Vestibular? “Nem!” Ou melhor, agora é Enem. O exame está sendo utilizado como forma de ingresso em diversas universidades. Com a data das provas se aproximando, os estudantes chegam à reta final sonhando com a aprovação no processo seletivo

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) é um teste individual, de caráter voluntário, oferecido anualmente aos estudantes que estão concluindo ou que já concluíram o Ensino Médio.

Diferente do vestibular tradicional, que promove uma excessiva valorização da memória, o Enem avalia as competências e habilidades adquiridas pelo aluno durante toda a vida.

Em 2009, o MEC (Ministério da Educação) deu início a um projeto de substituição do vestibular pelo Enem como forma de ingresso nas universidades. Em Fortaleza, a UFC (Universidade Federal do Ceará) adotou o método que consiste em uma única fase no ano.

A partir do resultado da prova, os estudantes se inscrevem no Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e podem disputar vagas em instituições públicas de Ensino Superior de todo o País.

Nesse ano, as provas vão acontecer nos dias 22 e 23 de outubro. Faltando pouco mais de uma semana para o grande dia, os inscritos chegam à reta final divididos entre a ansiedade e sonho de aprovação.

É o caso da estudante Mariana Araripe. Depois de desistir do curso de Enfermagem no penúltimo ano, ela decidiu ir atrás do que sempre sonhou. Aos 22 anos, ela agora tenta uma vaga no tão concorrido curso de Medicina.

Confiante, admite que sua prioridade é passar na UFC, mas o Enem possibilita que ela tenha uma segunda opção. Essa é, conforme avalia, uma das grandes vantagens do novo método de seleção. “Com o Enem ninguém mais precisa viajar para concorrer a vagas em diferentes estados do País, pois agora basta uma única prova. Isso também evita a coincidência de datas, o que acontecia bastante”, explica.

Outra vantagem apontada por Mariana, é o fato do exame abordar temas que priorizam o raciocínio lógico. “Agora os alunos estão sendo estimulados a ler, assistir jornais, buscar informações sobre temas atuais na internet e em revistas. Enfim, isso estimula a curiosidade das para questões do dia a dia, sem deixar de lado conhecimentos de Física, Matemática e outras disciplinas”.

A estudante também faz questão de frisar alguns pontos negativos, mas se mostra animada com a possibilidade de melhoria nos próximos anos. “Foram poucas as universidades que disponibilizaram 100% das vagas ao Enem. Espero que em breve todas as vagas sejam disponibilizadas”, observa. Também discorda da prova ter longos textos, o que torna o processo muito cansativo.

Apesar de extenso, Mariana acredita que o formato do Enem estimula os estudantes a aumentarem seu conhecimento cultural, o que é um ponto bastante vantajoso.

Expectativa

Liane Sobral, 19, concorda com Mariana. Segundo ela, o teste é cansativo tanto psicologicamente quanto fisicamente. “São dois dias. No primeiro, a prova tem a duração de 4h30. No segundo dia são 5h30. Cada um com 90 questões”, ressalta.

A jovem está no seu segundo ano de cursinho. Ela optou pelo curso de Odontologia por se considerar vocacionada para a área. Liane vai fazer o Enem pela segunda vez.

Vai tentar uma vaga na UFC e, pela primeira vez, na Universidade Federal de Campina Grande que também usa a nota do Enem como forma de ingresso. Independente do curso escolhido, Liane acredita que é necessário estar preparado para uma concorrência em nível nacional. “Isso exige uma maior preparação”, observa a estudante.

Para ela, o maior avanço trazido pelo Enem foi a adoção de questões voltadas para raciocínios aplicáveis no cotidiano. “Sempre há alguma questão de cálculo que você não precisa perder tempo com uma fórmula decorada, você identifica logo a resposta nas alternativas”, diz.

Já nos vestibulares tradicionais, Liane acha que eles ainda estão preocupados em abordar aspectos locais. “Cada método tem suas especificidades”, explica a estudante que particularmente, prefere o Enem.

Segundo ela, um das etapas mais importantes durante a preparação para a prova é a resolução dos simulados. “Quando você valoriza esse momento, consegue exercitar não só as questões, mas também trabalha o tempo. Até mesmo as idas ao banheiro, por exemplo”.

Para não ficar superansiosa no dia “D”, Liane procura dormir cedo e evita conversar ou falar sobre a prova. “Trabalho um pouco com a respiração e relaxo as mãos, joelhos, costas e pescoço. Pode parecer estranho, mas acalma”, revela.

Pela primeira vez

Rebecca Bonorandi, 17, está no último ano do Ensino Médio. Assim como a maioria dos jovens nesse período, ela também teve dúvidas na hora de escolher qual carreira queria seguir.

“Fiquei em duvida entre Engenharia Civil e Medicina. Meu pai tem uma construtora, mas gosto muito de matérias como Biologia, além de achar a rotina de um médico muito interessante. Não é o tipo de profissão onde estamos sempre fazendo a mesma coisa. Por isso, mesmo sabendo que iria abrir mão de muitas coisas como festas, por exemplo, optei por Medicina”, revela.

Essa é a primeira vez que a estudante vai enfrentar o Enem. Ano passado, quando o exame foi adotado como processo seletivo nas universidades, Rebecca estava fazendo intercâmbio e não teve a chance de tentar.

“Acho que vale a pena fazer a prova antes do último ano do Ensino Médio, até mesmo para ter oportunidade de conhecer como tudo funciona. A escola onde estudo incentiva os alunos a fazerem o teste”, observa. Rebecca aprova o modelo de seleção. A fase única, em sua opinião, facilita.

“Claro que existem algumas exceções, mas aqui em Fortaleza a maioria das faculdades já está elaborando as provas com base no conteúdo programático do Enem. Atualmente não há muita diferença entre estudar para Enem e para os vestibulares tradicionais”, considera.

Por: Diário do Nordeste