos entre os melhores

Outra lista divulgada também na quinta, comparada a rankings anteriores, mostra que 14 cursos da UFJF estão entre os dez melhores do país conforme a nota obtida no Enade. Direito é o primeiro entre 968 avaliados. Administração e Psicologia ocupam a segunda colocação.

Dos cursos que participaram do exame, no ano passado, cujas notas foram divulgadas neste mês, Farmácia mateve o 3º lugar entre 389. Da penúltima avaliação, em 2007, para a última, em 2010, Fisioterapia subiu do 5º para o 4º lugar; Enfermagem do 25º para o 12º; e Medicina do 20º para o 17º. Odontologia passou da 13ª colocação para a 14ª, mas conquistou a primeira posição em Minas Gerais. Serviço Social caiu da 30ª para a 211ª posição, devido ao boicote à prova.

A posição do curso de Educação Física só poderá ser verificada, em 2012, após a divulgação das notas dos alunos de licenciatura que fizeram o exame neste ano. Nutrição não foi conceituada pois não tem turma formada. Veja abaixo a posição dos cursos da UFJF.

Para o ex-aluno de Enfermagem Denison Pereira Marceloa boa nota está relacionada à carga de 420 horas de estágio que consolida o aprendizado em sala. “A estrutura da faculdade e os professores capacitados também nos dão suporte”, afirma. Percepção semelhante tem a ex-colega de curso Lívia Alves Cinsa. “Os métodos de ensino são muito bons, e a gente consegue aprender muito com os professores em sala de aula. Além disso, a estrutura que possibilita tempo de ensino prático, o que colabora na nossa formação profissional’’

Formado em Fisioterapia, Pedro Veiga Penna Delgaudio, atribui a posição ao comprometimento dos alunos que se dedicaram à prova, à estrutura dos hospitais e aos professores, que nas condições de sala de aula, conseguem transmitir o conteúdo aos alunos.

Curso Posição Quantidade de cursos avaliados Conceito Ano de aplicação da prova
Direito 1 968 5 2009
Administração 2 1663 5 2009
Psicologia 2 396 5 2009
Ciências Biológicas 2 525 4 2008
Comunicação Social diurno 3 832 5 2009
Farmácia 3 389 5 2010
Fisioterapia 4 477 5 2010
Matemática 5 512 5 2008
Engenharia de Produção 5 245 5 2008
Letras 7 740 5 2008
Química 7 223 5 2008
Ciências Econômicas 8 216 5 2009
Educação Física¹ 8 497 5 2007
Engenharia Elétrica 10 148 4 2008
História 11 430 5 2008
Enfermagem 12 728 5 2010
Ciências Sociais 13 89 4 2008
Odontologia 14 191 4 2010
Medicina 17 177 5 2010
Física 23 152 4 2008
Ciência da Computação 24 295 4 2008
Turismo 38 316 4 2009
Comunicação Social noturno 52 832 3 2009
Engenharia Civil 52 200 3 2008
Filosofia 54 141 3 2008
Pedagogia 92 1176 4 2008
Geografia 99 311 3 2008
Arquitetura e Urbanismo² 157 194 1 2008
Serviço Social² 211 310 2 2010

1 – A posição da Educação Física, em 2010, será conhecida, em 2012, após a inclusão das notas de alunos de licenciatura, que fizeram a prova em 2011.

2 – A posição de Arquitetura e Urbanismo e de Serviço Social é baixa porque houve boicote à prova.

O resultado do Enade é publicado um ano após a aplicação da prova.

Situação no país

No quadro de notas obtidas pelas 2.176 instituições, 27 delas alcançaram cinco, sendo 16 públicas e 11 privadas; 131 obtiveram nota quatro (65 públicas e 66 privadas); 985 aparecem com nota três (90 públicas e 895 privadas); 674 tiveram nota dois (41 públicas e 633 privadas); nove tiveram nota um (duas públicas e 335 privadas). Outras 350 instituições participaram do ciclo avaliativo, porém os cursos que não obtiveram o Conceito Preliminar de Curso (CPC) por não atender a um ou mais itens dos oito medidas de cálculo ficaram sem conceito.

Na distribuição dos 4.143 cursos, o mapa do CPC aparece dessa forma: 58 cursos de graduação alcançaram nota cinco; 728 (quatro); 1.608 (três); 575 (dois); 19 (um); e 1.155 cursos das áreas avaliadas aparecem “sem conceito”. Neste caso, o curso não teve a nota final porque faltou um ou mais dos itens que compõem o Conceito Preliminar de Curso.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, ao anunciar os indicadores de qualidade na quinta considerou que, no cômputo geral, a qualidade está melhorando. “Temos hoje professores mais titulados e que se dedicam mais ao ensino do que no passado”, disse.